Eram três da manhã quando o barulho inconveniente - e indecente - parou no quarto do príncipe Elon e a porta se abriu.
Uma espectro saiu dando um sorrisinho nervoso para mim, contive a risada junto com Liro, que deixou escapar um sorrisinho de lado.
- É sempre assim? - perguntei quando a fêmea sumiu de meu campo de visão.
- Um canalha galanteador, lembra? - Elon disse enfiando a cabeça para fora da porta, olhei para ele por cima do ombro.
- Se lhe der um soco, terei problemas? - perguntei, Liro soltou uma gargalhada.
- Certamente terá menos problemas que o nariz dele. - resmungou. Elon fez cara de ofendido.
- Vocês são estupidamente cruéis. - disse e bateu a porta. Liro e eu gargalhamos.
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Meu humor no dia seguinte estava péssimo, minha língua tão afiada quanto as adagas presas e espalhadas por meu corpo.
Acompanhei Elon em três reuniões no período da manhã e início da tarde, ao fim da última, o segui de longe pelo jardim.
- Pode andar a meu lado, sabe. - disse, parou e se virou para me olhar. - O ódio não é mútuo.
- Que honra. - ironizei indo para seu lado.
- Ontem a noite você foi... divertida. - disse, por fim.
- Ontem a noite você foi barulhento. - retruquei, Elon riu.
- Sabe, não estou acostumado a ser tratado desta maneira. - começou.
- Vai chorar? - perguntei, lhe lançando um olhar irônico. Elon sorriu desafiador.
- Vou lhe infernizar a cada suspiro. - completou. - Até o último.
- Que honra. - coloquei a mão no coração. - Estou emocionada.
O castelo caiu em um silêncio profundo, algo que, pelas últimas vinte e quatro horas ali, sabia que não era normal. Parei de súbito, Elon a meu lado.
- Eu.. - levantei a mão, pedindo silêncio.
- Cala a boca. - resmunguei. Me virei para trás, para os lados, os guardas simplesmente sumiram.
- Olha não precisa ser tão... - um estouro alto atingiu meus ouvidos.
Agarrei Elon e nos coloquei atrás de uma árvore, meu corpo contra o dele, uma de minhas mãos tampando sua boca, outra com fogo dançante. Olhei em seus olhos.
- Cala a p***a da boca. - sussurrei. - Não vou permitir que morra em minha mão.
Elon assentiu, então olhou para nossos corpos, dando um sorriso sapeca por trás de minha mão, revirei os olhos, e tirei a mão de sua boca, chegando um passo para trás.
- Sempre um galã. - cantarolou. - Acha que passaram dos muros?
- Pelo que vi ontem. - neguei com a cabeça. - Dificilmente esses rebeldes babacas teriam força e inteligência para isso.
- Teorias? - perguntou.
- A minha deve ser a mesma que a sua. - disparei olhando ao redor.
- Os poucos que queriam a maldita guerra e querem a morte de meu pai. - disse.