CAPÍTULO 8 - ENTRE OS BEIJOS E O PERIGO

1078 Palavras
A noite havia caído silenciosamente, com a lua cheia iluminando a casa segura de forma suave. O clima, que antes estava pesado com o peso da guerra iminente, agora parecia mais tranquilo. O som da chuva que caía do lado de fora e o silêncio do ambiente criavam uma sensação de paz temporária — algo raro em um mundo como o de Luca e Naomi. Ela se encontrava na sala de estar, com uma xícara de chá quente entre as mãos, olhando pela janela. A luz suave da lâmpada refletia no vidro da janela, criando um ambiente aconchegante e acolhedor. As cortinas brancas se moviam levemente com a brisa que entrava pela janela entreaberta. Luca estava sentado em uma cadeira ao lado, observando-a em silêncio, mas sem pressa de interromper. Ele estava mais calmo do que nos últimos dias, mais relaxado, como se a presença dela fosse o único refúgio em um mar de incertezas. Finalmente, depois de um longo silêncio, Naomi se virou para ele. Seus olhos brilhavam com algo mais suave, mais íntimo, do que ele tinha visto antes. — Não sei como você consegue viver assim — disse ela, sorrindo suavemente, ainda com a xícara nas mãos. — Eu estou aqui, sem saber o que esperar amanhã, e você… você parece ter tudo sob controle. Luca a observou atentamente, sem sorrir, mas com um olhar que estava mais suave do que ela imaginava. Ele se levantou da cadeira e caminhou até ela, seu olhar fixo em seus olhos. — Eu não tenho controle sobre tudo — disse ele, sua voz baixa e grave. — Mas com você aqui, eu sinto que, por um momento, posso deixar de ser o homem que todos esperam que eu seja. Naomi ficou em silêncio por um momento, absorvendo aquelas palavras. O coração dela disparou, e ela sentiu uma sensação estranha, algo que não era só medo ou desejo, mas uma mistura de ambos. Algo que a puxava para ele de maneira impossível de ignorar. Ela olhou para a xícara em suas mãos, sem saber se deveria dizer algo mais, mas Luca não deixou o silêncio perdurar por muito tempo. Ele se aproximou ainda mais, até que estava tão perto que ela podia sentir a presença dele, a força dele, quase como se o toque fosse inevitável. — Não quero que você se preocupe — ele sussurrou, as mãos suavemente tocando a xícara que ela segurava. — O que quer que aconteça, Naomi, eu farei de tudo para que você fique bem. Eu te prometo. Ela olhou para ele, sentindo uma onda de calor se espalhar por seu corpo. Não eram só as palavras que a faziam sentir tanto, mas o jeito como ele as dizia. Como se ele estivesse se entregando, de uma forma que nunca fizera antes. Naomi se sentiu vulnerável e ao mesmo tempo, completamente segura. Era estranho. Como ele poderia lhe dar uma sensação tão contraditória? Ela colocou a xícara na mesa ao lado e, sem pensar muito, levantou-se, dando um passo em sua direção. Seus olhos estavam fixos nele, e ela sentia como se as palavras não fossem mais necessárias. — Eu sei — ela respondeu, a voz suavemente trêmula, mas cheia de confiança. — Mas eu também te prometo que vou ficar bem. Desde que esteja aqui. Ele olhou para ela, e naquele momento, parecia que o mundo ao redor desaparecia. Não havia mais guerra, não havia mais medo, apenas o agora. Apenas a conexão entre eles. Luca não disse mais nada. Ele apenas a puxou para perto. O beijo aconteceu de forma natural, como se fosse algo que estivesse prestes a acontecer desde o momento em que se encontraram. Não havia pressa, nem urgência. Era um beijo suave, exploratório, como se ambos estivessem descobrindo o outro pela primeira vez, mas de uma maneira íntima e familiar. Luca tocou o rosto de Naomi, com os dedos acariciando suavemente sua pele, enquanto ela se entregava ao beijo com a mesma intensidade, suas mãos explorando as costas dele, puxando-o ainda mais perto. Eles se afastaram por um momento, olhando nos olhos um do outro. Era como se algo novo estivesse nascendo entre eles, algo que não poderia ser ignorado, mesmo que o mundo ao redor deles estivesse prestes a desmoronar. — Eu preciso de você, Naomi — disse Luca, sua voz rouca, quase imperceptível. — Eu preciso de você mais do que qualquer coisa. Não posso te perder. Naomi não sabia como responder. O que ele dizia tocava uma parte dela que ela não sabia como lidar. Ela nunca imaginou que alguém como ele pudesse precisar dela dessa maneira. Mas ela sabia o que sentia. Sabia que, naquele momento, não queria mais estar longe dele. Ela queria se entregar a ele, de corpo e alma, sem mais dúvidas. — Eu não vou a lugar nenhum, Luca — ela respondeu, com um sorriso suave, as mãos ainda sobre ele, se deixando perder naquele momento. — Não importa o que aconteça, eu estou aqui. Luca sorriu, mas não era um sorriso de vitória ou alívio. Era um sorriso de alguém que finalmente entendia o peso de suas palavras e, talvez, o peso da promessa que havia feito a si mesmo. Os dois ficaram ali, em silêncio, como se o tempo tivesse desacelerado. Não precisavam de mais nada além da presença um do outro. O que fosse acontecer, aconteceria, mas naquele instante, o que importava era o agora, o aqui e o que estavam criando entre eles. Enquanto as sombras da noite envolviam a casa, o perigo ainda estava lá fora, mas nada podia apagar o que havia se acendido dentro deles. Naomi e Luca estavam em uma guerra que nenhum dos dois podia vencer sozinho, mas juntos… juntos eles poderiam enfrentar qualquer coisa. --- A noite foi silenciosa, mas cheia de promessas não ditas. Naomi se deitou na cama, ainda com o toque dele em sua pele, o calor da presença dele se estendendo por todo o seu corpo. E enquanto ela fechava os olhos, sabia que, por mais que tudo estivesse prestes a mudar, nada seria mais importante do que a verdade do que sentiam um pelo outro. O amor, o desejo, o medo… tudo misturado. E ali, naquele momento, tudo o que ela podia fazer era confiar. Confiar nele. Confiar em si mesma. E, talvez pela primeira vez, confiar no futuro que eles poderiam construir juntos. Mas, acima de tudo, Naomi sabia: não havia mais volta.
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