E logo chegamos na escola. Assim que saí do carro, Dylan passou por mim, deixando seu perfume amadeirado para trás. Fiquei abobalhada.
— Você quem sabe, e talvez tenha razão – Meg se aproximou para seguir comigo. — O que ela iria querer, depois de tanto tempo?
— Acha que o Dylan vai para a festa? – perguntei, mudando de assunto, e observando ele se distanciar e se perder no meio dos alunos. — O amigo dele, Noah, é amigo do Ton também. Acho que é bem provável, não é?!
— Nossa, eu no seu lugar já teria me cansado de dar moral pra ele. Ele não tá nem aí pra você! – eu sorri.
— Você que pensa, ele é orgulhoso, e por isso ele não corresponde, mas eu sei que ele presta atenção em mim! – Meg riu da minha cara. — É sério, você quer apostar?
— Não – ela riu ainda mais. — Lambendo as feridas, querida? – Meg perguntou à Jane, assim que chegamos perto dela nos corredores. Assim que me aproximei dela, senti o cheiro forte de vodka.
— Tá de brincadeira comigo? Às oito da manhã? – perguntei, incrédula.
Fora o fato de que ela estava na escola, e não em um cabaré. Entendo que poderia estar sofrendo, mas tudo tem limite. Que s*******o!
— Ele me traiu com a Regina, aquela vadia... – bufou seu hálito na minha cara, me deixando tonta.
— Você sabia muito bem que isso ia acontecer de novo – Meg reclamou, ajudando Jane a andar em linha reta.
— Vou comprar um café pra ela – avisei, me distanciando.
Pobre Jane, ela é muito influenciada por esse babaca por quem ela é apaixonada. Não foi a primeira vez que ele a traiu, mas ela sempre acaba voltando para ele, e fica nesse ciclo doentio.
Assim que atravessei os corredores e cheguei na máquina, enquanto eu comprava um café, um movimento atrás de mim me chamou a atenção. Era Brendon e o seu grupinho se aproximando de mim.
— E aí, princesa – ele sorriu cafajeste para mim. E eu ri de sua expressão contorcida. Ele jura que o charme dele me conquista.
Brendon era um gatinho que se achava o rei da escola. E por causa disso, ele talvez pense que faria um belo casal comigo, ele sempre dá mole para mim. Ele é muito convencido e não faz o meu tipo. Ninguém chega aos pés do Dylan, para mim. Porém, assim como Dylan, o Brendon também faz sucesso com as meninas.
— Bom dia, Brendon! – cumprimentei gentilmente. Eu ia pegar o meu dinheiro na minha carteira para pagar o café, mas o Brendon foi mais rápido, e pagou com o próprio dinheiro o meu café. — Não precisava...
— O prazer é meu, gatinha – ele pôs o braço na minha cintura, e eu entendi que ele queria me dar um abraço, e eu não recusei, seria a minha forma educada de agradecê-lo.
Mas, assim que olhei para quem vinha atrás dele, me arrependi no mesmo segundo. Dylan e seu amigo, Noah, vinham pelo o corredor. Os dois olharam para mim abraçada à Brendon, e eu encerrei o contato físico no mesmo segundo. Brendon ficou me olhando, e eu tentei disfarçar o meu constrangimento.
— Sai da minha frente – Dylan falou, rudemente, para o Brendon, que deu de ombros. Ele queria usar a máquina de café. O Dylan ama café, e isso é uma das coisas que não temos em comum, já que eu prefiro um chá.
— Você não é o dono da máquina – Brendon respondeu, devolvendo a grosseira. E eu pressenti o que acabaria acontecendo.
Dylan e Brendon tem uma rivalidade que dura no mínimo um ano, e tudo começou quando o Dylan ganhou o posto de capitão do time da escola, vaga que ele concorria contra o Brendon. E desde então, os dois trocam farpas diariamente, em uma richa interminável e irritante. Porém, tudo isso é culpa do recalque de Brendon, já que ele não aceita que o Dylan é o melhor jogador da equipe!
— Brendon, para com isso – falei, o puxando pelo o braço, para dar espaço para Dylan passar e pegar o seu café em paz.
— Tudo bem, faço o que você quiser, gatinha – ele me respondeu, me deixando vermelha.
Brendon é legal, mas as vezes consegue ser um cretino quando quer. Ele só fez isso para provocar o Dylan, já que tinha uma expressão de deboche no rosto.
Ele foi embora com o seu grupinho, e eu respirei fundo e olhei para Noah e Dylan, que ainda estavam ali perto de mim.
— Bom dia, meninos – sorri, tentando aliviar o clima.
— Bom dia, Ashley – apenas o Noah me respondeu educadamente, enquanto que o Dylan nos deu às costas e foi embora.
— Vocês vão para a festa do Ton? – perguntei, para Noah.
— Não sei, não fomos convidados. – Ele passou a mão nos cabelos, sorrindo, me fazendo rir também. Noah é gente boa.
— Pois está sendo convidado nesse segundo, e por favor, diga ao Dylan que ele também está convidado, já que ele foi embora antes que eu pudesse dizer qualquer coisa – dei de ombros, sorrindo sem jeito.
— Tudo bem, Ash, talvez a gente se veja lá! – ele sorriu e com isso eu me fui.
Ser ignorada pelo o Dylan me magoava, porque as vezes isso me despertava gatilhos, já que também fui muito ignorada pela minha mãe nas vezes que procurei a atenção dela e fui frustrada.
A maior e pior arma que alguém pode usar contra nós, é a nossa própria mente, mesmo que nem sempre seja proposital.