Sílvia
_Alô, Dona Silvia?Aqui é a delegada Andréia Ribeiro da 12° DP de Copacabana.Será que posso falar com a senhora sobre o assassinato do seu marido._ela deu uma pausa._Desde já, deixo meus mais sinceros sentimentos.
_Olá, querida.Obrigada, mas se a senhorita vier me dizer que o caso continua arquivado, eu já estou cansada de ouvir essa história.Me desculpe, mas eu não aceito o que fizeram com o meu marido.
_Não senhora, fique tranquila, eu venho com boas notícias._eu me sentei no sofá, agora estava interessada em saber o que a delegada realmente queria dizer com aquilo.
Iriam completar três anos da morte de Roberto, três anos da impunidade daquela assassina.Eu sabia que ele estava completamente apaixonado por ela, eu mexia no celular dele quando ele não estava prestando atenção, ele sempre falava com os amigos sobre ela.A Alexa, a dona do Chapéu Mangueira, aquela "gostosa".Meu estômago embrulhava só de lembrar disso.
Ele sempre me traía, na verdade, me traía há longos 15 anos, mas eu prezava pela família, eu o amava incondicionalmente.Além disso, nós tínhamos a Sabrina, eu jamais iria querer que ela passasse por um processo de separação, eu definitivamente não queria isso.
_Vocês vão finalmente prendê-la?_perguntei.
_Dona Sílvia, eu reabri o caso do seu marido, irei investigar todos os detalhes novamente.Selecionar os suspeitos para chegar a uma conclusão definitiva.
_Isso vai demorar mais quanto tempo?Mais dois anos?
_Eu serei o mais rápida possível com tudo, senhora, peço que confie no meu trabalho.A senhora terá a justiça que tanto deseja._ela disse, convicta.Talvez fosse a hora de dar um voto de confiança, eu só queria que ela pagasse pelo que fez.O Roberto não merecia isso.
Eu cheguei a ir atrás dela logo após o acontecido, juntei toda a coragem que eu tinha e a segui.Minha vontade era de chamar a polícia na hora em que a vi, mas não era tão simples assim.Eu não tinha nenhuma prova concreta e além do mais, a i*****l estava grávida.Sem provas iriam me achar um monstro por abordá-la daquela forma.
Mas após prometer me deixar informada sobre todos os passos da investigação e desligar, eu voltei a sentir algo que eu já não sentia há muito tempo...Sede de vingança.
Alexa
Maurício chegou a noite e eu já havia deixado Lavínia com a minha mãe, estava checando os lucros quando ele bateu a porta do escritório.Levantei os olhos, confusa.
_Eu já tinha dito que não queria o Patrick vindo aqui quando eu não tô!_ele gritou, puto.
_Mauricio, eu não convidei ninguém.Ele apareceu e só queria ver a Lavínia._dei de ombros e continuei contando as notas, eu não gostava de dar muita ideia quando ele estava com raiva.
_Não convidou, Alexa, tem certeza?Toda hora tu fala no dia do baile, porque ele foi embora com a mina da Rocinha lá.Você ficou foi com ciúme e queria saber o que rolou._ele entrou no banheiro e logo saiu, olhando pra mim.
_Mauricio, deixa de ser escroto! Tu vai começar com essa história de novo?Eu não tô contigo, pra que isso!_me levantei com raiva, largando as notas em cima da mesa._p***a, tu só pode ser i*****l pra não perceber que essa garota tá de olho no que é nosso!
_Você tá cismando com a garota só porque ela tá envolvida com ele, Alexa, para com essa porra.Tu sabe que gente de todos os bairros frequentam a p***a do baile!
Peguei minha pistola, já p**a pra c*****o e coloquei na cintura antes de abrir a porta e sair dali.Ele estava sendo ridículo, não queria enxergar o que estava na cara dele.Desci a escadaria e fui na direção do meu carro, entrei e dirigi pra longe dali, o Maurício já tinha me estressado o suficiente.