CAPÍTULO 70: BRINCANDO DE NORMALIDADE

925 Palavras

LUCY Era engraçado como a vida parecia querer, vez ou outra, dar uma trégua. Um fiapo de normalidade, um respiro. E ali estávamos nós: eu e o Arthur, no parque. Sem gritos, sem tiros, sem ameaças. Apenas ele, o meu menininho, de gorro azul e tênis colorido, correndo atrás de um pombo atrevido, e eu, sentada num banco, vigiando tudo com aquele sorriso torto de quem sabe que a vida nunca foi tão simples assim. Claro que não estávamos sozinhos de verdade. Tinha segurança a paisana em tudo quanto era canto — dois sentados fingindo jogar dama, um disfarçado de vendedor de algodão-doce, outro com uma câmera fingindo ser fotógrafo de paisagens. Coisa de filme. Mas se aquilo era o que precisávamos pra tentar viver em paz, então que fosse. Melhor isso do que fechar as janelas e dormir com medo. E

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