CATARINA Eu nunca gostei de admitir que perdi. E perder o Jayme… foi como ter o chão arrancado sob meus pés. Mas agora, mais do que nunca, eu sabia que precisava retomar o controle. Não só dele. Da narrativa. Da forma como as pessoas me olham. Da maneira como ele me olha. O encontro foi “acidental”, claro. Eu sabia que ele almoçava naquele restaurante da Rua São Carlos às quartas-feiras, mais ou menos meio-dia. Fiz questão de marcar uma reunião bem perto dali, e por obra do destino – que, neste caso, tinha meu toque cirúrgico – cheguei justo quando ele estava pedindo a sobremesa. — Jayme? — chamei, fingindo surpresa. Ele levantou os olhos do celular, o garfo parado no ar. — Catarina? — Que coincidência! — sorri, ajeitando minha postura, como se não tivesse ensaiado o momento a seman

