JAYME Segundo dia. Dois malditos dias. Lucy ainda desacordada. Arthur… desaparecido. E eu? Fragmentado por dentro, fingindo ser forte pra não surtar de vez. É estranho como a gente aprende a andar com um buraco no peito. A dor vira rotina, quase um tipo de silêncio. O hospital amanhecia sem pressa. A luz azulada do corredor m*l clareava meu caminho. A mãe da Lucy estava cochilando numa das poltronas da sala de espera. O Edson tinha voltado pra casa pra tentar descansar, mas não sei como alguém consegue isso com esse caus que está nossas vidas nesses dias, eu m*l consigo cochilar direito. Eu tinha acabado de tomar um café amargo daquelas máquinas automáticas quando o celular vibrou. Número restrito. — Alô? Quem fala? — atendi, já com o coração acelerando. Do outro lado da linh

