Regras

1011 Palavras
Peguei algo para vestir antes de ir para a cama. Sempre adorei coisas fofas e na hora de dormir não era diferente. Entrei no banheiro e rapidamente olhei em todos os cantos, pois fiquei com medo de que eles tivessem colocado uma câmera ou algo assim. No entanto, não encontrei mais nada além do chuveiro, que abri assim que fechei o box de vidro. Dei um pulo e soltei um gritinho quando a água gelada atingiu minha pele. Tentei ligar o aquecedor, mas ao invés de ficar quente, ficou frio, não entendi, porém, não podia ficar sem tomar banho, então continuei a me lavar, tremendo de frio. Eu terminei rapidamente e pulei para fora do chuveiro. Meu corpo estava congelando enquanto eu vestia meu pijama e colocava um suéter grosso para me manter aquecida. Corri para olhar minha conta bancária para ver se meu irmão havia depositado o meu dinheiro como deveria e um soluço saiu da minha garganta quando olhei para os míseros R$400 com os quais deveria viver a partir dali. Enxuguei uma lágrima e decidi que deveria perguntar a alguém sobre o problema da água. Estremeci de medo quando abri a porta do meu quarto. Caminhei devagar até a sala e reprimi um gritinho de terror quando vi 4 caras extremamente sensuais me penetrando com olhares intensos e julgadores. Fiquei com vergonha, pois parecia que eu tinha interrompido a conversa deles e agora, eu era o centro da atenção, tudo o que eu menos queria. Minhas bochechas começaram a queimar imediatamente e eu fiquei com vontade de chorar. "Sim?" perguntou a voz profunda e misteriosa. Eu olhei para o dono da voz, mas fiquei com medo de falar. "O... q-quais são as regras?" eu gaguejei, só queria me esconder e chorar. "Seu irmão não te contou?" a mesma voz perguntou e eu apenas balancei a cabeça, em sinal de “não”. "f**a-se, fala alguma coisa, garota estúpida!" Richard rugiu e eu dei um passo para trás - um dos rapazes, o que parecia ser o mais sério, lançou um olhar de desaprovação a Richard. "D-desculpe." eu disse mordendo o lábio, tentando não chorar. "Aqui." Outra voz masculina falou, eu olhei para cima e vi um rapaz atlético de camisa verde, estendendo um pedaço de papel pra mim, com as regras do dormitório. "Obrigado." Eu respondi, pegando o papel. Nesse momento, notei Richard se levantando do sofá com uma raiva indescritível em seus olhos brilhantes. "Pare de gaguejar, isso me dá nos nervos!." ele rosnou, fazendo as lagrimas escorrerem pelo meu rosto. "Richard! Comporte-se! Não tá vendo que a garota está com medo de você?" o cara de camisa verde disse a Richard, enquanto eu tentava engolir meu choro. Porém, eu já estava farta daquele Richard e não conseguir controlar minha reação. "Você é assustador! Não posso esconder meu medo de você!" eu gritei com ele, com todas as forças que eu tinha. Ele pareceu surpreso. Seu rosto ficou com uma expressão estranha, mas logo voltou a ficar com o ódio de sempre. Ele se levantou em minha direção, mas antes que algo assustador acontecesse comigo, eu corri. Cheguei no meu quarto e me tranquei dentro. Dentro do meu quarto, eu não aguentei e desabei. Por que esse Richard é tão mau comigo, o que eu fiz de errado? Eu não consigo parar de gaguejar perto dele, ele me deixa nervosa e sem reação, o que eu posso fazer? Eu não consigo ficar normal perto dele e ele implica comigo por isso. Eu chorei enquanto olhava para o papel e comecei a chorar ainda mais quando vi as regras. REGRAS DE COLEGA DE QUARTO - 100R$ para o aluguel -50R$ para o uso de água quente -Compre sua própria comida (NÃO TOQUE NA NOSSA) -Qualquer bagunça que você fizer, limpe. -50R$ por mês para uso da internet -50R$ por mês para acesso à lavanderia -50R$ para manter o seu lugar de estacionamento *Foi com isso que seu irmão concordou quando veio morar com a gente, as regras se aplicam a você da mesma forma. Minhas lágrimas não paravam, nunca me senti tão sozinha. Eu me agarrei com o travesseiro e desejei que tudo me consumisse por dentro. Meu irmão conhecia as regras antes de se mudar para aquele dormitório, ele sabia que eu teria que depender dele para ter dinheiro até que pudesse me sustentar. Então, ele resolveu me castigar m*l me dando o suficiente para viver. Aqueles R$400 que ele tinha depositado m*l davam para pagar as despesas do dormitório, como eu ia conseguir comprar meus materiais da escola? Me sentei no chão olhando para a parede. Senti meu corpo esfriar e não gostei para onde minha mente estava indo. Me lembrei do rosto da minha mãe quando ela me encontrou quando me c0rtei pela primeira vez, as lágrimas escorrendo por seu rosto, o seu olhar de pena e angustia, enquanto me via derramada na banheira, com os pulsos sangrando. De repente, minhas pernas se moveram por conta própria, eu não conseguia mais me controlar enquanto segurava a pequena caixa contendo o monstro que me destruiu. Naquele dia que minha mãe me encontrou, eu estava doente, eu não queria morrer de verdade, mas agora, não tinha ninguém para me salvar da escuridão. Levantei meu suéter e olhei com profunda dor para meu rosto inchado no espelho. Abri a caixinha que carregava e tirei de dentro uma lamina prateada afiada, a mesma que quase tirou minha vida há três anos atrás. Deslizei a lamina pela minha pele, estremeci quando ela se prendeu e o sangue começou a escorrer pelo meu braço. "Sinto muito, mãe e pai." eu sussurrei enquanto me enroscava em sangue e lagrimas. “Eu gostaria que vocês dois ainda estivessem vivos”, falei, enquanto um pequeno sorriso, de que tudo ia ficar bem, se formava nos meus lábios. O sangue começou a pingar no carpete, mas eu não me importava. A lamina continuava fazendo o seu trabalho, arrancando minha dor. Será que essa é a sensação quando se está prestes a morrer?
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