Você Não Está Sozinha

1542 Palavras
"Levante-se, Belle." Abri meus olhos e vi a figura de Kevin debruçado ao lado da minha cama olhando para mim, bocejei levemente. "Sim?" Sussurrei esfregando os olhos, olhei para o relógio e tomei um susto, pois ainda eram 3 horas da manhã. "Eu sei que isso é repentino, mas pode me emprestar algum dinheiro?" Ele perguntou, eu fiquei confusa. "Eu pensei que você tinha sido pago ontem." eu disse me sentando na cama. "Eu fui, mas esqueci de deixar dinheiro para a internet esse mês, sendo que eu devia ser o responsável." Ele disse. Ele parecia realmente chateado com seu erro. “Até os responsáveis ​​têm problemas às vezes." Eu disse, então, peguei meu celular e verifiquei o aplicativo do meu banco. Estremeci quando descobri que mais uma vez meu irmão havia diminuído minha mesada semanal. Eu pedi dinheiro a ele depois de dizer que não conseguia encontrar um emprego com o pé doente, mas mesmo assim, ele não me deu muito dinheiro, só o suficiente para eu não passar fome, acho. "Você está bem?" Kevin perguntou, enquanto eu olhava petrificada para a tela do meu celular. Eu sorri levemente para ele - não queria que ele se preocupasse comigo. "Sim, estou bem, Kevin, quanto você quer é um valor baixo?" Eu perguntei baixinho, ele suspirou. "Apenas 40R$, sinceramente, odeio pedir qualquer coisa." Ele disse meio m*l-humorado, eu sorri para ele. "Você é o responsável por pagar as contas, mas os outros também moram aqui, você não deveria ter medo de pedir ajuda a seus amigos.” Eu disse apontando para a porta do lado de fora, onde os outros provavelmente estavam dormindo. "Eu sei, mas eles têm seus próprios problemas - eles não podem carregar esse fardo em seus ombros." Ele respondeu sinceramente, rapidamente transferi o dinheiro para o banco dele. "Pronto." Eu disse com um bocejo, ele sorriu. "Obrigado princesa, volte para a cama." Ele disse, eu sorri levemente e me deitei. Meus olhos se fecharam lentamente, mas logo me acordei de novo com um barulho de porta fechando. Abri os olhos e vi Austin em um canto da parede, com os olhos molhados e uma figura trêmula. Ele parecia assustado e desnorteado. "Austin?" Eu sussurrei, minha voz confusa lutando contra o sono. "P-p-posso d-d-dormir com você?" Ele gaguejou, seu corpo tremendo de medo. Nunca escutei Austin falar daquele jeito, achei que algo grave tinha acontecido. "Você está bem?" Eu perguntei preocupada, estendendo minha mão para ele. Ele agarrou minha mão e foi logo deitando ao meu lado. "Pesadelo." Ele sussurrou muito perto de mim, minhas bochechas coraram levemente quando ele aconchegou sua cabeça em meus s***s. "Estou aqui..." Eu disse a ele gentilmente, acariciando sua cabeça. "Você vai fazer os pesadelos desaparecerem, raio de sol?" Sua voz falhou, ele se agarrou a mim com mais força. Senti meu corpo inteiro ser entrelaçado pelos seus braços e senti que não podia escapar. "Vou te abraçar forte, não vou te soltar até que a noite caia." Eu sussurrei de volta, a mesma frase que minha mãe costumava me dizer quando eu era pequena. Mesmo quando o pesadelo de sua morte me assombrou por anos, tudo que eu conseguia lembrar era dela me segurando com força e me dizendo que pela manhã o medo teria desaparecido. Depois que meus pais adotivos morreram, continuei dizendo isso a mim mesma, mas sabia que assim que chegasse o aniversário da morte deles, eu estaria pior do que antes. Eu senti Austin tremer um pouco o que me tirou dos meus pensamentos, eu sabia que ele estava chorando e senti meu coração doer. O que esses meninos passaram que os deixaram assim? Todos eles parecem tão quebrados de alguma forma e isso honestamente me deixava preocupada. Ele me apertou com mais força, como se quisesse me prender a ele, o que fez eu soltar um pequeno gemido pois minhas costas doeram um pouco. “Que foi? E-eu machuquei você?” Austin perguntou preocupado, olhando para mim como uma criança confusa. “Não, está tudo bem, você só me apertou muito forte, mas já está melhor agora...” “Me desculpe, eu não queria...” Ele disse, voltando a abaixar a cabeça. "Não, vai ficar tudo bem Austin, o sol já vai aparecer para iluminar seus sonhos." Beijei sua testa, me ajustando para ficar mais confortável. Passei meu braço em volta dele e continuei acariciando sua cabeça, depois de alguns minutos ouvi ele começar a roncar baixinho e então, pude enfim, fechar os olhos. ~Manhã~ "Austin!?" Lentamente comecei a acordar, ouvindo a voz alta de Kevin. "Austin!?" Richard gritou como um trovão, ambos pareciam preocupados. "Ele está aqui!" Eu falei baixinho, tentando acalma-los. Austin estava dormindo profundamente ainda aconchegado em meu peito. Richard, Kevin e Kaleb estavam todos chocados vendo aquela cena dentro do meu quarto. Austin gemeu um pouco e me abraçou mais forte, de olhos fechados. Eu ri um pouco quando senti seus dedos segurarem minha cintura. "Quando isso aconteceu?" Richard sussurrou se aproximando de mim, ele parecia o mais chocado de todos. "Na noite passada, ele entrou chorando por causa de um pesadelo e perguntou se poderia dormir comigo." Falei baixinho, Austin gemeu e começou a acordar. "Ele dormiu profundamente até agora!?" Kevin perguntou, eu confirmei com a cabeça – não estava entendendo por que eles pareciam tão surpresos. "Por que todo mundo está falando tão alto...?" Austin choramingou, então ele se aconchegou em meu peito de novo. "Gostando do seu travesseiro?" Kevin rosnou, os olhos de Austin se arregalaram e então, ele olhou para o meu rosto corado, como se tivesse despertado de um sonho. "An? O quê? Quando?" Ele ficou vermelho igual um tomate e se levantou em um pulo da cama, o que o fez tropeçar no chão. *baque* "Você está bem?" Eu perguntei me sentando, arrastando primeiro meu pé doente para o chão. "É..." Ele gemeu, parecendo envergonhado e então, se sentou, olhando para os rapazes. "Não conseguimos te encontrar essa manhã, então ficamos preocupados que você tenha ficado vagando por aí novamente." Kevin falou igual um pai prestes a dar um sermão. Austin estremeceu, mas não demorou para sorrir levemente. "Acho que eu vaguei em algum lugar seguro." Ele sussurrou, eu corei e mordi meu lábio. "Eu sei o que você fez..." Richard falou, e eu juro que vi um sorriso malicioso em seus lábios. "Você está bem agora?" Perguntei a Austin e ele se levantou com um sorriso radiante. "Sim, raio de sol, estou ótimo agora." Ele disse antes de beijar minha testa e sair do quarto. "Você está com fome?" Richard perguntou para mim, eu olhei para ele e confirmei com um “uhum”. "Bem, venha tomar café então." Kevin revirou os olhos, parecendo de mau humor. Eu me levantei e fui primeiro ao banheiro. Eu me arrastei até a área da cozinha, onde o cheiro do bacon e dos ovos estava ecoando por todos os cantos. Eu sorri levemente achando engraçado a forma como eles falavam uns com os outros. Você não ia achar que esses caras eram próximos, mas eles eram. Eles se importavam um com o outro, cada um deles sabia que escuridão o outro estava escondendo. "Bacon?" Kevin perguntou, enquanto me sentava em frente diante do balcão da cozinha. "Eu não tenho que eu mesma comprar?" perguntei com um sorriso triste. Nesse momento, todos pararam de falar e Kevin rapidamente saiu da cozinha - eu disse algo errado? Essas não são as regras?, pensei. Mas, não demorou para Kevin voltar e me entregar um pedaço de papel. "Não, nós gostamos de você." Ele disse, e eu quase chorei quando li o que tinha naquele papel. REGRAS DE COLEGA DE QUARTO - 100$ para o aluguel -50% para uso de água quente Compre sua própria comida (NÃO PEGUE A NOSSA!) Qualquer bagunça que você fizer, limpe -50R$ para uso da internet -50% ao mês para acesso a todo mundo -50R$ para manter o seu lugar de estacionamento *Nós mudamos as regras porque gostamos de você, além disso, elas eram falsas de qualquer maneira* Esquece, eu chorei. Chorei como um bebê por causa ao ler aquilo. Não sabia se era felicidade pois agora ia poder comer o que quiser, se era por descobrir que eles gostavam de mim ou os dois. Enquanto eu chorava, Kevin esfregava minhas costas para me confortar. "Você não precisava fazer isso..." Eu solucei, Kevin riu. "Eu sempre pago tudo nessa casa, exceto o aluguel e o estacionamento de todos, todos pagam apenas US$ 150 por mês, mas decidimos aumentar esse valor e criar todas aquelas regras idiotas quando soubemos que íamos ter outro colega de quarto." Ele explicou, eu funguei. "Então...vocês gostam de mim?" Eu perguntei com um sorriso entre as lagrimas, todos riram inclusive Kaleb. "Mais do que você pensa." Austin falou, Kaleb assentiu e colocou mais ovos no meu prato. Kaleb ainda estava em silêncio, mas eu podia senti-lo me observando fixamente. Ele parecia tão gentil e amável, mas por que o tom de azul que ele usava parecia tão triste? E porque ele nunca falava nada? Ele era como uma piscina vazia em que nunca ninguém nadou. Espero que um dia eu entenda esses meninos, assim como eles estavam tentando me entender.
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