Uma semana havia se passado. As coisas não haviam mudado, bom… Agora além de ter Márcio me vigiando, eu tinha a Martina também, mais um pouco e acho que eles iam me seguir até no banheiro, isso já estava me dando nos nervos, eu tentava o tempo todo fugir deles, mas nem sempre conseguia.
Caro continuava pegando no meu pé, junto de suas seguidoras chatas, e a líder ainda ficava dando em cima do Rica na minha frente só para me provocar, mas o garoto por sua vez nem dava bola para ela, e ainda dizia que os dois já tinham acabado e que agora ele gosta de mim, confesso que ficava muito feliz ao escutar isso.
Já Sebas... Bom, esse continuava fazendo suas trapalhadas, porém, nada que nos prejudicasse, até porque ele sabia que os guardiões do tempo estavam de olho na gente, então, acho que ele estava se esforçando bastante para não falar além do necessário, e até que estava sendo engraçado conversar com ele, pois ele estava praticamente monossilábico, sabem, acho que o preferia assim do que falando tanta besteira.
(...)
Era uma sexta - feira. A nossa turma iria fazer um acampamento em um camping que ficava em uma cidade vizinha. Eu estava super ansiosa, pois sempre gostei muito dessas coisas de acampamentos, trilhas, e tudo que envolve natureza.
Iria quase toda a turma, exceto Thales, um dos garotos mais chatos da escola, e Caro, que não poderia ir, pois tinha um compromisso familiar, já vi que eu ia amar ainda mais esse passeio, pois seria dois chatos a menos.
Ah, e o melhor de tudo é que vovô e Isa haviam se oferecido para ser monitores do acampamento, juntamente de mais dois professores, já que era obrigatório ir alguém da escola. Pelo que Mercedes me falou, todos anos familiares de alunos ou moradores da vizinhança se ofereciam para ir aos passeios escolares como voluntários, era meio que um costume, confesso que achei isso meio estranho, mas eu adorei.
O camping era enorme, mas para tantas pessoas não poderia ser diferente.
Chegamos ao local por volta de 15h, descemos do ônibus e não pude deixar de notar quando vovô e Isa se afastaram da gente, até sair do nosso campo de visão, eles haviam levado algumas caixas com balões e tintas, não entendi o que eles estavam armando, mas fiquei bem curiosa para descobrir. Logo o professor Rogério, de Física, começou falar em alto e em bom som:
- Bom, turma, eu vou explicar um pouquinho de como vai funcionar a dinâmica do nosso acampamento. Vocês serão divididos em quatro equipes, são elas: Onça pintada representada pela cor vermelha, Lobo guará que será a cor azul, Pinguim africano, que será a cor amarela, e por último, mas não menos importante teremos a equipe Peixe boi, que será representada pela cor rosa.
Eu irei chamar um por vez para vir estourar um balão, que nossos ajudantes foram encher, a cor que estiver dentro do balão, será a de sua equipe. Ah, ninguém poderá trocar de time, caso não goste do seu. Bom, aos poucos, vou contando como funcionará as provas, e todo o resto. Alguma dúvida até aqui?
Ninguém disse nada, apenas nos entreolhamos para saber se alguém diria algo. Mas ninguém disse.
Em seguida, Isa e vovô voltaram com os balões dentro de uma caixa, como eles não haviam enchido muito, eles não saíram voando, obviamente, se o Sebas que fosse o encarregado de encher os balões, a história seria bem diferente.
Os professores e monitores foram chamando um a um para estourar os balões.
Eu fiquei no time do lobo guará, ou equipe azul, e dos meus amigos, os únicos que ficaram em minha equipe foram Angela, Laura (que não é amiga, mas conta, ou não? Ah, vocês entenderam), Sebas e Jorge. Puxa, queria tanto ter ficado na mesma equipe do Rica ou de Mercedes, ou dos dois, mas o meu namorado ficou na equipe peixe boi, ou seja, da cor rosa, já minha amiga ficou na equipe pinguim africano, da cor amarela.
Colocamos nossas camisas por cima das que já estávamos, pelo menos nesse primeiro dia. A minha camisa era azul e tinha um círculo grande com o rosto de um lobo guará, as camisas dos outros times eram do mesmo modelo, porém era da cor de seu respectivo time e tinha a imagem do animal que dava nome a equipe.
Após as equipes estarem formadas, fizemos uma votação entre nós para decidirmos quem seria a (o) capitã (o), do meu time quem ganhou acabou sendo eu, não sabia se ficava feliz ou não com isso, já que seria uma enorme responsabilidade.
Em seguida, tivemos que fazer uma caça ao tesouro (que seria um kit barraca, composto pela barraca, obviamente + um saco de dormir para cada um + 1 lanterna para a equipe), cada time foi para um lado diferente da mata. A minha equipe saiu em disparada, tentamos não nos afastar uns dos outros porque fiquei com medo da gente se perder.
Encontramos nosso kit uns vinte minutos depois, e após encontrarmos voltamos para onde estavam os professores e monitores. Fomos a segunda equipe a chegar, perdemos apenas para Onça pintada.
E após todos voltarmos, Isa nos informou para nossa surpresa que não ficaríamos nas barracas por equipes, pois teriam que separar meninas dos meninos. Ai, não sei como não pensei nisso antes.
O professor Frederico, de Biologia, havia feito algo mais prático do que estourar balões de água com tinta colorida, ele havia anotado em um caderno quem ficaria com quem nas barracas.
Todos ficaram com 5 integrantes em cada barraca, porém eu acabei ficando apenas com mais três (Angela, Mercedes e Simone), será que eu aguentaria aturar aquela garota chata?
- Bom, agora vocês podem montar sua barraca. - Falou vovô.
- E como se monta isso? - Perguntou meu irmão.
- Essa é a graça da coisa. - Ele sorriu. - Vocês terão que descobrir. Ah, e os vencedores ganharão chocolates para comerem essa noite. Então… Boa sorte!
Ah, ótimo, como será que se montava esse trem? Eu não fazia a mínima ideia e se dependesse de mim, não ganharíamos.
- Ah, eu já acampei algumas vezes com meus pais. - Falou Simone. - Bom, eu nunca montei uma barraca sozinha, eles me ajudavam, mas acho que podemos tentar. Vocês me ajudam?
- Claro. - Respondemos em uníssono.
E com a ajuda da Simone conseguimos terminar de montar nossa barraca antes de todo mundo, afinal, ela era a única da nossa turma que já havia acampado antes, então, tínhamos essa vantagem.
(...)
À noite fizemos marshmallows ao redor de uma fogueira, vovô começou a tocar violão e ficamos cantando algumas músicas, foi tão divertido, e consegui ficar um pouco com Rica já que durante todo o dia nem havíamos nos falado quase, já que somos de equipes diferentes.
Ah, com certeza eu ia querer acampar mais vezes, pois as únicas vezes que eu acampei foi no quintal de casa com meus irmãos, mas dormimos naquelas barracas que não precisamos montar.
Por volta de 23h, o professor Rogério ordenou que cada um se dirigisse para suas barracas, e assim o fizemos.
- Ah, eu trouxe baralho. - Disse Simone após terminarmos nosso chocolate. - Podíamos jogar. O que vocês acham?
- Que boa ideia! - Falou Mercedes.
- Por mim pode ser. - Disse Angela.
Eu olhei meio surpresa para Simone, mas acabei topando, afinal, eu adorava jogos de baralho. Às vezes meus pais, irmãos e eu fazíamos noites em família, onde jogávamos jogos de baralho, Uno, entre outros, era tão legal.
Ficamos algumas horas jogando, Simone estava parecendo ser tão legal, sei lá, mas senti como se eu estivesse conhecendo uma outra Simone, uma bem mais legal, talvez aquela fosse a verdadeira Simone quando não está perto da Caro.
Após mais ou menos uma hora de jogos, resolvemos ir dormir, e assim chegava ao fim nosso primeiro dia de acampamento.