A Reconciliação

1062 Palavras
Ao terminarmos a coreografia eu fui em direção ao Rica, porém, Caro passou por mim me dando um empurrão e foi até o garoto. Ao ver os dois conversando eu resolvi ir até o camarim, não queria ter que vê-los juntos, ai, será que Rica havia me trocado por ela? Obviamente, ele ia querer namorar uma garota da sua época e não do futuro, eu até o entendia, era compreensível, mas por que tinha que ser logo a Caro? Ela não é a única garota de 1957, e também não é a mais bonita, embora ela pense o contrário. - Oi. - Disse uma doce voz. - Oi, Isa. - O que houve? Por que essa carinha? - Rica… Está lá… Conversando com a Caro. - Revirei os olhos. - Ah, entendi… - Se aproximou de mim. - Não fica assim, Luna, aposto que o Ricardo não gosta da Caro. - Não mesmo. - Falou ao chegar no camarim. - Rica? - Abri um imenso sorriso. - Bom, eu vou alí, fazer nada. - Falou a loura, se pondo a sair em disparada. Me levantei da poltrona em que eu estava e ele veio em minha direção, dei um pequeno sorriso e ele fez o mesmo, não parecia bravo ou chateado comigo, o que de uma certa forma me tranquilizou bastante. Quando já estávamos bem próximos, eu perguntei: - Não está mais chateado comigo? - Ah, no começo eu fiquei, você mentiu pra mim, Luna, e eu não gosto de mentiras. - Baixei a cabeça com as palavras do garoto. - Mas eu te entendo. E bom, eu não ligo se você é do futuro, do ano 1980 ou 1990… - É, por ai… - O que importa é que agora você está aqui comigo, e eu gosto de você, Luna. Gosto desde o dia que te conheci e eu não me imagino mais sem a garota mais linda e generosa que eu conheço. - Então… Ainda somos namorados? - Claro… - Abriu um imenso sorriso. - Quer dizer, se você ainda quiser ser minha namorada. - Claro que eu quero. Sorri e ele fez o mesmo. Nós dois nos aproximamos e quando estávamos quase nos beijando, Caro apareceu junto com suas amigas. A líder começou a destilar toda sua inveja, sério que a vida dela é me azucrinar? Por que ela não arruma outra coisa para fazer? Isso dela nos perseguindo o tempo todo já está chato. Rica a ignorou, e simplesmente me pegou pela mão me tirando dali. Nós dois fomos passear em um parque de diversões que estava na cidade e foi tão divertido, andamos em vários brinquedos, comemos pipoca, algodão doce, acho que fazia bastante tempo que eu não me divertia tanto assim. Mas o melhor de tudo foi saber que ele não estava chateado mais comigo e que tudo havia voltado a ser como antes, ah, isso não tem preço. (...) Eu estava em casa brincando com o Galileu quando Sebas entrou correndo, parecia que estava se escondendo de algo ou alguém. - O que houve? - Perguntei. - Eu estava trabalhando na lanchonete, e aí apareceram aqueles guardiões. - Falou meu irmão meio ofegante. - Martina e Márcio? - Martina e aquele outro lá, acho que se chama Victor. - E o que eles queriam? - Sei lá, mas suas caras não pareciam nada amigáveis. E eu que não sou burro de ficar lá parado esperando para ver o que eles querem comigo, larguei correndo. - Fez bem. - Falei meio pensativa. Ai, o que será que os guardiões do tempo queriam com o meu irmão? Será que ele havia aprontado algo? Bom, ele jurou que estava se comportando direitinho, e eu acreditava nele, mas… Ai, meu Deus! Será que era culpa minha? Será que eles descobriram que o Rica já sabe sobre os saltos no tempo? Não Luna, não surte por causa disso, eles não sabem de nada, vai ver eles queriam só fazer umas perguntinhas para ver se está tudo em ordem. Não, Luna, é óbvio que eles não iam perder o tempo deles vindo atrás da gente se não fosse algo importante. Nisto bateram à porta, fazendo Sebas, que estava encostado nela, se assustar dando um grito e um pulo de onde estava. - Quem é? - Perguntei. - Sou eu, Luna. - Falou uma voz que eu conhecia muito bem. Mais do que eu gostaria. - O que você quer, Márcio? - Quero conversar com você. Meu irmão pediu para eu não abrir e eu também estava com receio de atendê-lo, pois poderia ser uma armadilha, talvez Martina estivesse com ele o obrigando a fazer a gente abrir a porta. Mas o garoto me garantiu que estava sozinho e queria apenas conversar. Olhei para Sebas, que estava tremendo de medo, e abri a porta. - O que houve? - Luna, o que você andou aprontando? - O moreno perguntou ao entrar na casa do vovô. - A Martina está uma pilha de nervos, nunca a vi desse jeito. - Bom, digamos que o Rica já sabe que eu não sou dessa época. - Como é? - Sua expressão não estava nada amigável. - Você contou pra ele? Pirou, garota? - Bom, tecnicamente, ele meio que descobriu. O Rica viu a Angela saltar no tempo e eu não tive muito o que fazer, era isso ou deixar ele pensar que ela foi sugada pela tv. - Era melhor a segunda opção. - Disse meu irmão. - Bom, pelo menos agora não sou o único que fala demais. - Luna, eu não vou poder te acobertar pra sempre. - Disse Márcio ignorando a existência do meu irmão. - Você tinha que ter inventado alguma desculpa. Eu sinto muito, mas não vou poder te ajudar. A Martina e o Victor só vão parar de caçar vocês quando conseguirem levá-los para 2023. Droga, acho que tudo havia chegado ao fim, acho que era a hora de dar adeus para 1957 e para meus amigos, para Rica… Mas eu não queria, não era justo. - Márcio, já que não tenho escolha, deixa pelo menos eu me despedir dos meus amigos e do Rica. Só te peço isso. Era o meu último pedido, se eu teria que voltar para meu tempo, queria poder me despedir de todos antes disso, até porque acho que nunca mais voltaria a vê-los.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR