Em Busca De Stef

1076 Palavras
Luna Eu estava em meu quarto no maior tédio, havia esquecido como minha vida era monótona no presente. Peguei um caderno que estava em minha cama e abri, vi uma foto minha com Stef, era uma foto antiga, devíamos ter uns 7 ou 8 anos, mas eu não lembrava de ter vivido aquele dia, não sei onde aquela foto havia sido tirada. Sorri ao lembrar de minha amiga, e decidi ir vê-la. Assim que toquei a campainha de sua casa, aguardei ansiosa por alguns minutos, e então um homem alto, n***o, careca e de grandes olhos pretos, que eu nunca havia visto antes abriu a porta. - Oi. A Stef está? - Quem? Não tem ninguém com esse nome aqui. - Como assim? A Stef mora aqui desde sempre. - Se morava não mora mais, minha esposa e eu moramos aqui há cinco anos. - Quê? Mas como? Não, n******e ser. E então uma mulher alta, ruiva e de olhos castanhos apareceu na porta, logo deduzi que aquela fosse a esposa do homem. - O que houve, querido? - Por favor, me diga que você conhece a Stef? Ela morava bem aqui, nessa casa, e agora… - Desculpa, querida, não conhecemos. - Está bem, obrigada. - Falei bem decepcionada. Voltei a passos curtos para casa enquanto olhava para todos os lados na esperança de ver minha amiga, mas nenhum sinal dela. - Ah, Stef, cadê você? - Perguntei para mim mesma. Ao chegar em casa, corri para falar com mamãe, talvez ela soubesse o que aconteceu com minha melhor amiga daquela época, mas tinha medo de perguntar e descobrir que ela partiu dessa pra melhor, se bem que nunca entendi esse ditado, pois não acredito que lá em cima possa ser melhor, já que não estamos perto de quem amamos, mas enfim, isso não vem ao caso. - Stef? - Mamãe pensou por longos segundos. - Ah, lembro sim, vocês eram muito amigas, viviam juntas, não se desgrudavam. - E cadê ela? Onde ela está? - Querida, como assim? A Stef se mudou faz quase 6 anos. - Quê? Pra onde? Por quê? - Pelo que eu soube ela foi com a avó para outro estado logo após… - Logo após o quê? - Após vocês brigarem por… Eu não lembro o motivo, mas foi coisa boba, porém você estava brava e disse que não queria mais vê-la, então ela ficou triste e pediu pra avó para elas se mudarem, a Mercedes me falou sobre isso pouco antes delas irem para o Acre. - Falou mamãe. - Acre? - Perguntei incrédula. - Mas isso fica do outro lado do país. - Ah, eu não acredito nisso. - Sentei desapontada no braço do sofá. A tal Martininha apareceu na sala, ligou a TV e colocou em um canal chato de culinária, a TV estava em preto e branco e cheia de chuvisco, a garota mexeu nos cabos de trás da TV e tentou ajeitar a antena, fazendo aparecer um pouco de cor e os chuviscos sumirem, se sentou no chão perto do aparelho e ficou assistindo o apresentador ensinar algum prato culinário, que graça ela via nisso? - Por que você n******e ver desenho como uma criança normal? - Perguntei. - E quem disse que eu sou normal? Segundo o vovô, eu tenho um alto nível de QI para a minha idade, prefiro ver programas educativos do que desenhos bobos de criancinhas, que não me levarão a lugar nenhum, sem falar que eu quero ser uma grande chefe quando eu crescer para ter muito dinheiro e ajudar a mamãe, o papai e você e o Sebas também, aí vamos ter sempre o que comer, vou fazer cada coisinha gostosa... - Esfregou as mãos e lambeu os lábios. E definitivamente Martininha era uma versão feminina do Martin, pelo menos, na questão da inteligência. E sabem que ela até que era fofinha, me comoveu o jeito que ela falou que queria ser rica para ajudar a família, é uma pena que eu não possa ter o meu irmãozinho e ela também. Não Luna, nem se apegue nessa criança, ela não é sua irmã, mas… Será que não dá pra trocar o Sebas por ela? Viu guardiões do tempo, se quiserem, fica a sugestão. Bom, brincadeiras à parte, eu amava demais os meus irmãos e não os trocaria por ninguém, mesmo que fosse um ‘’ninguém’’ pequeno e fofinho. (...) Ouvi um barulho de porta abrindo e logo escutei a voz do meu irmão, me dirigi até o garoto, que parecia estar com um sorriso no rosto. - Oi irmãzinha. - Quem é você? E o que você fez com o meu irmão? - Ha, ha, ha, muito engraçado. - Falou de forma irônica. - Sabe Luna, você tinha razão. - Ok, agora conte algo que eu ainda não sei. - Cruzei os braços e fiquei encarando-o. Ele me olhou sério e em silêncio, descruzei os braços e fiquei aguardando o que ele queria me dizer, e então, Sebas falou: - Angela me fez uma surpresa hoje, me levou para comer no Meia Lua e fez meu prato preferido. Achei legal da parte dela. - Você está namorando a Angela? - Martininha perguntou se virando para a gente. - A Angela da nossa escola? - Fez cara de repúdio. - Ela é tão… tão...tão estranha. - Xiu, fica quietinha aí, que isso não é papo de criança. - Disse Sebas, fazendo a garota dar de ombros e voltar a olhar para a tv. Eu estava adorando ver meu irmão feliz e parecendo empolgado, por dez minutos ele até conseguiu parar de reclamar por não termos mais a mansão. Ah, queria poder estar contente como ele, mas eu não conseguia, Stef estava sei lá onde e eu queria tanto ter notícias do Ricardo, não sei se eu aguentaria ficar muito tempo sem vê-lo. (...) Eu estava na escola conversando com a Angela, até que ela estava bem mais legal que antes. Fomos na direção dos armários e então eu passei pelo que era do Ricardo, esbanjei um triste sorriso por lembrar dele, queria tanto saber onde ele está, como será que ele está em 2023? Será que é um velhinho legal ou rabugento? Ai, não consigo nem imaginar Rica com cara de vovô. Ah, se eu pudesse trazer ele e Mercedes para o presente… Assim estaria tudo perfeito, pena que isso infelizmente não é possível. Ah, Rica, cadê você?
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR