A Perseguição

1064 Palavras
- E está gostando da escola? - Me perguntou Ricardo enquanto caminhávamos pelos corredores do colégio. - Claro, eu estudo aqui desde pequena, adoro essa escola. - Como assim desde pequena? - Esbanjou uma reação confusa. - Hã… Digo… É como se eu estudasse desde pequena, porque já estou super familiarizada, parece que estudo aqui há anos. - Ah, entendi… - Luna. - Parou de frente para mim. - Quer sair comigo hoje à tarde? Mas dessa vez só nós dois, o que acha? - Eu adoraria. Sorri para ele, que me sorriu de volta, ficamos flertando um pouco até Carolina e suas discipulas aparecerem para estragar tudo. Caro me empurrou com a cintura, ficando de frente para Ricardo. Revirei os olhos enquanto tentava entender como ela poderia ser tão insuportavelmente insuportável, e como alguém assim conseguia ter amigas? Juro que eu não conseguia entender, mas não me admira que Ricardo tenha terminado com ela, quem aguentaria uma garota tão chata e cheia de mimimi? - Oi Ricardo, como você está? - Caro perguntou ignorando completamente a minha existência. - Estava bem. - Ele revirou os olhos. - E o que vai fazer hoje à tarde? - Bom, eu estava falando nisso com a Luna. A gente vai sair. - Ah, é? Mas você m*l a conhece. - Falou como se eu não estivesse escutando. - Sabe, eu sinto que eu conheço mais ela do que a você. Vamos Luna? - Vamos. - Falei ao encarar Caro, que parecia chocada com a fala do garoto. Ricardo e eu saimos caminhando em direção da nossa sala de aula, confesso que fiquei meio grilado com o que ele disse para aquela mala sem alça, pois ele não sabia tudo sobre mim, e eu até queria contar, mas como chegar pro meu crush e dizer ‘’olha, eu vim do futuro, do ano de 2023 e a qualquer momento eu posso ir embora e talvez a gente nunca mais se veja’’, acho que ele não acreditaria e pensaria que eu sou fugitiva de algum hospício. (...) Ricardo e eu fomos à tarde ao Boligrama a Go Go, que era um local onde se jogava boliche, eu nunca tinha jogado antes, mas ele super atencioso me ensinou e acho que levei um pouco de jeito, quer dizer, até o momento que eu fui jogar a bola e acabei levando um tombo. - Você está bem? Se machucou? - Esticou a mão para mim. - Não, estou legal. - Peguei na mão dele, que me ajudou a levantar. Nós dois estávamos tão próximos, eu conseguia sentir seu hálito, um hálito refrescante de hall´s, até podia ouvir seus batimentos cardíacos, e o que era aquele jeito dele me olhar? Eu m*l o conhecia, mas já sentia coisas que eu nunca havia sentido antes. - Não se machucou mesmo? - Me perguntou sem tirar os olhos dos meus. - Não. - Neguei com a cabeça enquanto o fitava. Ele sorriu e se afastou lentamente de mim, e seguimos o jogo como se nada tivesse acontecido, embora eu ainda estivesse morrendo de vergonha. (...) Quanto mais os dias se passavam, mais eu amava morar em outra época, ver como as coisas eram naquele ano, as roupas, os penteados das mulheres, os tipos de danças, até as lancherias eram diferentes, era tudo mais colorido, mais alegre, eu estava gostando muito mais de 1957 do que de 2023, até o presidente era mais suportável. No passado, eu tinha vários amigos, não que no presente eu não tivesse, mas era em menor quantidade e eu tinha até um quase namorado, e era a primeira vez que eu me interessava por alguém. Vovô estava super amigo meu e do Sebas, e era engraçado porque ele nos cuidava e nos protegia do mesmo jeito, ele era divertido, brincalhão e era meu conselheiro preferido, acho que aos poucos estávamos nos tornando ótimos amigos. E por falar nisso, Mercedes e eu já éramos melhores amigas, e ela me lembrava tanto a Stef, minha melhor amiga do presente, talvez por serem avó e neta, ah, saudade da Stef… Assim que cheguei em casa após sair com a Mercedes, eu me deparei com Sebas sentado no sofá, estava com seu celular em mãos, já vovô estava sentado à mesa lendo um jornal. - Oi. - Falei ao entrar. - Oi. - Me disseram ambos. - O que você está fazendo? - Me aproximei do meu irmão e o abracei. - Estava vendo umas fotos da Angela, tô com saudade da minha namorada. - Você tem namorada? - Vovô perguntou surpreso. - Só na imaginação dele. - Respondi. - A Angela nem sabe que namora com o Sebas. - Isso é apenas um detalhe. - Falou meu irmão seriamente. - É que ela ainda não conheceu meu lado sedutor. - Deu uma jogada de cabelo. - Esse lado existe? - Perguntei. Vovô riu da minha pergunta, enquanto meu irmão me olhou seriamente, mas logo falou: - É claro, irmãzinha. Basta as mulheres conhecerem esse meu lado, que elas não resistem. Me deu uma piscada de olho e saiu. Fiz sinal negativo com a cabeça, em seguida fiz carinho no Galileu, o Golden do meu avô e logo me dirigi para o meu quarto. Me joguei em minha cama e me pus a lembrar do Ricardo, o que será que esse garoto tinha que não saia da minha cabeça? (...) Eu estava na escola caminhando pelos corredores, quando avistei um rapaz jovem todo de preto, ele apareceu do nada e já foi logo gritando o meu nome, ele saiu correndo na minha direção, eu não entendi nada, nunca o tinha visto antes, mas sai correndo, algo me dizia que não era boa coisa. Sem querer, atropelei a Carolina, que gritou algum xingamento que eu não prestei atenção. - Foi m*l. - Gritei enquanto continuava correndo do tal garoto, que ainda estava atrás de mim. Logo que passei por Mercedes, ela me perguntou o que tinha acontecido, mas nem respondi e continuei correndo e esbarrei na Simone, a aliada da Caro, que estava com um copo d´água e acabou derramando a bebida em si. - Desculpa. - Gritei sem parar de correr. Eu olhava por todos os lados e não sabia pra onde mais fugir, então entrei na sala do laboratório de ciências e avistei três garotos assustados me olhando.
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