Me virei para trás e o vi ali parado, mas não… Não podia ser. Como?
- E quem é você? - Perguntou o ruivo.
- Sou o namorado dela. - Falou me pegando de surpresa. - E se você não soltar a minha namorada agora eu vou partir ao meio isso que você chama de cara.
O garoto olhou para o moreno e depois para mim, pude ver fúria em seu rosto, olhei para meu braço que ele ainda estava segurando, e bruscamente, ele o soltou. Nos deu uma última olhada e foi embora.
- Você está bem? - Perguntou ao se aproximar de mim.
- Márcio? O que você está fazendo aqui?
- Ah, eu estava te vendo lá da central do tempo, e achei que você pudesse estar em perigo.
- Obrigada, não sei o que faria se você não tivesse aparecido.
- Tenho certeza de que você daria um jeito, mas… Resolvi te dar essa força.
- Valeu. Mesmo.
- E como você está?
- Ah, Márcio… - Me sentei novamente no banco e ele se sentou ao meu lado. - Eu sinto como se eu não pertencesse a esse mundo, sabe? Engraçado… Mas acredita que eu prefiro passar o resto da minha vida sem tecnologia do que…
- Do que aqui?
Acenei a cabeça positivamente e fiquei cabisbaixa. O silêncio se fez presente, senti como se Márcio não soubesse o que dizer, ele se aproximou de mim e eu segui olhando para o chão.
- Eu nunca passei por isso, Luna, mas entendo o que você deve estar sentindo, mas… Aqui é a tua realidade, é aqui que você deve e precisa ficar, 1957 não é a tua época e lá você pode bagunçar…
- A linha temporal. - O interrompi. - Eu já sei. Márcio, como está o Ricardo?
- Ele está bem, Luna.
- Você jura?
- Juro!
- Ah, como eu queria… Ah, nada. Você não entende. - Me levantei. - Melhor eu ir. Mas obrigada. De verdade. E… foi legal te ver, apesar de tudo.
Fiz menção em sair.
- Luna…
Me virei novamente para o garoto, que ainda estava sentado no banco e continuava a me olhar.
- Se cuida para eu não precisar te salvar de novo. - Deu um leve sorriso.
- Pode deixar. - Dei um sorriso de canto de boca e fui embora.
(...)
Procurei meu celular que eu havia guardado, mas não conseguia encontrá-lo, será que mamãe ou papai tinham o encontrado? Ai, se fosse isso eu estaria lascada.
Enquanto eu continuava procurando, Sebas entrou no quarto.
- Sebas, você podia bater à porta, né? Eu podia estar trocando de roupa.
- Eca! - Fez cara de repúdio. - Pode ter certeza que me lembrarei disso da próxima vez.
O ignorei e segui buscando pelo meu celular, não encontrava-o em nenhum lugar, havia desaparecido.
- Está procurando isso?
Olhei para meu irmão que estava com o meu celular na mão.
- Ai Sebas, eu estava procurando feito louca. Por que você pegou?
- Preferia que fosse os nossos pais? Eu te salvei, irmãzinha, você deveria pelo menos agradecer, né? - Deu uma leve jogada de cabelo.
- Obrigada. - Falei ao pegar meu celular da mão do meu irmão.
- Vê se cuida melhor das suas coisas.
- Tchau.
O empurrei até ele sair do quarto, então fechei a porta. Deitei na cama cautelosamente, pois tinha medo de me mexer muito e ela acabar quebrando, pois um mínimo movimento e ela já fazia um barulho tremendo.
Entrei em meu f*******: para ver se Stef havia respondido minha mensagem, logo notei que ela estava on line e…
''Ela me respondeu!'' - Pensei em voz alta.
Abri a mensagem, que dizia:
‘’Oi. Desculpa, mas não lembro de você, nos conhecemos?’’
Ah, ótimo, ela nem tinha ideia de quem eu era, que beleza! Era tudo o que faltava, será que essa realidade tinha como piorar? Não, melhor eu nem cogitar essa hipótese, porque vai que alguém escuta e diz ‘’sim, tem como piorar, quer ver?’’
Mandei duas fotos nossas na infância,, e ainda coloquei:
‘’Lembra agora?’’
A resposta veio em seguida.
‘’Ah, lembro sim, desculpa, é que faz tanto tempo. Mas relaxa, eu não estou chateada com você. Não mais.’’
Acabei esbanjando um pequeno sorriso por ela não estar chateada comigo, e logo já fui lhe perguntando se ela ainda estava morando no Acre, e para minha tristeza, ela respondeu que sim. Então, acabei tendo uma ideia, sugeri de fazermos uma chamada de vídeo, assim seria melhor para conversarmos, e poucos minutos depois, ela respondeu dizendo que poderíamos fazer, sim, o que foi motivo de alegria para mim.
Horas mais tarde, Stef e eu fizemos a nossa chamada de vídeo, e ela estava igual como antes, continuava tão bonita, saudade da minha amiga. E embora ela tivesse conversado numa boa comigo, a senti meio fria e distante, não era como antes, talvez pelos anos que se passaram pra ela e que ficamos sem nos falar.
Até que a conversa foi boa, ela me contou o que esteve fazendo ao longo desses anos que não haviam passado para mim, e eu inventei algumas coisas também.
Logo Mercedes apareceu para falar algo com Stef, senti uma sensação tão boa ao vê-la, lembrei de cada momento que passamos juntas.
- Quem é essa sua amiga, querida? - Perguntou Mercedes para a neta.
- É a Luna, éramos amigas quando pequenas, lembra dela, vó?
- Luna? - Pensou por um instante. - Ah, claro, como não. Tudo bem, Luna?
- Tudo sim. - Falei meio sem jeito.
Queria poder lhe perguntar sobre o Ricardo, tinha tanta v*****e de saber sobre ele, mas assim como vovô estranhou a minha pergunta, ela também iria estranhar, até porque eu não podia dizer ‘’ah, é que eu fui ali em 1957 só para dar uma voltinha e ver o movimento, aí eu conheci o Ricardo e me apaixonei por ele, mas agora já estou de volta, e aí, como ele está?’’, ninguém acreditaria em mim, pensariam que sou alguma louca.
Ah, Rica, como será que você está?