James conseguiu para nós um hotel muito bom e com uma vista maravilhosa do Lago St. Clair. O Quarto era imenso e quase pensei em trazer comigo uma das recepcionistas para estrear. A garota abriu três botões da blusa quando falei que ia ficar sozinho na suíte que os outros quartos eram para meus guardas pessoais.
-O senhor precisa de algo mais de mim?
-Porque? Onde você vai? -perguntei a James.
-Vou providenciar tudo que vamos precisar daqui. Primeiro conseguirei informações das pessoas próximas a Catarine Hardly.
-Certo, muito bom. Faça isso.
Quase como uma deixa, na Tv estava Catarine Hardly em uma reportagem.
“ A empresa de transportes marítimos Soul, atualmente comandada por Henry Soul, está sob investigação após diversas denúncias de Tráfico Infantil. Cerca de três meses atrás três pessoas sofreram acidentes graves de carro morrendo na hora. No entanto após investigações minuciosas foi descoberto que os freios do carro das vitimas havia sido cortado. A policia decidiu então investigar o advogado representante. Andrew Parker e encontraram um pen drive parcialmente queimado em sua lareira. A policia ainda investiga se tratou-se de um acidente ou queima de arquivo”
-Ela é corajosa. -comentei enquanto encarava aqueles olhos inteligentes. -Essa coragem toda vai acabar matando-a. -Suspirei com a ideia. Seria uma pena alguém tão inteligente e corajoso morrer em busca da verdade.
Foi muito fácil me aproximar do círculo particular de Caleb Gordon.
Tudo que precisei foi comprar um quadro por meio milhão de dólares e lá estavam os maiores magnatas de Detroit me convidando para um jantar beneficente.
Taylor Brum, foi o primeiro. Pelo que compreendi ele era dono de uma rede de Shoppings Centers e era amigo de Erikson Dust. O CEO da CSC News, a emissora de TV para qual Catarine trabalhava. Era tudo perfeito demais.
-James, preciso que consiga uma planta da emissora, preciso saber onde estamos pisando. -pedi enquanto comprava um terno para o tal jantar beneficente.
-Já providenciei senhor. -ele mostrou no computador a planta do prédio.
-Então é só uma emissora comum… Achei que Caleb poderia usar para esconder alguma vítima, mas só usa para emitir notícias sobre os desaparecidos.
-Sim, essa emissora costumava ser muito influente quando o Detetive Hardly a comandava, ele publicava casos não solucionados e notícias sobre desaparecimentos.
-Deixa eu adivinhar… Isso fez ele se assassinado e a emissora passou por uma nova direção?
-Exatamente senhor.
-Tão previsíveis. -suspirei. -E o nosso informante na polícia. Como está indo?
-Ele está muito feliz em compartilhar informações conosco e já nos deu uma lista dos policiais envolvidos com Caleb Gordon.
-Acho que o tal do Caleb é meio mão de vaca. É muito fácil comprar o pessoal dele.
-Na verdade senhor, acho que estão cansados do risco. Ele está agindo muito descaradamente.
-Isso é verdade. Lembra daquela família em Boston? Qual era mesmo o nome? Hills? Eles tinham aquela rede de prostituição.
-Lembro sim, só foram descobertos porque uma das moças que trabalhava foi machucada e ninguém a defendeu. Então ela entrou todos.
-Sim, o líder, Terry Hills era um cara legal, mas não cuidava dos seus.
-Por isso o senhor nunca se envolveu com prostituição?
-Eu sou contra machucar uma mulher. -ajeitei a gravata. -Para eu machucar alguma mulher eu teria que ter um motivo muito importante.
Saímos para o tal jantar beneficente e eu estava ansioso para conhecer Catarine. Parte de mim sabia que ela poderia ser como muitas mulheres que conheci e se apaixonavam pelo meu dinheiro, mas vê-la tão determinada em sua reportagem fez outra parte duvidar.
Lembrei-me novamente que independente do tipo de mulher que ela fosse, eu não poderia me envolver com ela tão profundamente. Na família meu pai sempre deixou claro uma regra. Ou você fica com alguém da família ou morre sozinho. Não podemos trazer alguém que tem uma vida perfeitamente segura e normal para um círculo tão perigoso.
As mulheres que cresceram dentro da família já sabiam se defender e sabiam manter-se segura. Agora uma pessoa de fora jamais conseguiria lidar com a ilegalidade das nossas ações ou com o fato de que a qualquer momento poderia levar um tiro de alguma família rival.
O carro dos meus homens chegou primeiro, e todos fizeram fila para que eu descesse. Quando eu desci os ricaços me olharam com interesse e empolgação me senti uma celebridade.
-Sr. Armstrong! -olhei para o lado e vi um homem quase careca se aproximando. Estava acima do peso e seu terno parecia apertado. -Ouvi muito falar do senhor, sou Erikson Dust.
-Muito prazer. -apertei a mão do homem que me permitiria me aproximar de Catarine.
-Vamos entrar, não repare muito minha emissora é muito simples.
-Que isso… -entrei no prédio e reparei que era belíssima por dentro. -O senhor que administra uma emissora tão grande sozinho?
-Ah, bem… -ele parecia ficar sem graça. -Tem a diretora executiva… Somos tipos sócios…
-Ah é ? Ela estará aqui hoje?
-Sim, estará aqui sim! -ele animou-se novamente. -O senhor vai se dar muito bem com a Catarine. Ela é muito boa no trabalho.
-Imagino que sim. -respondi, mas vi que vários ricaços reviraram os olhos com a menção do nome dela.
-Não sei se é uma boa ideia apresentá-la ao senhor. -Um dos homens comentou e a rodinha começou a rir concordando.
-Porque não?
-Ela pode tentar arrumar algum motivo pra você ser investigado. -todos riram. -Aquela ali acha que todo rico é corrupto e sempre nos envolve em alguma investigação maluca.
-É mesmo? -arqueei a sobrancelha achando aquilo tudo muito divertido.
-Você acredita que ano passado ela me acusou de jogos ilegais? -ele riu indignado. -Se não fosse a competência da nossa polícia, só Deus sabe oque seria da minha empresa.
“Competência, ele quis dizer corrupção” -pensei enquanto bebia um gole de champanhe.
Acho que Catarine tem um faro para coisas erradas, então muito provavelmente vai se manter em alerta comigo.
Andei entre vários ricaços ouvindo suas opiniões e seus planos. James tinha razão, todos ali eram muito descarados quando o assunto era os negócios clandestinos. Só naquela noite conheci o chefe de polícia que era comprado e diversos políticos que estavam envolvidos em diversos esquemas, desde jogos ilegais até prostituição.
As conversas ficaram mais baixas e o clima no salão ficou tenso, olhei em direção da porta e entendi imediatamente o porquê.
Catarine estava chegando. O som de seu salto alto era o único que podia ouvir de longe, e eu percebi que apesar de todos a odiar, ninguém ali conseguia desviar os olhos dela.
Estava com um vestido preto colado ao corpo. Ela tinha as curvas nos lugares certos e aquele vestido a deixava ainda mais bonita. Enquanto andava pude ver o brilho de algo em sua coxa e quando identifiquei o que era, sabia que tiraria aquilo nos dentes.
-Ah, lá está ela! -Erikson sorriu animado.
Catarine não olhava para os lados, nem para baixo ou para cima. Ela olhava para frente. Todos a encarando com ódio, desdém, mas desejo. Ela parecia desfilar no meio de serpentes e sabia disso. O cabelo estava cacheado e preso apenas a metade. A maquiagem destacando o verde-escuro de seus olhos.
Ela estava perfeita e parecia saber disso.
Dentro de mim, havia uma disputa. Parte de mim insistia que eu só poderia pegar as informações e sumir, mas a outra parte. A vencedora queria aquela mulher para mim independente de qualquer regra da família.
–Catarine! Venha cá, venha cá! -Erikson acenou animado. Ela desfilou em nossa direção, aproveitei que o garçom estava passando e peguei uma taça de champanhe para ela.
-Boa noite. -nossos olhos se encontraram e eu pude imaginar aquela mulher maravilhosa e deslumbrante nua e suada em cima de mim.
-Aceita? -ofereci estendendo a taça. Eu sabia que ela sentiu a mesma tensão por mim, pois suas pupilas se dilataram quando nos vimos.
-Obrigada. -ela tocou minha mão levemente e senti um choque passar por nós. -Ai. -ela me encarou surpresa quando a taça caiu espalhando champanhe pelo chão.
-Acho que nossas estáticas estão diferentes. -comentei casualmente sorrindo um pouco.
-Está tentando mostrar que é intelectual? -ela questionou arqueando a sobrancelha.
Imaginei que vários homens devem utilizar diversas formas de cantada com ela.
-Só se estiver funcionando. –Respondi divertido.
Ela riu e eu soube naquele momento que ela seria minha.