Capítulo 04

729 Palavras
Flávia Ribeiro Quando chegamos na loja de Elisa, Rick foi para o provador masculino e eu fui recebida por Sophie e Lara. Elas me abraçaram, senti falta das minhas amigas. — Como foi a viagem? — Soph perguntou. — Tranquila, desculpe o atraso. — Estava quase indo te buscar, você nunca se atrasa. — Estou tão cansada, acho que depois daqui vou dormir a tarde toda. — Aproveita porque semana que vem vamos ter compromisso quase todos os dias. — Lara falou, enquanto experimentava o seu vestido. — E como estão os preparativos para o casamento? — Perguntei. — Tudo encaminhado. É uma loucura equilibrar trabalho com o planejamento do casamento. De verdade, só quero que tudo acabe e que o grande dia chegue logo. Só quero chamar Elisa de esposa.— Soph desabafou. — Quase decidimos fazer uma pequena cerimônia e sair para a lua de mel, mas conhecemos tantas pessoas. A Elisa é famosa e tem tantas marcas querendo patrocinar a cerimônia. É tudo muito glamouroso e exposto, ainda não me acostumei. — E você já conversou com ela sobre isso? — Perguntei. - Sim. Não é o melhor cenário, mas sei que eu e Elisa vamos fazer funcionar. Elisa entrou na sala assim que sua noiva terminou de falar. Ela queria mostrar o vestido que Renata estava usando. A morena tinha mudado um pouco, seu cabelo estava maior e o corpo mais esbelto, talvez até demais. Seus olhos me encaravam com surpresa, fazia um tempo que não me sentia tão desconfortável. Desviei o olhar para qualquer coisa que não fosse ela. Renata foi a única pessoa que despertou tantos sentimentos contraditórios em mim. Ela me deixou tão à vontade, que soube mais da minha vida do que muitos amigos próximos. Sentia que podia contar qualquer coisa para ela, como se já a conhecesse há muitos anos. Senti empatia por ela desde a primeira vez em que conversamos naquela tarde com os nossos amigos na praia. Mas eu não podia ter me enganado mais ao seu respeito. Ela não era confiável e agiu pelas minhas costas. Sabia que em algum momento iríamos nos reencontrar, mas decidi que o melhor era ignorá-la. Não queria nem ter que dividir o mesmo espaço com ela, imagina conversar. A mulher de Soph veio em minha direção e me abraçou. Ela era tão expressiva e calorosa. Elisa teve o meu apoio desde o início, ela era perfeita para Soph. Depois de sair de um relacionamento tóxico e desastroso, tudo o que minha amiga precisava era de alguém que a respeitasse e a amasse de verdade. A estilista, era sem dúvidas uma das melhores pessoas que eu já tinha conhecido. Ela despertou um lado em Sophie que eu nunca tinha visto. Com ela, minha amiga era protetora, apaixonada e intensa. mesmo distante nesses últimos meses, pude acompanhar o quanto elas se dedicaram a relação. Elas conseguem fazer qualquer coisa dar certo. Por isso, amei quando me chamaram para ser madrinha do seu casamento. O tempo que levei para colocar o vestido, foi suficiente para pensar em momentos que gostaria de esquecer. m*l voltei para o Rio de Janeiro e já estava sendo bombardeada por lembranças indesejadas. Tudo culpa daquela mulher intrometida. Tentei me manter o mais presente possível para entender o que minhas amigas estavam falando, mas só a presença de Renata a poucos centímetros de mim, me deixava com raiva. — E você, Flávia? — A pergunta de Soph me fez voltar para a realidade. O que ela queria saber mesmo? Lembrei, era sobre o vestido. Foco Flávia, foco. — Vocês não acham que esse decote está muito profundo? — Falei a primeira coisa que veio à minha mente. A verdade é que não conseguia me concentrar em nada. — Você está perfeita. Surpresa, olhei para Renata. — Digo, tá legal. Pensei em elogiar o seu vestido, que estava maravilhoso. Era tão delicado e combinava com os seus olhos. No fim, fiquei em silêncio. Decidi experimentar outras opções. Quando voltei para a sala, Renata não estava mais lá. Era melhor assim, ela fazia com que eu pensasse demais. Não estava disposta a perder o meu tempo pensando nela. — Sei que está cansada, mas podemos almoçar juntas depois daqui? O Rick também vai. — Claro Soph, senti muito a falta de vocês. — Ela me abraçou, era bom estar em casa novamente.
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