A diversão de Adrian evaporou. O sorriso sutil que m*l tocava seus lábios se contraiu, substituído por uma frieza c***l que congelou o ar. Ele a encarou, os olhos escuros perfurando Celine, vasculhando-a. Toda essa imagem de bêbada inocente é só para esconder uma mulher fria e calculista, pensou, a mente fervilhando em um redemoinho de desprezo. Capaz de qualquer coisa por dinheiro. Exatamente como Maura.
Maura. O nome era um veneno, um ácido corroendo suas entranhas. A mulher que se fingiu de amiga de sua mãe, apenas para roubar seu marido. Adrian viu a mãe definhar lentamente, seus olhos perdendo o brilho enquanto o pai levava a amante para a cama. Ela desistiu de viver, deixando-o aos cuidados de um pai ausente e uma madrasta que o queria morto. A raiva, um monstro adormecido, despertou em seu peito, rugindo. Celine era igual. Uma alpinista social. Uma parasita.
“Hey, você! Estou falando com você, bonitão! Quer comprar?”
A voz arrastada de Celine o trouxe de volta à realidade. Ela gaguejava, dando alguns passos incertos para frente, a audácia misturada ao desespero. “Eu sou a virgem Celine. É um bom negócio, bonitão. Qual o seu nome?”
Adrian recuou um passo, o nojo evidente em cada fibra de seu corpo. Ele cuspiu seu nome, Adrian, como uma ameaça, como se ela, uma bêbada i****a, devesse tremer diante do mais c***l CEO da cidade. Todos ali, nas sombras da noite, sabiam: Adrian não era uma pessoa com quem se brincava. A prova disso era a forma como ele tinha se vingado da madrasta e do próprio pai, tirando a vida deles de uma maneira lenta e dolorosa. Mas Celine, alheia ao perigo iminente, encorajada pela bebida e pelo abismo do desespero, avançou mais um passo.
Adrian, porém, a empurrou para longe com uma força que a fez cambalear. O nojo transbordava em sua voz. “Como imaginei. Uma v***a como você não tem nada que possa me oferecer.” Sem esperar pela resposta, ele se virou, decidido a ir embora.
Celine o encarou, o corpo paralisado pelo choque. A última chance. A única saída. Adrian, a salvação e a perdição, estava partindo. A imagem da mãe, o hospital, o vazio – tudo a impulsionou. Decidida a não permitir que ele fosse, ela se levantou. As pernas tremeram, mas a vontade era mais forte que o medo. Correu.
Adrian se virou ao som dos passos apressados. E então, o inesperado aconteceu. Celine o beijou.
Um choque elétrico percorreu o corpo de Adrian. Ele ficou parado, rígido, sem corresponder. Sentiu a língua atrevida dela tentar adentrar sua boca, hesitante, mas com uma determinação surpreendente. E para sua surpresa, seu corpo reagiu. Uma ereção, dura como pedra, dolorosa, pulsou em suas calças. Raiva. Pura raiva. Ele rosnou, um som gutural que m*l escapou de sua garganta. A língua dela, então, ousou mais, invadindo sua boca.
Adrian não ia dar a ela o que queria. Ia dar a ela o que ela pediu, mas transformaria aquilo em uma punição. Ele a puxou com firmeza contra seu corpo, suas mãos grandes apertando a cintura dela. Tomou o controle do beijo para si, a boca dominando a dela com uma ferocidade que a fez gemer. Suas mãos percorreram o corpo dela, descendo pelas costas, apertando as nádegas, sentindo cada curva. O gemido dela se aprofundou em sua boca, um som de rendição e medo.
Então, ele a afastou. Ofegante. Os olhos escuros, perigosos, fixos nos dela. A raiva ainda ali, mas misturada a um desejo que o irritava profundamente.
“Vou comprar sua virgindade”, Adrian disse, a voz rouca, cortante. “Mas vou fazer com que se arrependa disso. Ainda está interessada em vender?”
Na mente anuviada pela bebida, um raio de lucidez cortou o torpor de Celine como uma lâmina afiada. O medo veio em ondas, apertando o peito. O que eu estou fazendo? Isso é loucura. Ele é perigoso, um predador. Seus olhos se arregalaram, o corpo congelando no asfalto frio, o ar noturno úmido grudando na pele. Adrian, impaciente, cruzou os braços sobre o peito largo, o olhar afiado como uma navalha.
“Decide logo. Não tenho todo o tempo do mundo só para comer uma buceta.”
Celine deu um passo para trás, as pernas bambas, o coração martelando como um tambor de guerra. Adrian bufou, um som baixo e irritado, e pegou o celular do bolso interno do paletó. Digitou algo rápido, os dedos voando na tela iluminada. Virou o aparelho para ela, os números piscando em verde: um valor que cobria seis meses de tratamento no hospital para a mãe, com sobra generosa para alugar um quarto simples e recomeçar do zero. Sem pensar mais, o desespero engoliu o medo. Pela mãe. Só pela mãe.
“Vendido.”