A ligação chegou no fim da tarde, enquanto Marco estava sozinho no escritório. O número era de um dos seus seguranças pessoais — discreto, eficiente, e pago para não errar. Marco atendeu sem dizer uma palavra. A voz do outro lado veio precisa: — Eles estão aqui. O garoto. Khaled. E Eva. Silêncio. — Onde? — Central Park. Próximo ao lago leste. Estão num piquenique. Estão juntos. A mandíbula de Marco travou. Ele desligou sem responder. Levantou da cadeira como se o ar no ambiente já não fosse suficiente. Pegou o paletó, jogou sobre o ombro e saiu. Sem dar explicações, sem falar com ninguém. O carro o esperava, mas Marco decidiu ir dirigindo. Precisava sentir o volante nas mãos, precisava de algo para conter o caos que crescia dentro dele. No trajeto, os pensamentos vinham em espiral

