Eva ajustava o vestido com movimentos lentos, quase meticulosos. Os dedos alisavam o tecido com firmeza, como se isso fosse suficiente para apagar o que acabara de acontecer. Por fora, exibia postura impecável: queixo erguido, olhar frio, passos controlados. Mas por dentro… Por dentro, tremia. O gosto de Marco ainda estava em sua boca. A força das mãos dele ainda marcava seus pulsos. A pele ainda ardia onde foi tocada. Eva podia repetir mil vezes que foi escolha. Que cedeu porque quis. Mas, no fundo, sabia que estaria mentindo se dissesse que teria conseguido resistir. Não conseguiria. Nunca conseguiu. Marco era o limite entre tudo que odiava e tudo que desejava com uma intensidade que machucava. Atrás dela, ele acendia um charuto. O rosto estava impassível, como se o que acabara de

