Capítulo 56 AYLA NARRANDO Saí do hospital sentindo o meu corpo pesado, a minha cabeça latejando e um nó se formando no meu estômago. Não queria pensar no que tinha acontecido, não queria lembrar de nada da última noite, mas meu corpo fazia questão de me lembrar com cada dorzinha insistente. Suspirei fundo e olhei para o lado antes de atravessar a rua. Não podia vacilar agora. Andei até a farmácia com a cara mais neutra possível. Não queria que ninguém me notasse demais. Amarrei o meu cabelo num coque e entrei no lugar, sentindo o cheiro forte de remédios e álcool misturados no ar-condicionado gelado. Fui direto no balcão e me inclinei levemente. Ayla — Uma pílula do dia seguinte. A atendente, uma mulher de uns trinta e poucos anos, me olhou com aquela cara de quem já sabia exatame

