Algumas coisas na vida não podemos controlar, como o tempo e o destino. As vezes nos perguntamos se realmente aquilo estava destinado a acontecer, podem ser coisas boas e ruins mas todas são surpresas e surpresas acompanhadas ou melhor embargadas por outros sentimentos que estão em extremos diferentes conforme o tipo da mesma. O que aconteceu naquela manhã foi uma baita dor de cabeça e uma dessas coisinhas que nos deixam abismados, aflitos, preocupados e com dor no peito.
O sol estava alto e eu havia acordado a algum tempo, estava tentando ficar quieto para que a dor de cabeça passasse consequência da noite anterior, eu não havia bebido muito mas foi o suficiente para que minha cabeça latejasse essa manhã. O telefone tocou estava com preguiça de atender e deixei tocar algumas vezes e na terceira resolvi ver o que era, ouvi a voz de Claire estava chorando e eu não entendia absolutamente nada, isso me causou uma certa agonia.
– Claire fica calma e me fala o que está acontecendo, por favor eu estou preocupado – disse a ela já saindo da cama, segurei o celular na orelha com o ombro enquanto vestia uma calça.
– Nicolas...O Diego... (soluços)...sofreu um acidente...
Nesse momento o chão sumiu e eu tive que sentar para que eu pudesse absorver aquelas informações.
(Flashback)
Estava Blaine, Claire e eu. Nós brincávamos na rua da minha casa, minha mãe era bastante amiga da mãe dos meus amigos, pois ela vendia alguns produtos de beleza isso era a causa da minha casa viver cheia de mulheres que levavam os filhos pra brincar comigo, era o que acontecia com a mãe de Claire e também porque minha mãe e a dela estudaram juntas e no caso Blaine era meu vizinho e isso nos tornou o trio de melhores amigos, Claire no grupo só porque ela era diferente das outras meninas, ela jogava bola com a gente e brincava do que a gente gostava, claro que as vezes tínhamos que brincar de casinha com ela mas só as vezes.
Naquele dia foi diferente, para dar os times precisávamos de mais gente, mas os que conhecíamos estavam todos ocupados, mas paramos de discutir quando um garoto grande parou perto da gente, ele tinha os cabelos cacheados e um sorriso grande.
– Hablo español e ustedes?-vish o garoto não fala nossa língua e agora?Vi a cara de espanto dos meninos, nos entre olhamos.
– Estou brincando com vocês que cara é essa?
A gente respirou aliviado e rimos muito, isso fez com que o garoto automaticamente entrasse na nossa turminha, se apresentou como Diego o garoto neto de argentinos e que sabia muito bem espanhol ele ia morar na rua de trás, então nós encontramos sempre naquela rua crescemos juntos, compartilhando todas as aventuras na escola e fora dela, eu não tinha irmãos de sangue naquela época mas eu ganhei três, porque sempre estavam do meu lado nos momentos bons e ruins.
(Flashback)
– Espera você está falando sério? Não acredito como aconteceu cara? Ele está bem?
falei já com a voz embargada e andando de um lado para o outro, algumas lágrimas escorreram em meu rosto só de imaginar que ele não estaria bem.
– Estou, ele estava bêbado, eu pedi pra ele pegar um táxi mas ele foi teimoso e pegou o carro... -ela chorou bastante no telefone e eu também, estava com o coração doendo não sabia o que fazer - ele estava correndo muito e foi desviar de uma caminhonete e capotou o carro, ele só não morreu porque desviou e bateu em uma cerca amortecendo de certa forma o impacto do carro, mas ele parece estar muito m*l, parece que teve várias fraturas.
– Ei, fica calma por favor, ele vai ficar bem, estou indo ai agora, me espera, já avisou o Blaine? - nem sei de onde tirei força pra falar, na verdade eu estava desmoronando por dentro e com muito medo de que acontecesse o pior.
– Não ainda não, somente nós e os parentes que estão sabendo do acidente e vem logo por favor eu preciso muito de você. - ela disse chorando mais uma vez. Claire sempre foi mais madura e sempre é ela que a gente procura quando está com problemas, foi ela que sempre cuidou de nos três.
– Então por favor avise ele, precisamos estar juntos e dar forças a tia Mônica nesse momento - eu disse já descendo, não havia ninguém naquela casa então só sai tranquei tudo e peguei um táxi o mais rápido que eu pude.
O grande hospital branco e vermelho ficava em frente a uma lanchonete em uma das principais ruas da minha cidade, era longe e nem sei como havia chegado tao rápido. Eu me sentia extremamente apreensivo, muito m*l pelo meu amigo, era um misto de medo, ansiedade e tristeza.
Entrei no hospital tinha uma grande sala de espera, era um local bastante sofisticado, havia poltronas confortáveis onde me sentei, esfregava constantemente as mãos nos braços da poltrona, vários médicos e enfermeiros passavam por ali, eu não tinha parado pra pensar que minha mãe trabalhava nesse hospital, fiquei atento a quem passava e logo vi aquele rosto familiar. Ela estava com um rosto de compreensão, meu rosto devia estar péssimo, logo a abracei forte.
– Mãe ele está bem?-perguntei já não suportando mais.
– Ele está em um estado complicado meu filho, mas ele vai ficar bem, eu sei que vai.- ela disse me abraçando ainda mais forte.
– Me leve até ele por favor. -lhe pedi com as primeiras lágrimas escorrendo.
– Vou te levar até lá, vem comigo -ela me puxou pelos corredores brancos até chegar em um quarto onde entramos. Diego estava em uma cama tinha várias feridas em seu rosto seu braço e perna estavam engessados,a tia Mônica estava sentada junto a Claire e Blaine havia chegado, ele estava escorado na janela, os olhares se voltaram a mim, logo os abracei, um por um.
– Como ele está? - perguntei.
– Ele está de certa forma bem, só que está em coma, maioria da culpa é da bebida, os médicos falaram que ele logo irá acordar, ele fraturou a perna o braço e uma vértebra mas nada que comprometa seus movimentos. - a mãe dele nos disse.
– Ainda bem, fico mais aliviado. -disse suspirando.
– Obrigado meninos por estarem com ele nesse momento
Mônica nos agradece.
– Ele sempre poderá contar com a gente pra tudo. -Blaine falou e nos concordamos.
Já se passava das onze horas quando saímos do hospital eu e meus amigos estávamos um pouco mais aliviados por ele estar relativamente bem e com esse alívio a fome veio junto, comemos na lanchonete que ficava próxima e seguimos para a casa com o coração mais leve, mas não deixando a preocupação de lado no fim minha mãe estava certa se eu tivesse vindo com ele eu também estaria naquele estado, ela sempre diz que não se pode misturar bebida com direção, quase perdemos um amigo por isso. Cheguei em casa cansado subi pro meu quarto e só deitei na minha cama, já era uma hora e meia da tarde e eu somente apaguei.