Fome de Mar

1038 Palavras

Narrado por Antonella Bellini A madrugada ainda morava no céu quando deixei a casa. Minhas pernas se moviam sozinhas, como se o corpo soubesse antes de mim onde precisava estar. A inquietação era um bicho preso sob a pele. Eu precisava respirar. Precisava... sentir. A areia estava fria sob os pés descalços. A brisa do mar, cortante. O mundo dormia — menos eu. Menos o desejo que me roía por dentro. E então ele surgiu. Do mar. Como um animal noturno. A água escorria por seu corpo nu, marcado por músculos tensos, tatuagens e pecado. Os cabelos molhados grudados à testa. As gotas escorriam lentamente por sua clavícula até desaparecerem no ventre. Meu ventre aqueceu junto. Ele me viu. Parou. E me esperou. Caminhei até ele como quem caminha para o abismo. Lenta, faminta, sem medo. A

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