Aquele não era exatamente o tipo de fotografia com a qual eu sempre sonhei trabalhar, mas os estágios eram assim. Tudo o que importava era a experiência que eu poderia adicionar ao meu currículo mais tarde. A gente dificilmente começava a vida profissional de onde desejava. Então hoje eu teria que ser assistente de um fotógrafo de modelos e amanhã eu poderia fazer da minha fotografia uma arte a ser apreciada. Apesar de todos os meus ideais — no final desse dia em particular — eu simplesmente senti que aquele era o lugar onde eu devia estar. Exatamente naquele dia e exatamente naquele horário, com aqueles modelos, ou melhor dizendo, com aquele modelo em específico. Park Jimin.
Eu nunca fui de dar muita atenção para as revistas de moda. Se fosse esse o caso, eu teria conhecimento de quem ele era desde o começo, mas quando o meu superior me disse que eu ia ajudá-lo a fotografar um modelo famoso e falou o seu nome, eu não fazia a menor ideia de quem se tratava. Ele até me aconselhou a esconder esse fato, me disse que talvez fosse ofensivo, já que era inacreditável que alguém não conhecesse o tal Park. Segundo ele, só de andar por Seoul você podia ver o seu rosto estampando em várias propagandas e — também segundo ele — a beleza de Jimin não era algo que se deixava passar despercebido. Se era desse jeito, eu seguiria as suas instruções. Eu assenti para ele e carreguei o material que usaríamos, lhe seguindo pelo enorme estúdio.
Eu nunca fui de prestar muita atenção às milhares de propagandas que cobriam os centros de Seoul. Eu era mais o tipo de pessoa que gostava de sentar no parque e ler os livros da faculdade, enquanto degustava meu café gelado. Às vezes, eu pegava um trem e ia para uma cidade diferente apenas para fotografar qualquer coisa que me atraísse e raramente eram pessoas. Bem, tinham pessoas, mas nunca era alguém específico. Era mais uma cena sobre algo acontecendo. Algo que me fazia desejar capturar a sua beleza e eternizá-la. Algumas vezes, eu sentia que roubava aqueles momentos para mim. Era assim que no fim do dia, eu acabava voltando para casa com a memória da câmera cheia e um sentimento bom de satisfação.
Porém, por enquanto, eu teria que ajudar a fotografar uma única pessoa e era uma pessoa que tinha como trabalho nada mais do que exibir a sua beleza e os produtos caros que centenas de pessoas se veriam obrigados a comprar, como se eles pudessem fazê-los tão atraentes quanto o modelo na propaganda ou como se cada peça de grife fosse ficar tão lindas nelas, quanto ficava em seu modelo, com todas as edições que nós fotógrafos fazíamos para que eles parecessem perfeitos de verdade; de uma forma possível.
— Yoongi, vem aqui, por favor. — meu superior do estágio me chamou.
Eu estava ajustando a iluminação do cenário e parei imediatamente para ir atender ao seu chamado. Logo vi que ele estava acompanhado por alguém. Me aproximei, já imaginando quem era o garoto atraente ao seu lado. Depois de tudo o que Namjoon havia me dito no caminho até ali, era fácil dizer que alguém tão bonito era um modelo de sucesso e “impossível de não perceber”.
— Hoje iremos trabalhar com o senhor Park Jimin, como mencionei antes. — Namjoon nunca falava de modo tão formal comigo, mas frente daquele estranho, ele o fez.
Estendi a mão e Jimin a segurou, balançando com confiança. A sua pele era macia. Não fiquei surpreso com isso, ele tinha todo o jeito de um típico garoto rico que nunca precisou se esforçar muito. Mesmo assim, a única coisa que eu não conseguia ignorar de verdade era o jeito que seu olhar impressionado me despia sem nenhum pudor.
— Eu sou Min Yoongi. É um prazer trabalhar com você hoje, senhor Park. Eu sou o assistente do senhor Namjoonie hoje e espero fazer um bom trabalho. — deixei escapar de próposito a real i********e que Namjoon e eu tínhamos, só para vê-lo se engasgar com aquela sua p***a de formalidade covarde.
Às vezes, ele era tão patético tentando esconder algo que nem sequer era mencionado, como o nosso pequeno casinho. Namjoon agia como se qualquer diálogo entre nós fosse denunciar que ele costumava se deleitar entre as pernas de outro homem. Bem, não era grande coisa, a gente apenas aproveitava bem a cama um do outro, sem nenhum compromisso. Ele deveria parar de vez com essa mania de manter a pose de hetero, principalmente porque era sempre ele aquele que corria para mim, desesperado, quando queria t*****r.
— O prazer é meu, Yoongi.
Eu sorri de um jeito fofo e muito bem planejado, soltando a mão de Jimin que já tinha passado tempo demais na minha. Quando Namjoon me disse que eu podia continuar a arrumar a iluminação, eu lancei um olhar dissimulado para Jimin, porque diferente dele, eu conseguia esconder o que ele deixava estampado em sua face.
Não levou muito tempo para começarmos a sessão de fotos e Park Jimin era mesmo um excelente profissional. Ele fazia com perfeição cada expressão e pose que lhe era pedida e muitas vezes nem era necessário. Ele sabia muito bem o que fazer e tudo lhe caía muito bem; as roupas, a maquiagem e qualquer coisa que adicionassem a sua beleza etérea. Eu imaginei que qualquer conceito em que ele fosse fotografado seria uma obra prima. Eu estava admirado e o admirando ao mesmo tempo.
Tudo se desenrolou bem no início e então chegamos na hora do almoço. Teríamos um intervalo de duas horas e Namjoon me convidou para comer do outro lado da rua, onde por alguns minutos comentamos sobre Park Jimin. O meu superior estava impressionado com a sua beleza e profissionalismo. Além de tudo, o modelo era totalmente diferente do que ele estava acostumado. Meu chefe me contou de experiências passadas, de como já tinha trabalhado com estrelas metidas a b***a e mimadas, enquanto esse em questão era educado e esbanjava gentileza.
Durante o almoço, Namjoon agia comigo como de costume, afinal de contas, éramos amigos íntimos, mais íntimos do que o comum. Só que eu nunca fui de me dar bem com o comum. Assim que voltamos para o estúdio, eu dei de cara com o assunto do almoço sentado no meio do cenário, enquanto mexendo em uma câmera, e como o Park me despertava curiosidade, eu fui até ele sem hesitação. Eu me sentei ao seu lado e ele logo me notou.
— Uau, não me diga que o seu hobby é fotografia. — puxei assunto.
— Não é. — me encarou. — Mas eu tenho um amigo que me faz tirar fotos dele todo o momento, então...
— Ele é modelo também? — mostrei interesse e Jimin riu.
— Eu diria que ele é um tremendo narcisista. Ele gosta de se exibir, mas… — deu de ombros, enquanto confessava. — Ele é mesmo atraente para c*****o. — Jimin soltou uma risada divertida e me mostrou algumas das fotos que havia tirado do tal amigo.
Encarei sua câmera e me surpreendi em vários sentidos.
— Uau, você é bom nisso e ele é muito bonito mesmo, mas olha isso aqui. — eu não havia mentido, para um amador ele era muito bom, mas como profissional eu não conseguia me segurar, por isso comecei a apontar algumas falhas onde ele poderia melhorar. — Você poderia ter usado um ângulo da esquerda e ter enquadrado melhor para aproveitar a luz natural que estava vindo desse ponto.
— Ou seja, está uma droga. — concluiu, dando mais uma risada. Ele não parecia nada ofendido, pelo contrário, parecia estar se divertindo.
— Não, estão muito boas. Tirar fotos não é fácil como alguns pensam e você pode editar um pouco para parecer ainda melhor, já que você não trabalha com iluminação profissional.
E, com o pretexto de continuar analisando as suas fotos, me aproximei mais dele, curvando o meu corpo para perto do seu. Eu só queria ver como ele ia reagir a uma aproximação tão repentina como aquela e eu pude sentir a sua respiração em meu pescoço. A fim de deixá-lo ainda mais desconcertado — como eu imaginava que ele estaria — me virei, de repente, para ele e o olhei bem nos olhos. Nossos narizes quase se tocavam de tão perto que estávamos e ele não parecia ter pretensão alguma de recuar.
— Obrigado, eu vou usar todas as suas dicas. Acho que o Jin vai gostar das fotos novas. — falou me mostrando que não se intimidava com contatos.
Isso queria dizer que eu podia ir além?
— Deve ser muito bom ser fotografado por você. — comentei e ele me olhou surpreso. — É que o seu olhar é bem intenso, Jimin. — confessei. — Eu gosto disso. É excitante me imaginar sendo fotografado por você e sendo despido pelos seus olhos.
Ele riu. Jimin não se intimidava ou se constrangia facilmente. Ele era tão audacioso quanto eu mesmo poderia ser.
— Quer saber? Eu gostei de imaginar isso também.
Sem hesitar, Jimin passou os seus dedos macios pelo meu pescoço, os deslizou para o meu peito e agarrou a minha cintura, diminuindo a distância entre os nossos corpos.
— Nós devíamos mesmo fazer isso. Assim eu posso te mostrar se consegui entender o que você me ensinou agora.
— Isso seria engraçado, nós dois trocaríamos de lugar. — brinquei.
Eu sabia que o que Jimin queria não era me fotografar e ele muito menos devia se importar com o que eu tinha acabado de lhe ensinar, mas ele queria exatamente o mesmo que eu. Deslizei os meus dedos por seus cabelos e fiz um leve beicinho, enquanto fingia analisar o seu rosto. Agora eu já contornava o seu maxilar bem desenhado. Deslizei o meu polegar por seu lábio carnudo e Jimin estava atento a cada gesto meu. Mordi o meu próprio lábio e lancei um olhar sugestivo a sua boca.
— Mas eu não acho que eu possa ser um bom modelo. — comecei e o seu olhar reagiu à rejeição inicial.
— Mas, ainda assim, eu gostaria de tirar as fotos. — insistiu. — Gosto da ideia de ficar te olhando se exibir para mim por horas.
Tremi ao escutá-lo e em um ímpeto partido dos dois, os nossos lábios se chocaram ali mesmo no meio do cenário vazio. Todos estavam almoçando fora ou cochilando e, mesmo que não estivessem, acho que nenhum de nós dois estávamos dando a mínima para isso. Mordisquei a boca carnuda de Jimin e apertei os seus cabelos bem arrumados, deixando-os uma verdadeira bagunça. Ele me ergueu pela cintura como se eu fosse uma peça muito leve e me colocou sobre as suas coxas grossas. Automaticamente a minha b***a se empinou e roçou suavemente sobre o seu p*u. Foi delicioso perceber que, assim como eu, ele já tinha uma ereção leve em formação. Ele me apertou, deixando o gosto da sua língua marcado em meu paladar e eu gemi em seus lábios adocicados pelo gloss.
Quando aquele beijo delicioso chegou ao fim, eu o encarei ofegante. Normalmente, eu gostava de provocar as minhas presas. Gostava de deixá-los querendo sempre um pouco mais. De fazê-los implorar para que eu permitisse que seus paus lamentáveis me fodessem com força e eu confesso que nem sempre eu permitia. Às vezes, eu só os deixava loucos e dispensava sem ir até o final, mas eu não queria isso no momento. Não era o caso daquele homem em particular.
Eu queria que Park Jimin tomasse o controle de mim e me levasse para qualquer canto mais reservado daquele estúdio e me fodesse o tanto que ele desejasse. Eu permitiria tudo a ele, contanto que ele continuasse me olhando daquele jeito. No entanto, levando em conta quem ele era, quando o dia acabasse, a gente nunca mais ia voltar a se ver e eu só precisava de alguns minutos para fazê-lo ter um orgasmo dentro de mim fosse agora ou depois do expediente. Aproximei a boca da sua orelha e a mordi — tentando aproveitar o que parecia ser a nossa única chance de pôr em prática aquele desejo — fazendo o rapaz se arrepiar e apertar mais a mão na minha b***a.
— Eu adoraria ser assistido por você, Jimin. — sussurrei.
E diferente do que eu imaginei, a partir daquele dia, eu comecei a ter um pequeno caso com um dos modelos mais cobiçados da Coréia. Nossos encontros eram frequentes, mas sempre dependia muito da sua agenda lotada. Cada vez mais, Jimin precisava viajar para o exterior e eu não conseguia mais andar por Seoul ou qualquer outra cidade sem notá-lo em cada esquina. Não levou muito tempo para que eu me pegasse sentindo a sua falta e ele nunca deixava de me ligar para confidenciar o mesmo.
Aos poucos, o que era apenas desejo carnal da nossa parte, foi se tornando algo a mais. Assim como não fomos medrosos em iniciar uma relação casual, não tivemos medo de confessar nossos novos sentimentos. Nós decidimos namorar e logo fomos morar juntos. No decorrer dos anos, fomos nos conhecendo melhor e moldando o nosso relacionamento, ajustando-o aos nossos desejos, fossem eles carnais ou não. Afinal de contas, Park Jimin era um observador maravilhoso e eu adorava me exibir. Para mim, não tinha um sentimento mais excitante do que o de ser cobiçado, exceto o de ser diariamente amado por ele.
Nosso relacionamento não era dos mais comuns, mas ele era perfeito para nós dois. Eu nunca imaginei que um dia as coisas iriam mudar. Bem, eu ainda amava o meu namorado, eu continuava sentindo que eu sempre o amaria, porém, no momento, o amor de outro alguém também estava aquecendo o meu coração e eu sabia que isso seria um grande problema para nós três. Porque eu não conseguia evitar os sentimentos que Jeon Jungkookie havia despertado em mim e muito menos queria abrir mão deles.