Dez

2285 Palavras
— Bem no prazo, como sempre, Jungkook. É muito bom trabalhar com você! — Taehyung vibrou. Ele sempre me parabenizava, mesmo que eu estivesse apenas fazendo o meu trabalho da maneira correta. Eu gostava do seu jeito. — Essas páginas estão incríveis e eu adorei as novas ideias que você me enviou. Eu te juro, quase não tive o que corrigir. O meu editor, Kim Taehyung, juntou os papéis que ele tinha acabado de checar página por página e me olhou com um enorme sorriso, enquanto guardava tudo com muito cuidado em um grande envelope. A nova edição contaria com algumas ilustrações especiais feitas à mão. — Que bom. — sorri. — Que tal se eu te der alguns dias de folga? Sei que esse capítulo especial foi mais pesado de fazer e com um prazo pequeno. Você merece um bom descanso. Você está meio pálido, vá pegar um sol. Você tem que se cuidar. O senhor Kim sempre agia como se fosse o meu guardião. Ele se preocupava como como estava lidando com aquela nova vida; com a minha alimentação, com o meu comportamento, a saúde e qualquer outra coisa que fosse. Ele estava sempre cuidando de mim — na medida do possível, já ele era um homem muito ocupado e o seu tempo era corrido — como se eu ainda fosse uma criança. — Pode deixar, senhor Kim. Eu até já tenho planos para hoje. — falei animado. — Isso é ótimo, Jungkook! Então, eu vou indo, não quero te atrasar e me atrasar também. — sorriu simpático. — Eu ainda tenho que ir na gráfica e visitar mais dois autores que, bem diferentes de você, eles nunca respeitam os prazos. — revirou os seus olhos castanhos. Taehyung tocou o meu ombro e saiu logo em seguida com um ar cansado. Eu só peguei o meu celular no meu estúdio antes de sair. Eu já havia me arrumado para o encontro com o Yoongi, enquanto esperava pelo meu superior vir buscar o trabalho. Entrei no elevador e apertei o número abaixo do meu. Yoongi e eu tínhamos feito planos de novo. O modo como as coisas andavam acontecendo entre nós dois estava me deixando bem confiante sobre o desenvolvimento da nossa relação. Eu achava que ainda não era o momento certo para nós começarmos algo sério, como um namoro, já que ainda estávamos nos conhecendo, mas sentia que não ia demorar muito para que acontecesse. Porém, às vezes as coisas levavam um segundo para mudar de rumo completamente. Esse meu “segundo” aconteceu quando a porta do elevador abriu diante do seu apartamento e levou consigo toda a minha confiança. Foi algo bem rápido mesmo, acho que não daria nem um piscar de olhos. Todos os meus devaneios apaixonados se esvaíram e eu estava petrificado com a cena que via. Mas que p***a… Calma, Jungkook — falei para mim mesmo mentalmente — não é nada demais — continuei a tentar me convencer daquilo, enquanto o meu peito ardia — você sabe como ele é. Para Yoongi provocar os homens não é nada mais do que um jogo e ele só estava fazendo isso mais uma vez, certo? Respirei fundo, porque mesmo com todos aqueles pensamentos que tentavam me reconfortar essa p***a continuava me incomodando pra c*****o. Min Yoongi, o meu vizinho sedutor, estava na porta do seu apartamento com um outro homem. Ele era um tipo alto de cabelos pretos que — além de tudo — era incrivelmente bonito, sabe? Daquelas pessoas que você raramente via andando pelas ruas, no entanto, estava sempre em outdoors ou na tv. E era exatamente esse tipo de homem deslumbrante que estava tocando o rosto fofo do Yoongi com um olhar "amigável" demais para o meu gosto. Eu nem o conhecia e já não simpatizava em nada com aquele estranho, pelo jeito que ele olhava para a pessoa que eu estava há poucos segundos imaginando um futuro sério. Era exatamente o jeito que o Yoongi gostava de ser olhado e a prova cabal disso era o seu sorriso de quem estava completamente ciente de que era desejado. De repente e ainda sem me perceber — eu imaginava — Yoongi deslizou a mão pelo peito largo do tal homem e forçou uma timidez que nós três sabíamos bem que o Min não tinha. Era óbvio que eles estavam flertando! Saí do elevador pisando forte e disfarçando muito m*l o meu desagrado com a cena que presenciava. O homem que eu achava ser apenas meu amante virou o seu rosto para mim. Finalmente havia me feito presente, até mesmo para o outro homem que também me encarou como se eu atrapalhasse o momento deles. — Uau, eu estou atrasado? — Yoongi disse de forma muito casual e isso me irritou, porque era como se ele não estivesse admitindo que estava fazendo algo errado. Eu olhei para o meu relógio a troco de nada, ainda não conseguia disfarçar o meu aborrecimento. Então o encarei de novo e respondi de modo seco: — Hm, agora você está. — Okay, vamos indo então. Ele continuava a falar casualmente e como se não bastasse isso, ele ainda se esticou e beijou o canto dos lábios do seu acompanhante, fazendo todo o meu sangue gelar. Tudo só piorou quando eu notei que o cara em sua companhia era ainda mais descarado do que Yoongi e — também sem dar a mínima se eu estava ali ou não — ele abraçou a cintura fina de Yoongi com um aperto forte que colou seus corpos. Ele me ignorou completamente. Na realidade, ele agia como se somente ele e Yoongi ainda estivessem ali no corredor e que eu não passava de um grande incômodo. — Nos vemos depois, hyung. Eu te disse que tinha compromisso. — falou cheio de manha, mas ele continuava arrastando a sua mão pelas costas do outro. Aquilo não era apenas provocação. Não era como ele fazia comigo. Ele estava agindo cheio de manha e i********e, como se houvesse algo entre eles, algo casual assim como nós tínhamos. Agindo daquele jeito, só me fazia pensar que… Yoongi o queria? — Mas e a nossa conversa como fica? — insistiu. — Ah, Jin hyung, você sabe muito bem que isso não é comigo e com quem você tem que falar a respeito. Vamos, eu não quero me atrasar. Eu já tenho compromisso. O tal hyung do Yoongi revirou os seus olhos — ele não quis mascarar sua chateação — e sussurrou algo na orelha dele. Eu não pude ouvir, óbvio, mas Yoongi riu, mordendo o seu lábio rosado e o homem se rendeu, nos deixando sozinhos. Ele pegou um dos elevadores, mas só depois de me dar uma olhada avaliativa. Meu vizinho se aproximou de mim ainda bancando o desentendido. — Que cara séria, Jungkookie. Você está de mau humor? — Quem era ele? — o ignorei e me senti no direito de finalmente saciar a minha curiosidade. — Oh, que fofo! Jungkookie, você está com ciúmes. — riu m*****o, tão m*****o que aquilo sequer era uma pergunta, era uma constatação. — Não é ciúmes, mas eu achei que estava rolando algo aqui. — apontei para nós dois. — É claro. Eu adoro o tempo que estamos passando juntos e principalmente o sexo que fazemos, mas eu não te prometi exclusividade, ne? — falou em um tom divertido, como se não percebesse como aquilo era sério para mim. Não, não. Foi bem pior. Ele estava completamente indiferente e a frieza com que ele disse aquilo me golpeou forte, me fez pensar na importância do que tínhamos, porque parecia que eu estava me iludindo. Yoongi e eu estávamos sempre tendo encontros, às vezes ele até dormia na minha casa e assistíamos a filmes juntos na minha cama. Para mim isso era algo, os momentos carinhosos em que ele passava dentro do meu abraço, recebendo cafuné e beijos. Além do mais, a gente estava transando com a mesma frequência de um casal recém-casado. Então, ele não podia ter sido mais filho da p**a do que estava sendo agora. Eu me sentia patético por notar que apenas eu estava vendo um romance gostoso crescer entre nós dois. Sendo assim, era melhor colocar logo as cartas na mesa e evitar mais ilusões. — Podemos mudar isso. — segurei sua mão e fui direto sobre as minhas intenções. Yoongi podia me aceitar ou apenas me rejeitar e cada um seguiria o seu caminho. Ele me entendeu na hora e me encarou surpreso, enquanto mordiscava o lábio em um tique nervoso. — Kookie… — seu tom pareceu preocupado e eu entendia, porque eu também achava que era cedo demais, no entanto, eu não queria dividi-lo com outros homens. — Bem, eu planejava que isso levasse um pouco mais de tempo, mas podemos deixar as coisas sérias agora. Eu gosto do que temos, Yoon... Ele soltou a minha mão e tocou o meu rosto, fazendo com que eu me calasse. — Olha, eu gosto de você também, Kookie, e eu já te disse que também gosto de ficar com você. Acho que é bem óbvio como é gostoso quando nós dois estamos juntos — eu sabia que ele não estava se referindo apenas ao sexo — mas nós não vamos namorar. — sua frase final foi um baque para mim. O encarei curioso, porque ele parecia ter um motivo para dizer aquilo além do que eu pensava. Ainda assim, eu tinha esperança de fazê-lo mudar de ideia e reverter essa rejeição inicial. Eu estava mesmo apaixonado por ele e cada dia que eu conhecia um pouco mais dele e me aproximava, eu só me sentia mais envolvido. Eu sabia que era questão de tempo até as coisas chegarem até aquele pedido e se era assim, eu preferia que fosse agora, porque eu não gostava muito de pensar nele com outro. — Porque não? Eu juro que não estou pedindo só por ciúmes. Eu gosto mesmo de você, Yoon. Você pode pensar um pouco mais sobre… — insistia, quando a verdade foi jogada em minha cara de forma brusca. — Jungkook, eu já disse que eu não posso. — ele suspirou, nervoso. — Eu já tenho um namorado, desculpe. Paralisei, processando a informação. Ele havia dito aquilo de um jeito tão natural que não dava para acreditar. Como assim ele tinha um namorado e só estava me contando agora?! Só podia ser piada mesmo. Um jeito bobo de me rejeitar… Encarei seu rosto sério e… É o que?! — É o que?! — deixei minha incredulidade escapar dos meus pensamentos, enquanto o meu olhar confuso se tornava gradativamente furioso. — Como assim você tem a p***a de um namorado, Yoongi?! — Pois é, eu tenho um. — passou a mão por seus cabelos. — Esse apartamento é dele e nós moramos juntos. Ah tá, era mesmo piada. — Nossa, você inventou um namorado só pra me dar um fora? — Não, Jungkook, eu realmente tenho um namorado. Estamos juntos há algum tempo… — Mas eu nunca vi esse cara por aqui, ele invisível por acaso? E eu entenderia se você fosse um filho da p**a e me escondesse isso, mas você não me levaria para a sua casa se morasse com ele. — ri, me sentindo um pouco mais aliviado, mas não tanto porque ele ainda estava me rejeitando. — Ele existe, Jungkook. Ele só viajou a trabalho. — riu, provavelmente por eu não ter pensado algo que agora parecia tão óbvio. — E quando ele viaja você dorme com outros caras? — perguntei com um pouco de desprezo. — Você não entende o nosso relacionamento e eu não preciso que nos julgue. Cara, não vamos ficar falando sobre isso agora, tá bem? Você ainda quer sair ou está chateado por que eu não te contei? Eu sei que eu deveria ter dito logo, mas eu não achei que íamos passar tanto tempo juntos. Ele se aproximou mais e começou a agir de um jeito manhoso. Yoongi abraçou a minha cintura e cheirou o meu pescoço... E isso me irritava porque era exatamente como ele fazia com o seu hyung há alguns segundos atrás e eu também sabia que ele estava tentando me seduzir para esquecer o grande filho da p**a que ele havia sido. O pior de tudo era que estava funcionando. Qualquer chamego seu me deixava fraco e me fazia pensar que eu não queria perder nenhuma oportunidade de continuar ao seu lado. Acariciei os seus cabelos quase que automaticamente e o meu coração batia acelerado, enquanto a minha cabeça dava voltas. O que eu devia fazer agora? O que ele havia acabado de me contar era sério. Ele tinha me escondido um namorado o tempo todo e a qualquer hora esse homem podia voltar. Como as coisas iam ficar entre nós dois? Voltaríamos a ser vizinhos que apenas se cumprimentavam no elevador? E que tipo de relacionamento estranho era esse que ele havia mencionado? Eram tantas perguntas surgindo na minha cabeça, porém, de repente, o seu olhar me pegou e quando eu percebi já estava retribuindo o seu abraço, o que o fez sorrir satisfeito. Suspirei triste e o beijei devagar, pensando na merda que eu estava prestes a fazer só porque eu queria tê-lo comigo um pouco mais. — Vamos, não podemos perder o sol. — Yoongi me mordeu, já convencido de que eu não o deixaria, como deveria ter feito. Murmurei um "okay" e saímos de mãos dadas para beber milk shake e jogar mais conversa fora, como se nada tivesse acontecido e como se tudo o que eu achei saber sobre ele tivesse se tornado insignificante.
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