Quinze

1544 Palavras
Eu estava completamente bêbado quando cheguei, então eu fiz exatamente o que um bêbado apaixonado e de coração partido faria. Eu fui direto para o apartamento do Yoongi e toquei sua campainha, ignorando completamente o fato de que ele não morava sozinho ali. A noite tinha sido divertida. Hoseok e Taehyung formavam uma boa dupla. Eles até me surpreenderam se mostrando bons dançarinos. Hoseok disse que estudava dança e por isso tinha dois empregos para pagar a faculdade e se manter. Taehyung pareceu bem interessado em cada coisa que ele dizia e no meio de tantas conversas, danças e risadas, fizemos uns mil brindes me parabenizando. Era um pouco constrangedor, mas nos divertimos, o único problema era que Yoongi estava na minha cabeça o tempo todo. O jeito que ele me olhou quando nos encontramos na saída; os seus dedos entrelaçados no do namorado... Aquilo me incomodava muito. Eu sabia que Jimin tinha todas as vantagens sobre mim, afinal de contas, ele era o namorado do Yoongi e eles moravam juntos há anos. Para onde quer que o Yoongi se virasse, a presença de Jimin lhe acertava. Era óbvio o carinho que eles tinham um pelo outro. Eles eram exatamente o que se esperava de um casal com anos de i********e e bom convívio, ainda assim eu queria tentar destruir isso. Eu queria roubar Yoongi para mim. A porta abriu de repente e o próprio Yoongi me encarou, sonolento e confuso. — Jungkook… Você está bêbado? — observou. — Só um pouco. — resmunguei. — O que houve? — acariciou o meu rosto, ele não parecia chateado por eu estar ali. Essas suas atitudes dúbias eram o que me colocava em problemas. Porque o mesmo carinho que seus olhos davam a Jimin, eles davam a mim também. Como isso era possível? Eu estava me iludindo de novo ou era possível que ele amasse a nós dois? Segurei a sua mão e o encarei um pouco entristecido. Eu tinha que dizer tudo agora. Tinha que colocar para fora os meus reais sentimentos. Um simples “gostar” não cabia mais como definição para tudo o que Yoongi despertava em mim. — Yoongi, eu te amo. — cochichei. Agarrei a sua cintura e o abracei forte. Ele apoiou as mãos nas minhas costas e ficou quieto. O seu silêncio era um pouco doloroso, mas as suas mãos me apertavam com força e deslizavam pelas minhas costas, me aproximando mais de si e aquele gesto me passava tanta coisa. Era como se Yoongi estivesse grato e feliz pelos meus sentimentos. Como se ele sentisse culpa e como se quisesse me prender a ele. Aí quando eu menos esperei, ele cortou o silêncio, com uma voz trêmula. O que era estranho, porque Yoongi sempre exalava segurança e controle em todas as suas ações, mas a confissão que ele me fez devia ser confusa demais até para ele. — p***a, Kookie, eu também te amo. O encarei na hora, sentindo a euforia me acertar com força, mas ele não tinha a mesma expressão. Porque? — Então, termina com ele, Yoon. — voltei a insistir. — Eu não posso, Kookie. — Porque não? — Porque eu também amo o Jimin. — E entre nós dois, você escolhe ele, né? — conclui, frustrado. Ele mordiscou o lábio inferior, fitou os pés e depois a mim. — Porque você cisma tanto em escolher um de vocês? Eu não quero escolher e nós somos vizinhos, eu vou ficar sempre te vendo… — Quer que a gente continue se vendo escondido? — Não, eu não quero continuar magoando o Jimin e também não quero mais magoar você. — Yoongi, eu te amo. — repeti, como se tivesse muita coisa implícita naquelas três palavrinhas. Como, por exemplo, dividir ele com outro não ser uma opção! O amor era egoísta, certo? Era assim nos livros, nos filmes e em todo canto que olhávamos... — Jungkook, eu me apaixonei por você e isso é confuso para mim. Mesmo que o nosso relacionamento seja aberto e que eu fique com outros caras, esse tipo de coisa nunca aconteceu antes e nem podia. Jimin e eu somos um casal porque nos amamos, o resto era s****l — ele suspirou meio triste. — Mas eu amo você. E, para a nossa surpresa, uma terceira voz entrou em cena, nos cortando. O nome do Yoongi fora chamado em um tom triste. Vi o homem à minha frente empalidecer e murmurar um: “droga”, ao mesmo tempo que soltava a porta. Ele virou-se e voltou para dentro de casa. Empurrei a porta e me deparei com Jimin só de cueca encarando o Yoongi com um olhar frustrado, aí ele me olhou por alguns segundos com ira. — Então você o ama? — encarou o namorado um tanto severo. — Aconteceu. — foi sincero, se direcionando ao outro. — E agora, como ficamos? Você vai terminar comigo, Gi? Yoongi arregalou os olhos, como se aquela ideia fosse absurda e nunca tivesse se passado por sua cabeça. Ele passou os dedos nos cabelos escuros, bagunçados pelo sono, e os puxou para trás. — Jimin, não. — falou simplista e foi até o homem, abraçando o seu corpo. — Eu ainda te amo muito. Eu vou te amar pra sempre, você sabe. Yoongi acariciou o seu rosto — do mesmo modo que fazia comigo — e selou os lábios de ambos. Estalei a língua alto, incomodado com a visão, e chamei a atenção de ambos. — Ele não é como a gente, Yoongi. — Jimin disse me encarando. — Não podemos tentar algo diferente? — Do que estão falando? — marquei presença. Minha sobriedade estava voltando pouco a pouco ou ao menos era o que eu pensava. — Eu sei no que você está pensando e isso está fora de cogitação. — Jimin me encarava com certa raiva, mas logo ele desviou o olhar para Yoongi, ainda me ignorando. — É totalmente diferente do que temos. Isso muda tudo, você sabe. Sem falar que o seu garotinho nem deve querer. — riu com desprezo. — Desculpe, mas… — eu não estava entendendo nada, mas Yoongi insistia naquilo. — Não pode me pedir isso, Yoongi. Até mesmo nós dois temos limites. E qual seria? Jimin falando de limites, quando estava em um relacionamento tão fora do comum, era quase uma piada, mas eu já podia imaginar. Mesmo tonto e meio confuso, devia ser mesmo o que eu vinha percebendo. Yoongi queria que eu fosse um dos caras com quem ele transava com a permissão do seu namorado? Talvez ele quisesse me colocar como sua f**a casual fixa. Só que não era o que eu queria mesmo. Longe disso. Pela primeira vez eu simpatizava com Park Jimin. Tudo o que eu queria era um relacionamento comum — algo que Yoongi parecia desprezar — apenas nós dois fazendo todos os clichês que os casais apaixonados costumavam fazer. Como naquela semana antes de Jimin voltar para casa. Onde eu realmente acreditei que Yoongi poderia me escolher no final. — Eu quero tirar você dele. — me pronunciei, vendo que eles estavam quase decidindo tudo a sós. — Você quer tirar o Yoongi de mim? — Jimin riu, apertando o namorado contra o seu corpo. Depois ele revirou os olhos. — Está vendo? Isso não ia dar certo mesmo e o nosso trato nunca envolveu sentimentos. Relacionamento aberto e poliamor são coisas diferentes. O que a gente faz é excitante, mas eu não sei se consigo dividir o seu amor, Gi. — tocou o queixo do namorado e o fez encará-lo. Jimin tinha um olhar doce, coisa que eu achava que ele não era tão capaz por causa daquele seu jeitão autoritário. Poliamor? Mas de que merda Jimin estava falando? Eu estava tão confuso e nunca nem tinha ouvido aquele termo antes. Assim como nunca me imaginei preso em uma situação tão estranha. Também começava a me arrepender de ter agido por impulso e vindo aqui, afinal, era a sua casa e eu era a p***a do amante do seu namorado; a pessoa sobrando. — Mesmo que eu não fique com ele, você já está dividindo o meu amor, Jimin, porque parte de mim já ama o Jungkook, ele estando comigo ou não. A confissão final de Yoongi pegou tanto Jimin quanto eu de surpresa e eu arriscava dizer que ao menos externamente as nossas reações foram as mesmas. Pura surpresa e um misto imenso de confusão. Jimin estava chocado e eu arriscava dizer que era uma das poucas vezes na vida que um homem como ele ficava sem fala. De repente, Jimin me encarou pensativo e frustrado. — Jungkook, entra. — foi tudo o que ele falou, dando mais uma de suas ordens. Encarei os dois. Eu estava bem confuso pelo convite e porque, enquanto Jimin tinha uma cara de quem tinha sido derrotado em algum jogo, o Yoongi quase pulava de alegria. Ele estendeu a mão para mim e mesmo sem entender bem no que aquilo ia dar, eu a segurei e fui com ele, como sempre fazia. Era só o Yoongi me pedir algo que eu cedia e vendo Park Jimin, eu percebia que eu não era o único em suas mãos.
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