Gael Eu estava dirigindo sem rumo direito, só seguindo o trânsito de São Paulo no automático. Mãos firmes no volante, cabeça longe. O rádio ligado baixo, qualquer coisa só pra não ouvir meus próprios pensamentos. Não adiantava. A Bianca tinha tomado conta deles de novo. No começo do dia eu tinha certeza de que ia dar conta. Agora, não. Eu precisava falar com alguém antes de fazer besteira. Peguei o celular e liguei para o Pedro. — Fala, doutor certinho — ele atendeu, com aquele tom debochado de sempre. — Ainda vivo? Soltei um meio riso sem humor. — Preciso conversar com você. Ele percebeu na hora. — Ih… isso não é bom sinal. Aconteceu alguma coisa no hospital? — Não. Quer dizer… mais ou menos. É pessoal. Do outro lado da linha, ouvi o som dele se ajeitando, provavelmente largando

