Bela
Minha avó entrou no meu quarto com uma bandeja de café, pronta para me acordar e me ajudar a começar o dia. No entanto, sua expressão mudou instantaneamente quando seus olhos se fixaram na mala semi aberta em cima da minha cama. Ela deu um pequeno suspiro de surpresa, claramente pegando-a desprevenida.
—Querida, para onde você está indo com essa mala? — perguntou ela, sua voz repleta de preocupação e confusão.
Virei-me para encará-la, segurando uma pilha de roupas que eu estava tentando enfiar desajeitadamente na mala.
— Vó, eu estou indo para Palermo. — respondi, tentando manter minha voz firme apesar do nervosismo que começava a se espalhar dentro de mim.
Sua expressão ficou ainda mais preocupada, seus olhos fixos em mim como se estivesse tentando ler meus pensamentos.
— Palermo? Bella, o que você está pensando? Eu te disse para não ir para lá, é perigoso.
Respirei fundo, sentindo-me determinada a explicar minha decisão.
— Eu preciso descobrir a verdade, vó. — disse eu, olhando nos olhos dela com seriedade. — Sobre meus pais. Eu não posso mais ignorar tudo o que está acontecendo.
Minha avó suspirou, claramente lutando com suas próprias emoções e preocupações.
— Querida, eu sei que você está buscando respostas, mas Palermo não é o lugar certo para isso. Eu te trouxe para cá para te proteger, não para colocar você em mais perigo.
Eu abaixei a cabeça por um momento, me sentindo culpada por causar mais preocupação à minha avó.
— Eu entendo, vó. — murmurei. — Mas eu não posso mais ignorar isso. Eu preciso saber o que aconteceu com eles.
Minha avó se aproximou, colocando a bandeja de café em cima da cama e segurando minhas mãos com carinho.
— Bella, eu só quero o melhor para você. — disse ela, sua voz suave e carinhosa. — Se você realmente acha que precisa fazer isso, prometa que será cuidadosa. Prometa que vai me manter informada e tomar precauções.
Eu assenti, me sentindo grata pela compreensão dela, mesmo que ainda estivesse preocupada com a minha decisão.
— Eu prometo, vó. — respondi sinceramente. — Eu vou tomar cuidado.
Ela assentiu lentamente, seus olhos se enchendo de uma mistura de tristeza e aceitação.
― Está bem, minha querida. Deixa eu te ajudar com essa mala, você sempre foi desajeitada pra essas coisas. ― Ela foi até mim, me ajudando a colocar as roupas na mala. Apesar dos atritos, minha avó estava ali e aceitando a minha escolha, precisava descobrir o que aconteceu com os meu pais.
***
Acabamos de chegar na rodoviária, minha vozinha estava do meu lado esperando o ônibus para ir para Palermo. Enquanto não chega o ônibus, minha avó ficou insistindo para não fazer isso.
― Bella, por favor. Ainda dá tempo de não fazer isso. Podemos voltar para casa, nesse instante. ― solto o ar pesadamente, depois a fito.
― Não vó. Não vou mudar de ideia, está decidido! Liguei para a faculdade trancando o meu curso para ir para Palermo. Preciso descobrir que aconteceu com os meus pais, é um direito meu. ― mencionei. Que droga. Que coisa chata essa insistência. Até parece que está escondendo algo e não quer que eu vá para lá. ― Achei que a senhora tinha entendido isso, que ficaria do meu lado.
― Mas estou Bella. Mas fico preocupada você lá sozinha… no meio… ― minha avó olhou para mim e parou de falar subitamente. Seus olhos transmitiram uma expressão de hesitação, como se estivesse prestes a me dizer algo, mas depois ela se conteve.
Fiquei intrigada com sua reação. Era claro que ela estava segurando alguma informação, algo que não queria me contar. Aquela pausa inesperada e o olhar fugaz diziam mais do que suas palavras. Minha avó sempre foi uma figura forte e protetora em minha vida, mas agora eu percebia que havia algo além do seu cuidado habitual.
― Vó, você sabe de alguma coisa? ― perguntei, tentando descobrir o que estava se passando em sua mente.
Ela desviou o olhar por um instante, como se lutasse com uma decisão interna, e depois suspirou profundamente.
― Bella, há coisas que eu preferiria não discutir agora. É melhor você se concentrar em cuidar de si mesma e ser cautelosa em Palermo. Eu só quero que você esteja segura.
Suas palavras só aumentaram minha curiosidade. O que minha avó estava escondendo? Será que havia algo mais obscuro relacionado à morte dos meus pais que ela não queria que eu soubesse? Eu sabia que não iria desistir tão facilmente de descobrir a verdade, mesmo que isso significasse enfrentar segredos guardados por minha própria família.
― Entendo, vó. Eu prometo que vou tomar cuidado. Mas quero que saiba que estou determinada a descobrir o que aconteceu com meus pais, não importa o que aconteça. ― respondi, sentindo uma mistura de determinação e preocupação.
Minha avó assentiu, seus olhos transmitindo uma mistura de emoções que eu não conseguia decifrar completamente. Ela pegou minha mão suavemente.
― Eu sei, querida. Só não se esqueça de que estarei aqui quando precisar. E por favor, seja prudente em suas investigações.
Naquele momento o ônibus tinha acabado de chegar. Me despedi da minha avó e fui logo, não podia perder mais um minuto, quando estava indo minha avó pegou pela minha mão. Ela ia dizer algo como: “ Não vá.” ou “Dar tempo de voltarmos para casa.” Mas ela ficou me fitando, seus olhos estavam cheio d’água, estava se segurando para não chorar. Em seguida ela me puxou me dando um abraço bem apertado que não conseguia respirar. Só consegui ela ouvir:
― Por favor, se cuide, Bella. Toma muito cuidado! ― Ela sussurra. Não pude falar alguma coisa pois seu abraço estava muito forte que não me mexia direito. ― E mais importante fica longe da família Matarazzo e do Lucca Coppola. ― Ela me soltou e olhou firme para mim. ― Me prometa isso, Bella? Me prometa?
Balancei a cabeça concordando. Depois entrei no ônibus que estava quase saindo. Me sentei no banco que fica na janela do ônibus. Ele estava saindo e acenei para minha avó, depois que saímos da rodoviária, fiquei me perguntando por que a minha avó pediu pra ficar longe dessa tal família Matarazzo. E esse tal Lucca Coppola será que ele tem haver com a morte dos meus pais?