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672 Palavras
Hospital Beneficente 12:12 h Bom, estou aqui sentada em uma mesinha da lanchonete do hospital. Trago boas notícias: acredito que a vaga é minha. A única coisa estranha é que não havia nenhuma outra concorrente. Eu era a única na entrevista. A moça do RH me disse que se a documentação e as vacinas estiverem em dia, que a vaga seria minha. O salário parece ótimo, diário. Não chega as cifras do que a filha da dona Wanda irá ganhar quando se formar, mas creio que três mil reais já esteja de bom tamanho. Agora, por quê ninguém se candidatou se estão pagando tão bem? Um tanto estranho. As 13 h vou conhecer o médico. Se chama Vicent Hacker e é cardiologista. Pelo que li aqui no Google, ele é extremamente jovem. Tem apenas 25 anos. Aí fiquei me perguntando como ele se tornou médico tão rápido. Ele entrou na faculdade com 16 anos e conseguiu se formar em cinco! Ainda participou de um programa da faculdade em que ele conseguia fazer phd junto com a graduação, de modo que Vicent já havia saído com doutorado. Não era possível! Não deve ser normal isso não, diário! Merda*, o QI dele é de 139! Bem, o nome americanizado dele se justifica pelo fato de Vicent ser americano. A mãe dele é brasileira e o pai americano. Por que será que ele veio ao Brasil? Será que ele tem sotaque de gringo? Outra coisa me soou estranha também, diário! Acho que notei algum desdém quando a moça do RH falou o nome dele, como se tivesse repulsa por esse tal Vicent. Mas não vou me deixar influenciar por opiniões alheias sem antes conhecê-lo. Além do mais, preciso do emprego eu não posso ficar escolhendo. Agora vou terminar meu suco e mentalizar coisas boas até a hora de conhecer esse médico. 13: 45 h Estou há quase uma hora aqui esperando esse doutor Vicent. Já estou começando a entender o desdém da moça do RH. Ninguém se atrasa tanto, que desaforo! Ouço um barulho pelo corredor, acredito que seja ele e a equipe dele. 13:53 h A moça do RH estava certa. Esse doutor Vicent é um ser humano h******l. Ele nem esperou me apresentarem. Colocou as mãos dentro do bolso do seu pijama verde e me olhou de cima abaixo com um olhar de reprovação como se dissesse "essa daí será minha assistente? ". Eu vi a moça do RH tremer as pernas. Ela era menor que eu e perto desse doutor m*l educado ficou parecendo um ser frágil e indefeso. Vicent deve ter 1,85 e os músculos do antebraço eram fortes, acho que ele malha. Pude notar algumas tatuagens no braço direito dele também. Vicent realmente parece muito jovem. Cabelos loiros queimados de praia, ou sei lá o que. Olhos castanhos. Porte atlético aparentemente. Ele é gato. Mas o que tem de bonito tem de esnobe . "Liliana? É isso?" Disse ele. Não havia sotaque algum em sua voz, eu imaginei que teria por ele não ser brasileiro. Nem mesmo estendeu a mão para me cumprimentar. Me deixou no vácuo. "Eu mesma", respondi. "Espero você amanhã as seis horas em ponto em frente ao ambulatório de cardiologia". Como assim? As seis horas da manhã? Será que ele imagina o quão é difícil para uma desempregada que se acostumou a levantar após as oito colocar uma despertador para as 07 da manhã????? "Claro, doutor, estarei aqui" eu respondi. Eu estava chocada com tudo. Desde a arrogância do dr Vicent até o fato de ele parecer ter menos de vinte e cinco anos. Imagina? Você pede para falar com o diretor médico de um hospital e me surge um cara com o rosto jovem como o dele?? Mas enfim, desde que me pague de maneira correta eu tô pouco me importando. Só preciso manter esse emprego e juntar uma grana para meter o pé da casa dos meus pais. Três mil reais para aturar um médico esnobe. Acho que consigo! Vamos ver como será amanhã!
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