A Timidez

1070 Palavras
Nicolá Assim que cheguei em casa, avistei os gêmeos sentados no sofá vendo desenho, o que era um milagre, pois era difícil eles ficarem parados, sem brigarem e tal, acho que era porque meus pais estavam em casa, o que também era um milagre. Papai estava dando comida para Kim, enquanto mamãe preparava o nosso almoço. Eu fui até minha mãe, e lhe dei um beijo no rosto, dei ‘’oi’’ para meu coroa e me sentei à mesa para almoçar. Almoçamos todos em família, e assim que eu terminei, fui para meu quarto. Larguei minha mochila em cima da minha cama e fui até minha janela, de onde avistei o quarto do Connor, que a princípio, estava vazio, porém, logo ele entrou, me escondi rapidamente atrás da cortina para que o garoto não me visse, e fiquei lhe espiando, quer dizer, não espiando tipo… Ah, só… Sei lá, queria ver o que ele ia fazer. Mas o garoto apenas trocou de camisa e saiu do quarto. Continuei observando pela janela do meu quarto, e vi quando Connor saiu de casa com um caderno e uma caneta em mãos, ele se sentou em um degrau que tinha na porta de entrada, e parecia estar escrevendo algo. Ou… Olhando melhor, acho que ele estava desenhando, mas o que será? Confesso que fiquei um pouco curioso. Fui até a sala, onde Lindsay e Thomas estavam brincando, e logo perguntei: - Hã… Querem brincar lá fora? - Não! - Responderam em uníssono. - Mas está quente aqui dentro. - E lá fora está mais quente ainda. - Disse a garota. Em seguida, fui até o quarto da minha caçula, que estava brincando com alguns legos, e assim que eu entrei, a garoa me entregou um lego, me convidado para brincar com ela, e então, eu perguntei: - Que tal ir brincar lá fora com o mano? A garota acenou a cabeça negativamente. É, acho que eu estava sem sorte mesmo, então resolvi ir até minha última opção. - Anabel, quer brincar lá fora? - Brincar? - Me olhou meio desconfiada. - Não, valeu. - Ah… Fazer alguma coisa lá fora, sei lá. - Dei de ombros… A garota me olhou em silêncio por alguns segundos, e após pensar um pouco, acabou aceitando, e então, fomos para a frente da nossa casa, e logo avistei Connor sentado no mesmo lugar, estava vidrado naquele caderno, nem havia nos visto, parecia muito concentrado. - Agora eu sei o porquê de você ter me arrastado pra cá. - Quê? - Perguntei ao dirigir meu olhar para minha irmã. - Vai lá falar com ele, bobão. - Eu? - Não, minha avó. - Revirou os olhos. - Ai, vem logo! - Me puxou pela mão e me arrastou até Connor. Eu até tentei argumentei que eu não queria e tal, mas não deu muito certo. - Oi Connor. - Disse minha irmã ao se aproximar do garoto. - Oi. - Deu um sorriso ao os ver. - O que você está fazendo? - Anabel perguntou. - Ah, estou desenhando um pouco. - Podemos ver? - A garota perguntou. - Ah, eu tenho vergonha de mostrar. Nunca mostrei pra ninguém, quer dizer… Só pro Logan, e a opinião dele não conta, porque ele gosta de tudo o que eu faço. - Ah, deixa a gente ver. - Falei. Anabel e Connor me olharam parecendo meio surpresos, e então, timidamente o garoto nos mostrou seus desenhos, e começou a dizer que não estavam muito bons, que faltavam vários detalhes e tal, mas… c*****o, eram… incríveis! Connor desenhava muito bem, os desenhos eram tão realistas, era um mais perfeito que o outro. - São… - Anabel dizia. - Fantásticos. - Falei. - Gostaram? - Perguntou timidamente. - Claro. - Minha irmã respondeu. - São muito bons. - Me pus a olhar para o garoto. - Mesmo. - Valeu. - Me olhou e sorriu meio sem graça. Nisso, Logan apareceu correndo e assim que viu a minha irmã, já foi logo a convidando para brincar, e claro que ela não recusou, e então, os dois saíram correndo para brincarem, deixando Connor e eu sozinhos, e o garoto me mostrou mais alguns dos seus desenhos, e a cada um que ele ia me mostrando, eu ficava mais e mais encantado, ele tinha muito talento. - De onde você tira inspiração? - Perguntei. - Ah, sei lá… - Deu de ombros. - Eu gosto de desenhar coisas que vejo na rua, ou na TV, pessoas, animais, de tudo… - Nossa, meus desenhos são de criança de 1° ano, não, acho que até a minha irmã, a Lindsay, que tem 6 anos, desenha bem melhor que eu. - Ele riu. - É sério. - Ah, é só uma questão de prática e técnica, se quiser posso te ensinar qualquer hora. - Ah, pode ser. - Falei meio sem graça. - Legal! - Sorriu. Connor e eu ficamos conversando um pouco, e… Ah, ele até que não era tão chato assim, tipo, dá até para dizer que ele era um pouco legal, mas só um pouco. E então, o garoto me convidou para entrar, eu pensei por um momento, mas acabei aceitando. E assim que entramos, vi minha irmã e Logan brincando na sala, é, eles pareciam terem se dado muito bem, como criança faz amizade fácil… Connor e eu fomos até o quarto do garoto, e ele me mostrou algumas músicas que ele gosta, umas eu nem conhecia, mas outras eu também conhecia e adorava. - Nossa, essa música é velha, mas é ótima. - Falei. - É sim. E então, nós dois começamos a cantar juntos: - ’’Quero tanto dizer que eu só penso em você, mas a minha timidez não deixa, você diz num olhar que tem medo de amar, e confunde mais a minha cabeça… Eu queria tanto me entregar, te mostrar todo meu sentimento, já tentei mas te esquecer não dá, você vive em meu pensamento… Ahh… Chalalálalá… Como eu quero te amar...te amar...te amar… Para de brincar com meu coração.. oh..não...oh não..’’ Connor e eu ficamos nos olhando enquanto cantávamos, e… m***a! Ele me olhava de um jeito… Não gostava da forma que ele me olhava, era como se quisesse me dizer algo, como se estivesse falando com os olhos, olhos esses que eram uma incógnita para mim, e que as vezes me dava muita vontade de conseguir decifrá-los.
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