O Flagrante

1274 Palavras
Nicolá Eu não conseguia parar de pensar no beijo que Connor e eu havíamos dado. Eu nunca havia sentido nada assim, nem com a minha ex, era tudo tão surreal, tão novo, eu só… Eu queria estar com ele, mas ao mesmo tempo tinha tanto medo. (...) Connor e eu seguíamos nos falando, mas não estávamos nos vendo com frequência, era mais na escola, as vezes eu tinha medo de não resistir estando perto dele. Era um sábado, aniversário da minha mãe, e o que isso significava? Família toda unida e eu tendo que aguentar os chatos dos meus irmãos mais velhos, claro que eu tiro a Ketlyn disso. - E como vocês estão? - Mamãe perguntou para meus irmãos. - Bem. - Disse Sthefany. - Ah… - Spike deu de ombros. - Tô bem. - E por que a Giulia não veio? - Papai perguntou ao se referir à namorada do meu irmão. - Ela teve que trabalhar hoje. - Respondeu. Fiquei sentado no sofá sozinho enquanto via meus pais conversando com meus irmãos. Ketlyn estava brincando com Kim, os gêmeos estavam brincando juntos, o que era um milagre, pois eles já duravam mais de 10 minutos sem brigar, e Anabel estava sei lá onde. - O que foi, querido? - Mamãe perguntou ao sentar ao meu lado. - Nada. - Respondi. - Parece tristinho. - Me fez um leve cafuné. - Está tudo bem. - Dei um sorriso tristonho. Mamãe me deu um beijo no rosto e se retirou, indo até papai. Notei que Ketlyn estava me olhando, acho que havia escutado toda a conversa. A garota deixou Kim brincando e sentou ao meu lado. - Anda, me diga o que houve? - Nada, ué. - Dei de ombros sem conseguir olhá-la, porém, a senti me olhando. - Sabe… Eu acho que você devia convidar o Connor, chama ele pra cá. - Por quê? É o niver da mamãe e não o meu. - Falei. - E daí? Aposto que a nossa mãe não ia se importar. - Mas… - Pensei um pouco. - Eu não sei se é uma boa ideia. - Claro que é, b***a! Vai lá! Fiquei meio pensativo, não sabia se seria uma boa ideia mesmo, e se ele falasse "não"? Perguntei para mamãe se eu poderia chamar o Connor e rapidamente, ela disse que sim, pois gostava muito do garoto. Fiquei feliz por isso, mas ao mesmo tempo, estava apreensivo. Fui até a casa do Connor e toquei a campainha. Em seguida, ele atendeu, pareceu surpreso ao me ver. - Oi. - Deu um sorriso de canto de boca. - Hã… Oi… Hã… Minha mãe está de aniversário… - Sério? Que legal! - Falou animado. - E… Bom… Ela está fazendo uma festinha, algo simples, mais pra gente mesmo. Mas… Ela deixou eu te convidar. Quer… Hã… Quer ficar lá comigo? Ficar na festa e não… - Eu entendi. - Sorriu. - Eu quero sim. - Legal! - Falei. Nós dois fomos para a minha casa, e ele logo cumprimentou todos e parabenizou minha mãe, que disse estar feliz pelo garoto estar alí, eu também estava feliz. Ficamos sentados no sofá em silêncio, eu queria falar com ele, mas não sabia o quê, tinha medo de falar algo errado e ele ficar chateado comigo, eu não queria isso, não agora que eu estava curtindo ser amigo dele, Connor era legal. E então, Lindy se aproximou da gente, se dirigiu para o garoto e perguntou: - Connor, quer brincar com a gente? - Eu… - Ele não quer. - O interrompi. - O amigo é meu e vamos pro meu quarto. - Vão brincar do quê? - Perguntou. - De algo que criança não pode brincar. - Me dirigi para Connor. - Vamos. Fomos para o meu quarto e assim que entramos no meu dormitório, nos sentamos em minha cama. - Que brincadeira é essa que criança não pode brincar? - O garoto perguntou com um timbre malicioso. - Hã… Nenhuma. Eu só disse isso pra ela parar de encher. - Sério? Que pena! Eu queria brincar. - Quê? - Olhei para ele sem entender sua fala. - Eu queria brincar com você. - Colocou a mão em minha perna, me causando arrepios. - Connor… - Me levantei bruscamente, afastando-o. - Quando você vai parar de fingir que não sente o mesmo que eu? - Se aproximou de mim e olhou em meus olhos. - Você podia me dar uma data, né? Pois ficar nessa agonia toda é angustiante. p***a… Você tá me deixando louco, eu vejo tuas fotos, penso em você e meu amigo do andar de baixo já dá sinal de vida. E eu só penso em você, eu quero você. E quero muito. - Colocou as mãos em meu rosto. Eu olhava-o e sentia algo pulsar dentro de mim, era meu coração batendo mais rápido que tambor de escola de samba, fiquei com medo dele ouvir. - E a sua namorada? - Não é minha namorada, é minha ficante, e nem estamos mais ficando. Ela esteve em minha casa esses dias e terminamos. - Sério? - Perguntei surpreso. - Claro, como eu poderia ficar com alguém sendo a fim de outro? - Você… está a fim… de mim? - Perguntei. - Não, do Spike. Claro que é de você, i****a. Confesso que eu gostei de ouvir isso, e acabei dando um sorriso sem graça. Eu acho que também estava gostando dele, mas… Eu nunca havia ficado com um cara antes, e eu tinha medo de como seria isso, medo de julgamento das pessoas, da reação dos tios do Connor ao saberem e medo do que meus pais diriam quando eu falasse a verdade, eu não sabia quando isso aconteceria, mas eu sabia que um dia iria acontecer. - Eu… Eu acho que também gosto de você. - Acha? Não tem certeza? - Não. - Falei. - Me ajuda a ter certeza? - É pra já. - Falou ao dar um imenso sorriso. Connor me beijou. Um beijão digno de cinema, com direito a puxada de cabelo e tudo. E durante o nosso beijo, escutamos um abrir de porta, e… - Ai, meus olhos! Eu vi isso mesmo? - Não, você não viu, isso foi alucinação sua. - Falei para Anabel. - Ah, claro, e a Sininho é filha do Papai Noel. - Deu uma leve revirada de olhos. - Vocês estão namorando? - Deu um sorriso gigante. - Estamos? - O garoto olhou para mim. - Não, somos só amigos. - E você beija todos os seus amigos na boca? - Anabel perguntou. - Eu não vejo você beijar a Daphne assim. Connor e eu nos olhamos sem saber o que dizer, e pude notar o garoto segurando o riso. Acho que a menina realmente havia nos pegado. - Você não vai contar pra ninguém, né? - Connor perguntou. - Por que eu contaria? Não sou dedo duro. Mas estou feliz que meu irmão esteja namorando alguém legal. - Não acha estranho ele ficar com outro cara? - Estranho? Eu não! Bom, eu não entendo muito dessas coisas do coração, mas acho que as pessoas devem ficar com quem elas gostam, e se vocês se gostam, têm mesmo que ficarem juntos. - Você é demais, sabia? - O garoto perguntou. - Sabia! - Respondeu em tom de brincadeira e dando de ombros. Ah… Eu não sabia o que pensar, nem conseguia entender direito o que estava sentindo, mas eu estava gostando disso. Eu gostava do Connor, gostava de verdade, e gostava de estar com ele. Ah, estava torcendo para tudo dar certo entre a gente.
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