Cecilia A noite se arrastava, silenciosa e interminável, cheia dos fantasmas do nosso passado. Eu não precisava abrir os olhos para saber que ele não tinha dormido. Eu sentia o peso dos pensamentos dele pressionando o silêncio, pesados e inquietos. Através das minhas pálpebras, percebi a primeira luz pálida da manhã atravessando as persianas. Eventualmente, Xavier se levantou. Ele se movia devagar, como se cada passo em direção à porta fosse uma decisão que ele não queria tomar. Os passos dele eram suaves, mas ecoavam no meu peito como sinos de despedida. Quando a porta finalmente se fechou atrás dele, abri meus olhos. Exatamente como naquela noite anos atrás—quando ele saiu para a varanda para atender a ligação da Cici—assisti suas costas enquanto ele se afastava.

