Capítulo 72

1459 Palavras

  Cecilia   A noite se arrastava, silenciosa e interminável, cheia dos fantasmas do nosso passado.   Eu não precisava abrir os olhos para saber que ele não tinha dormido. Eu sentia o peso dos pensamentos dele pressionando o silêncio, pesados e inquietos.   Através das minhas pálpebras, percebi a primeira luz pálida da manhã atravessando as persianas.   Eventualmente, Xavier se levantou. Ele se movia devagar, como se cada passo em direção à porta fosse uma decisão que ele não queria tomar.   Os passos dele eram suaves, mas ecoavam no meu peito como sinos de despedida.   Quando a porta finalmente se fechou atrás dele, abri meus olhos.   Exatamente como naquela noite anos atrás—quando ele saiu para a varanda para atender a ligação da Cici—assisti suas costas enquanto ele se afastava.

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