Natural.

1047 Palavras
Depois do que Maverick falou, Vicent não parava de pensar em tudo que Maya poderia ter vivido todos aqueles anos. A sua raiva só aumentava quando se lembrava das marcas que viu no corpo dela. Se perguntava como poderia existir no mundo um ser tão irracional a ponto de machucar uma mulher como Maya. Maya era a mulher mais incrível que já havia conhecido em toda sua vida, aquilo não tinha explicação. Na verdade, a única explicação plausível seria que quem fez aquilo era com toda certeza um crápula. Somente um ser humano tão r**m, com podridão interior poderia fazer aquilo com outra pessoa indefesa. Era inacreditável e muito irritante, não gostava da ideia de pensar que Maya havia sofrido tanto assim. Olhou em seu relógio e viu que já era horário de almoço, respirou fundo, precisava se controlar. Combinou com Maya que iria almoçar com ela, não queria estar tão m*l humorado perto dela. A encontrou no refeitório, sorrindo como sempre, nunca a viu de cara fechada, aliás já sim, mas por sua causa. Foi o próprio quem causou o m*l humor de Maya por alguns dias, quando falou palavras horríveis a ela. Pegou uma bandeja e se serviu, logo depois foi para a mesa em que Maya estava com Maverick. Maverick estava ao lado dela, Vicent o olhou esperando que ele se tocasse do que nem havia falado. Ele suspirou, se levantou da cadeira pegou sua bandeja e se sentou em outra mesa longe de Vicent. Agora não precisaria mais fazer companhia a Maya na hora do almoço, ela arrumou outra companhia. --- Pensei que não viria me fazer companhia. --- Eu disse que viria, eu cumpro o que falo. --- Agora eu vejo que sim, percebeu o quanto foi o assunto do dia? --- E como eu não poderia? Os olhares em mim o dia todo foi impossível não notar. --- Quem mandou ser um chefe que vivia com a cara fechada o tempo todo. --- Eu estava sempre com uma carranca? --- Com toda certeza. --- É de se esperar. Vicent não pensou que era tão bom almoçar na companhia de alguém, era a melhor coisa da vida. Almoçar com alguém era sempre bom, e seria ainda melhor quando fosse na companhia de toda a sua família. E por falar em família, se lembrou que as crianças saíam da escola à tarde. Teria que sair da empresa mais cedo, ao menos alguns dias na semana, não poderia largar a empresa por completo. Porém não poderia largar suas filhas por completo, não novamente, já tinha feito isso muitas vezes. Tudo que mais estava precisando era se tornar um bom pai, e faria de tudo para que isso acontecesse. Após terminarem o almoço, foram os dois para sua sala, precisavam conversar sobre o novo game. Queria também ver quais eram as ideias que Maya já havia criado, estava curioso e ansioso pelo resultado dela. Maya entregou seu Iped, Vicent olhou atentamente, detalhe por detalhe, o cenário primeiro. De bater o olho já tinha certeza que não poderia ser criado uma cenário tão bom quanto aquele. --- Maya, está incrível, exatamente como eu queria, algo único, e jamais visto. --- Eu imaginei que você iria querer algo extremamente incrível, por isso dei o meu melhor, mas ainda acho que falta algo. --- Não se preocupe, com o tempo podemos aperfeiçoar o que está faltando. --- Sim, os personagens não criei ainda, estava em dúvida, por isso deixei para que decidisse. Uma longa conversa sobre qual personagem poderia ser criado foi iniciada. Naquele momento Maya descobriu algo que estava deixando sua experiência ali ainda mais incrível. Não poderia ter feito melhor escolha, sonhar em trabalhar ali não foi uma perda de tempo. Vicent era o profissional em games mais habilidoso que já conheceu, tanto em crítica, imaginação, criação, ele era totalmente incrível no quesito CEO. Conversar com alguém tão habilidoso e que trabalhava na mesma área que a sua, sempre foi também um sonho de Maya. Estava realizando esse sonho, melhor ainda, era com seu marido, o que significava que poderia conversar sobre isso com ele sempre. --- No que está pensando Maya? --- Em como você é habilidoso, e no quanto é incrível ter uma conversa de games com meu marido. --- O que me fascina mesmo é a sua habilidade em ser sincera, como consegue falar algo assim tão naturalmente? --- Se é algo que sinto e que acredito ser verdade, eu sempre falo sinceramente. --- Estou tentando compreender. --- Com o tempo você se acostuma. --- Algo que já me acostumei é com sua capacidade de conversar. --- Como assim? --- Você fala muito, mas o bom nisso, é que suas conversas não são chatas, você simplesmente sabe manter uma conversa tão bem, que é impossível não prestar atenção. --- Isso não ocultou o fato de que você acha que eu falo demais. --- Ok, nessa parte talvez eu tenha errado. Vicent sorriu, tentou ser sincero, mas percebeu que para ser sincero, precisava também saber usar as palavras certas. E usar palavras não era o seu forte, nunca conversou tanto com alguém, como conversava com Maya. Estava acostumado a conversar com Maverick, Enoch, seus pais, mas conversar com Maya era novidade. Tudo que estava acontecendo em sua vida desde o dia anterior, era novidade, e estava aprendendo a apreciar. Sua vida ainda estava bagunçada, com o tempo iria se organizar aos poucos. E não seria difícil, imaginou que seria, mas na verdade o que precisava, era somente gerenciar o seu tempo corretamente. Doar todo o seu tempo ao trabalho, não poderia fazer sua vida valer a pena. Se vivesse a vida toda para o trabalho, quando chegasse um momento em que não poderia mais trabalhar, sua vida se resumiria a nada. Tudo não seria nada se continuasse do modo que estava, não queria mais essa realidade para sua vida. Estava decidido a mudar, e se lembrando de Maya, estava decidido a viver ao lado dela. Mais ainda, estava decidido a descobrir toda a verdade sobre o passado dela. Pensar no que poderia fazer em relação ao que aconteceu com ela, isso deixava seu interior com mais raiva. Se conter seria a tarefa mais difícil da sua vida, ainda assim, precisava ser paciente, e muito.
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