Confusão.

1056 Palavras
Já em casa, após terem buscado as crianças na escola, Maya e Vicent estavam no quarto. Era noite, as duas já dormiam como dois anjinhos, não demorou para o cansaço as atingirem. Maya estava pensativa e Vicent não deixou de notar isso, tinha algo a incomodando e isso era inegável. --- Felicia disse algo que deixou você pensativa assim? --- Ela me disse para procurar a ajuda de um profissional. --- E não quer aceitar isso certo? --- Não está na cara a resposta? Vicent trouxe Maya para mais perto de si, cheirou o pescoço dela, adorava tanto aquele cheiro que estava sempre com o nariz ali. Mas Maya também havia notado que ele muitas vezes fazia aquilo quando não estava tendo coragem para dizer algo. --- Você concorda com ela, não é? --- Desculpe Maya, eu não queria ir contra você. --- Tudo bem, eu não me importo com isso, mas só para deixar bem claro eu não estou doente Vicent. --- Então porque isso te incomoda tanto? Você já disse que está bem e que isso não se tornou uma doença, então por que toda essa preocupação? --- Está bagunçando a minha mente Vicent. Maya bagunçou seus cabelos, agora sua cabeça estava ainda mais confusa, e tudo isso por algumas simples palavras de Vicent. Ao que parecia os seus pensamentos estavam sendo revirados, de tal forma que estava causando uma enorme bagunça. Mais uma vez Vicent se abraçou ao corpo dela, sorriu enquanto a abraçava, ficou perdida. Não entendia o motivo pelo qual Vicent estava sorrindo tanto, e não parecia um bom momento para sorrir. --- Por que está sorrindo Vicent? --- É hilário, você mesma não sabe o que está acontecendo dentro de você, e ainda está indecisa com toda essa situação. --- Eu não posso ter dúvidas em relação a mim mesma? --- Pode, mas não quando o assunto é tão sério e simples de se resolver. --- Não imaginei que você fosse tão bom em decisões. --- Eu não era Maya, mas agora eu sou. --- Ok, você é um novo Vicent, isso é compreensível. Maya se deu por vencida, estava dando a razão a Vicent, não queria mais discutir sobre aquele assunto. Não tinha mais forças para falar sobre uma possível doença, que não era física, isso estava dificultando sua vida. Os dois ficaram em silêncio e não demorou a dormirem, tão profundamente como se não tivessem tido aquela conversa a minutos atrás. No dia seguinte, Vicent se reuniu com Enoch e Maverick, em sua sala na empresa, estava precisando daquele momento. Enoch e Maverick não sabiam dos detalhes sobre o passado de Maya, a única coisa que sabiam e entendiam, era que ela havia sofrido. E o principal autor desse sofrimento foi Harry, detalhe importantíssimo para o que iriam fazer. Vicent não tinha ideia do que fazer e por onde começar, por isso estava ali com os dois, para colocar as ideias em jogo. Para ele era difícil ter ideias tão mirabolantes ao ponto de ser extraordinário, não poderia fazer tudo isso sozinho. E aquele também parecia ser um péssimo dia para ter ideias, Enoch e Maverick não tinham nenhuma boa o suficiente. A destruição de Harry dependia de um plano altamente extraordinário, e até agora Vicent não tinha isso. Como não queria somente encontrar provas e colocá-lo atrás das grades, seu esforço seria muito maior. --- Sua decisão em acabar com Harry parece a mais difícil que já tomou em toda sua vida, como podemos não ter nenhum ideia do que fazer com aquele crápula? --- Não pensou que seria fácil certo Maverick? Nunca é, e como a decisão de Vicent foi essa, se tornou ainda mais complicado. --- E então Enoch, não tem nenhuma saída agora? --- Claro que tem cara, sempre tem, só precisamos pensar um pouco mais, não estamos pensando atentamente. --- Minha cabeça está quase explodindo e você vem dizer que não estamos pensando direito Enoch? Maverick olhou perplexo para Enoch, não estava acreditando que ouviu aquilo. Sua cabeça estava fervendo, ainda assim não tinha nenhuma ideia. Isso causava frustração, era isso que todos ali estavam sentindo naquele momento. Algo que nenhum dos três ali aceitava era uma derrota, e não aceitariam isso jamais. Foi por isso que Enoch deu um salto do sofá, com um sorriso vitorioso no rosto, finalmente. --- E então? --- Eu acho quase impossível Harry não cair abaixo do fundo do poço com o plano que tenho em mente Vicent. --- Pelo seu tom de voz parece destruidor. --- Vá por mim, Maverick, é muito destruidor. Enoch começou a contar o que tinha em mente, a cada palavra dele Vicent abria um sorriso de orelha a orelha. Estava radiante, mais uma vez seu irmão se superou, se sentiu a pessoa mais sortuda do mundo por ter Enoch como irmão. Foi por isso que o abraçou assim que ele terminou de falar tudo que queria. --- Não vem com seu grude Vicent, você não é assim, não me faça pensar que é um alienígena. --- Isso é só o amor falando mais alto, você teve uma ideia para destruir o cara que fez a esposa dele sofrer, esperava menos Enoch? --- Fique quieto Maverick, você não sabe de nada. --- Como se você não fosse um livro aberto não é? --- Não discutam como se fossem duas crianças. --- Fique quieto também Enoch, você também age como criança as vezes. --- Isso se tornou uma disputa Vicent? --- Se for uma seu irmão ganha com toda certeza. --- Estão mesmo contra mim? --- Estamos maninho. --- Exatamente como eu imaginava. Ainda que fosse um momento sério, tornar o ambiente mais leve não fazia m*l. Brincar em momentos sérios era o maior ponto forte dos três, nisso eles tinham muito em comum. Quem olhasse de fora poderia dizer facilmente que eles eram irmãos, de sangue. Claro, Maverick era como da família, quase irmão, mas não com vínculo sanguíneo. Não podia haver dúvida entre eles, qualquer um dos três que precisasse, todos se juntariam para ajudar. Como se fazia em uma família, era inegável, eles tinham um laço muito maior que a amizade. Ainda que brigassem, às vezes se odiassem ou não assumissem isso, amavam um ao outro como verdadeiros irmãos. Nada no mundo poderia anular o vínculo que ligava os três.
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