Elouisa e eu, acordamos um pouco antes do horário do almoço.
Meu celular, que estava descarregado, assim que ligou travou de tantas mensagens de meu pai e minha mãe.
Respondo apenas que chegarei lá amanhã, e conversamos.
—Amiga, que calor nesse Rio de Janeiro, mas olha essa vista.
Ela diz, indo até a sacada do quarto.
Abro um sorriso ao ver que depois de tudo, ela está feliz.
—Vou tomar um banho e podemos ir conhecer um pouco a cidade, antes de ir pra Sampa.
—Como vai ser em São Paulo? Seus pais não vão achar r**m de eu estar aqui?
Solto uma risada.
—Amiga, relaxe. Nós não vamos morar com meus pais o resto da vida, vou pedir pra ficarmos lá até eu arrumar um apê pra nós e um emprego.
Ela suspira, balançando a cabeça.
—Tá bom, amiga. Vou tomar um banho que estou morrendo de fome.
Ela segue por banheiro e eu começo a arrumar a cama e procurar uma roupa pra esse calor.
Arrumamos tudo com pressa, que nem paramos pra pensar direito, muita coisa ficou. Mas não posso ficar pensando nisso.
Afasto meus pensamentos e assim que Elou sai do banheiro, eu entro e tomo um banho, pra começar uma nova vida.
...............
Assim que terminamos de nos arrumar, começamos a descer pra encontrar comida pra gente.
Na metade da escada, já vejo Ícaro andando de um lado ao outro entre a sala de jantar e cozinha.
—Bom dia, meninas.
—Bom dia.
Respondemos juntas.
—Com fome?
—Sim, famintas.
Ele solta uma risada.
—Estou preparando um almoço pra gente. Vou buscar Aurora e volto.
Ele diz, colocando o pano de prato sobre o balcão.
—Precisa que faça algo?
—Apenas olhe se a comida não vai queimar. Já chego de volta.
—Ok, cunhadinho.
Ele abre um sorriso enorme.
—Com licença.
Ele diz e sai.
Assim que a porta se fecha, Elou gruda em meu braço.
—Amiga, esse é o velho que você me disse?
Encaro ela.
—Sim, por que?
—Amore, que Deus me dê um velho assim também.
Solto uma risada.
—Deixe de ser safada, ele é meu cunhado.
Ela fica séria.
—Eu sei né, mas não podemos negar que ele é lindo. Com todo respeito, é claro.
—Eu sei, mas depois de tudo que vivemos, não quero nem saber de homem.
Ela deixa seus ombros caírem.
—Não fale isso, você é linda e está apenas começando a vida. Não deixe que o que aconteceu te afete.
Balanço a cabeça.
—Não vamos mais falar sobre isso, daqui a pouco Aurora chega e não quero ter isso na cabeça.
Ela concorda.
—Além de lindo, Ícaro é observador, e não quero ser alvo de sua observação.
Ela sorri, apenas concordando.
Vou até a cozinha e vejo como está a comida e enquanto esperamos, tomamos um copo de água gelada.
.................
—Chegamos!
Ouço Aurora gritar, assim que passa pela porta.
—Estamos na cozinha.
Grito em resposta, tirando a travessa do forno.
Alguns segundos depois, ela entra acompanhada de Ícaro.
—Que cheiro bom...
Ela diz se aproximando.
—Verdade, mas o mérito é de seu marido, eu apenas tive o trabalho de não deixar queimar.
Digo sorrindo, colocando a travessa sobre o aparador na mesa.
Depois de tudo estar na mesa, nos sentamos e começamos a almoçar.
—Consegui a tarde de hoje de folga, assim podemos curtir um pouco juntas, matar a saudade.
Ela diz e olha pra Elouisa.
—Desculpe, falo em português e esqueço que você é inglesa.
Elouisa ri.
—Está tudo bem, aprendi muita coisa com Briana e não sei falar tão bem, mas entendo quase tudo.
E assim seguimos durante todo o almoço, conversando e falando sobre algumas coisas boas da Europa.
—E então Briana, vão ficar por quanto tempo aqui no Brasil?
Antes que eu possa responder, Elouisa engasga com o suco.
—Ainda não decidimos sobre isso, vamos aproveitar o sol e calor carioca?
Me levanto, sem deixar de perceber o olhar curioso de Aurora e uma sobrancelha erguida de Ícaro.
—Vamos, vou tomar um banho e colocar uma roupa fresca.
Ela diz, da um beijo em Ícaro e sai.
Meu Deus, eles são sempre assim?
Tão... Tão... Carinhosos?
Balanço a cabeça e Elou diz que vai colocar um sapato confortável, começo a recolher as coisas e Ícaro começa a me ajudar.
—Briana, me permite fazer uma pergunta?
Ele diz, vindo atrás de mim na cozinha.
—Claro, o que foi?
Ele coloca a travessa no balcão e cruza os braços, se encostando no mesmo.
—Sinto que tem algo de errado nessa sua vinda repentina ao Brasil.
Solto uma risada nervosa e tenho vontade de arrancar aquela sobrancelha dele, que se ergueu de novo.
—Isso é coisa de sua cabeça, Ícaro.
Digo, desviando o olhar.
—Por que não consigo acreditar nisso?
Dou de ombros.
—Não sei, Ícaro...
Ele me analisa por mais alguns segundos.
—Conheço vocês desde sempre, eu sei quando estão mentindo. Mas é você quem tem que dizer a verdade.
—Se tivesse uma, eu diria... Mas não se preocupe Ícaro, isso é apenas algo de sua cabeça. Fique tranquilo.
Ele dá de ombros e apenas concorda.
—Tudo bem, não toco mais nesse assunto.
Respiro aliviada.
—Mas, se você estiver em apuros, por favor... Não demore a nos contar, por que sabendo, é mais fácil precaver.
Balaço a cabeça e volto a sala de jantar, pegar o restante das coisas.
Ainda bem que vou embora amanhã de manhã.
É difícil esconder as coisas de Ícaro.
Ainda mais, sendo uma péssima mentirosa como eu sempre fui.
Maldito Harry, entrou na minha vida apenas pra me destruir.
Depois que limpamos ali, subo e coloco um sapato mais confortável e saímos nós quatro pra passear pelo lindo Rio de Janeiro.
Não sabia que sentia tanta saudade de minha irmã, até passar uma tarde inteira dando risada com suas palhaçadas e com seu carinho.
Como é bom estar de volta, não estou inteira... Mas irei me reformar..
O Brasil sempre foi minha casa, agora mais do que nunca, será meu lar.