ALLONSO ALBUQUERQUE Tomei a garrafa inteira de uísque. Mas o que eu estava sentindo não passou. Só piorou. A raiva continua aqui. Ardendo. O ódio daquele desgraçado ainda pulsa em cada veia minha. E a culpa? A culpa me corrói como ácido. Eu devia ter estado com ela. Devia ter protegido. Abraçado. Feito diferente. Depois de quase abrir um buraco no chão de tanto andar de um lado para o outro, com os pensamentos me torturando, resolvo tentar dormir. Mas não vou pro meu quarto. Não. Meu corpo vai sozinho, como em piloto automático, direto até o quarto da minha pequena. Abro a porta devagar, e lá está ela… Linda, serena, completamente vulnerável… Dormindo como se tentasse fugir da realidade até nos sonhos. Me aproximo devagar. Me deito atrás dela. Sinto seu cheiro. Doce, cal

