A exigência cortante de Nelson atravessou o ar como uma lâmina, atingindo Claire em cheio. Ela ergueu a cabeça devagar, enfrentando seu olhar furioso. Naquele instante, o homem à sua frente parecia um completo estranho. Todos aqueles anos — de espera, esperança e confiança — subitamente se desfizeram, revelando-se uma c***l ilusão.
Sua voz saiu calma, mas firme. "Nelson. É isso que você realmente pensa de mim?"
Ele hesitou. A fúria em seus olhos deu lugar a um lampejo de incerteza. O homem amarrado no chão estava machucado. As roupas de Claire, embora levemente desalinhadas, estavam intactas. Ele abriu a boca para falar — mas nenhum som saiu.
"Nelson!" Os olhos marejados de Serena fixaram-se nele enquanto ela segurava sua manga. "Não fique bravo com ela. Talvez… talvez ela tenha apenas cometido um erro. Esteve sozinha no exterior por tanto tempo… pode ter se sentido solitária e… se envolvido com a pessoa errada…"
Sua voz tremia com uma vulnerabilidade ensaiada. Alguns convidados próximos suspiraram baixinho, seus olhares julgadores pousando sobre Claire, agora mesclados com um misto de pena e desdém.
A expressão de Claire não se alterou. Então, ela riu — um som suave, breve e frio. Endireitou-se lentamente, seu olhar percorrendo a multidão.
Com uma calma deliberada, pegou da bolsa o que parecia ser um simples tubo de batom.
Pressionou um botão oculto.
Um leve zumbido eletrônico surgiu, seguido por uma gravação nítida e inconfundível.
Primeiro: o som de uma porta batendo. Depois — o clique decisivo de uma chave girando na fechadura.
Em seguida, sua própria respiração ofegante.
Uma voz masculina rosnou: "Cale a boca e fique quieta! Você foi paga. Hora de cumprir."
Então, a voz controlada de Claire: "Quem te enviou? Pago o dobro. Apenas pare."
Uma risada sarcástica ecoou. "Acha que uma falsa herdeira como você pode bancar isso? A Sra. Thompson foi clara — ela quer você humilhada. Arruinada. Seja boazinha, obedeça, e talvez não doa tanto."
Então —
Um grito agudo.
Um gemido de dor abafado.
A voz de Claire, baixa e gelada: "Tente se mexer de novo, e não será só o nariz que vai quebrar."
Silêncio.
O ambiente congelou.
Os convidados emudeceram. Os sorrisos desapareceram.
E Nelson…
Sua expressão, já sombria, tornou-se uma máscara de gelo.
Ele virou-se lentamente para Serena, que ainda se agarrava à sua manga, com o rosto totalmente desprovido de cor.
"Não — Nelson, escute-me," ela gaguejou. "Ela está mentindo! Está me incriminando! Essa gravação… é uma farsa!"
Lágrimas escorriam por seu rosto, todo o seu autocontrole desmoronando.
Nesse momento, Elena surgiu no meio da multidão, ofegante e alarmada.
"O que está acontecendo? O que fizeram com a minha Serena?"
Ela correu para a filha e a puxou para um abraço protetor.
Ao ver Serena chorando incontrolavelmente, seus olhos se voltaram para Claire — cheios de hostilidade e acusação.
"Hoje é o aniversário da Serena, Claire. Você não poderia se portar bem, nem por uma noite?"
Serena enterrou o rosto no ombro da mãe, chorando ainda mais convulsivamente. "Mãe, não fui eu… A Claire está tentando me culpar por algo que nunca fiz…"
Ela tremia violentamente, como se fosse desfalecer a qualquer instante.
A fúria de Elena só aumentou.
"Como você pôde fazer isso com ela? Nós a criamos por vinte anos, Claire! E é assim que nos retribui? Com tanta crueldade?"
Nelson franziu a testa ao observar o estado de Serena. Instintivamente, seu corpo inclinou-se para frente — o mesmo reflexo condicionado de anos sempre que ela tinha um de seus "episódios".
Claire viu tudo. Ela se lembrou do dia em que Serena retornou a esta casa. De como Elena correu para reivindicar o quarto principal para sua "verdadeira" filha. De como tudo o que era seu foi entregue sem hesitação. Por anos, foi tratada como uma sombra. Uma serva. Uma substituta. Duas décadas de laços supostamente familiares — despedaçados em um instante.
E agora, eles ousavam olhar para ela como se fosse a traidora.
Com os braços cruzados, a voz de Claire ecoou, firme e afiada: "Serena, você trouxe todos aqui esperando me encontrar em uma situação comprometedora. E se tivessem me encontrado?"
Serena estremeceu, encolhendo-se ainda mais no abraço de Elena, mas permaneceu em silêncio.
A voz de Elena elevou-se, trêmula de raiva: "Claire, não pode ser a mais madura? Olhe o que fez — a Serena m*l consegue respirar!"
"Chega," disse Nelson, finalmente. Sua voz era baixa e contida. "Serena não está bem."
Claire voltou-se para ele. Um sorriso amargo tocou seus lábios.
"Então, toda vez que ela desmorona, eu preciso me calar? Assumir a culpa? Esse é o meu papel nesta casa?"
Nelson cerrou o maxilar. "Agora não é hora para isso."
"Não," Claire concordou, friamente. "Você está certo. Não é hora de discutir."
Ela fez uma pausa, seu olhar encontrando o dele com uma firmeza absoluta.
"É hora de terminar."
Ela respirou fundo, cada palavra clara e decisiva.
"Os papéis do divórcio já estão assinados."