Era uma bela manhã de primavera. O sol cintilava, as flores abriam-se lindas e radiantes. Assim, como um lindo sorriso estampado no rosto de uma garotinha de quatro anos.
Ayla Aysha tinha uma beleza exuberante, seus cabelos vislumbravam-se como a noite, e os olhos, irradiavam-se como a luz do luar. Ela corria alegremente pela rua, pulando entre as pedras que encontrara pelo caminho.
Embora Aysha, não pudesse sair de casa sozinha, escapou-se enquanto sua mãe estava a engomar roupas. Era errado fugir ela sabia, mas nada de r**m poderia acontecer - pensava ela -, nada poderia tirar-lhe sua jucundidade e despertamento naquele dia ensolarado...
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A garota em pouco tempo já estava longe de casa, encontrava-se à frente de um lindo jardim, um jardim glorioso, na sua opinião. Lá, havia flores e plantas com cores e espécies de todos os tipos que ela jamais pudera imaginar que existira. A flor que ela mais gostava era a Helianthus - mais conhecida pelo codinome, flor de girassol. Que segundo ela, o amarelo é uma cor viva e que transmite uma aura positiva e calorosa. O girassol podia até ser uma planta, mas suas belas folhas amareladas pareciam como pétalas, ainda assim ela não se importara. Para ela, o girassol era abençoado pelo sol, era incrível, que, de sol à chuva, de chuva à sol, essa planta era capaz de sobreviver a tudo! Ela queria ser como um girassol, eram sempre juntos. Eram .como uma família completa - coisa que a mesma jamais poderia ter.
Nunca conhecera seu pai. Sua mãe sequer falou-lhe dele. Somente que os abandonou quando a mesma ainda permanecia no ventre de sua mãe.
- Desejas alguma coisa, pequena criança? - perguntou-lhe uma voz que de súbito, a tirou de seus devaneios viajantes - Estás perdida? - para sua sorte, ou azar era só um jardineiro.
- Não, senhor. Não estou perdida - Sem medo algum, a menina respondeu-lhe.
A garota avaliou o homem por um instante. Ele tinha a aparência bem apessoada e não parecia um facínora ou um malfeitor pelo seu sotaque e tom de voz formal.
Ele era alto e forte, mas nada musculoso. os cabelos do mesmo eram castanhos, poucos grisalhos, e olhos que pareciam duas safiras azuis brilhantes. Ele parecia ter por volta de cinquenta e cinco anos. Aysha pôs-se a fitar a planta novamente. O homem agachou-se ao lado da garotinha arqueando as sobrancelhas, curioso.
- São belas, estou errado? - comentou o homem, percebendo a atenção que Ayla tinha na planta.
- É belíssima! Uma das mais bonitas que já vira - disse ela, com imenso entusiasmo - Quanto custa? Ela cruzou os dedos, esperançosa. A garota não possuía dinheiro naquele momento, mas tinha esperança de que o homem aceitasse o pagamento no dia seguinte.
- Sinto muito, pequenina. Mas estas flores não estão à venda. Sou apenas o jardineiro delas - disse ele, a consolando. Mas, mesmo assim o sorriso da garotinha esvaiu-se.
- Ah, tudo bem. Sinto em atrapalhá-lo em vosso trabalho, senhor.
E, ela virou-se em seguida, rumo a sua moradia. Não teria nada para fazer a não ser seguir o caminho de volta para casa. Pois sua mãe completara trinta primaveras efemérides, e a flor de girassol era o único motivo da mesma ter saído às escondidas de casa.
- Espere - o homem a chamou. Ele apalpou as mãos na terra sob a flor de girassol. A apanhou e pousou em suas próprias mãos tão delicadamente, que era como se fosse um bem mais precioso que o mesmo estava carregando. Em seguida, a entregou gentilmente naquelas mãos pequeninas.
- Podes levar, apenas peço que não conte para ninguém. Será nosso segredo, combinado? - pediu ele. E um sorriso enorme se alargou no rosto da garotinha.
- Não contarei a ninguém! Muito, muito obrigada, senhor!
O desconhecido - que, neste momento não tão desconhecido assim recebeu um abraço bem apertado pelos seus pequenos braços.
Ele surpreendeu-se, mas retribuiu o gesto carinhoso e de infantilidade da criança.
- Podes me chamar de Eliek, Daves Eliek.
- O meu nome é Ayla Aysha Allanane. Nasci dia Dezenove de Setembro, e tenho quatro anos! apresentou-se ela, bastante entusiasmada
- Sinto não ter falado meu nome antes, acabei esquecendo - ela riu. A sonância curta de sua risada zoava como a alegria e a infantilidade de uma criança feliz e completa, mas Aysha já não era tão completa assim.
- Bem, então muito prazer em conhecê-la, senhorita Ayla.
- O prazer é todo meu.
- Nossa, és uma garotinha muito avançada para sua idade, sabes disto?- proferiu ele com admiração - O meu neto tem exatamente a vossa idade e não consegue formar uma única frase!
- Sim, eu sei! - sorriu - Minha mãe diz que falo pelos cotovelos. Às vezes me manda parar de falar, porque é atazanante.
- As melhores pessoas são assim. São faladeiras, contagiantes e cheias de vida. Você tem muito a oferecer ao mundo, pequenina.
- Sou muito inteligente e perspicaz. A minha mamãe é professora e está ensinando-me a ler. Sei juntar as sílabas, escrever meu nome e até contar os números até o cem! - ela contou com seu vocábulo perfeito. Ao qual nenhuma criança daquela idade conseguiria falar.
- Muito bem! Continue assim e irás longe, pequena.
- Quero ser igual a ela quando crescer - ela disse alegre.
- Não desistas desse sonho, segure-o firme e o alcance. Eu não tive a oportunidade de tornar-me o médico que sonhava em ser desde a infância, pois acontecimentos fizeram-me abandonar os estudos para trabalhar - disse ele com um sorriso meio triste - E aqui estou eu, trabalhando com jardinagem. Não que eu não goste, mas é realmente bom conseguir o trabalho dos seus sonhos.
- Eu irei conseguir! Não irei desistir. E creio que o senhor também conseguirá ser um médico, senhor Eliek. O melhor do planeta! - disse ela felizarda e o homem riu.
- Já estou velho demais para isto, pequena - disse ele afagando carinhosamente a cabeça da menininha - Bem, nossa conversa está realmente muito agradável, pequena. Mas tenho um trabalho a fazer e está na hora de uma garotinha voltar para casa, não é mesmo? - disse o homem se levantando
- Ah... Sim. É verdade - ela assentiu meio triste. Pois desejava muito continuar conversando com seu novo amigo.
- Moras perto deste local? Eu posso levar-te para casa. É perigoso uma criança tão pequena andar desacompanhada por estas vielas escuras de raios de sol.
- Não necessitas disto, eu moro perto desta rua, senhor - mentiu ela. Não podia dizer que saiu escondida, se sua mãe descobrisse...
- Não precisa se preocupar, senhor Eliek - Sua mãe ficaria muito desapontada.
- Mais uma vez, obrigada pelo girassol.
- Ainda a verei?
- O senhor não se livrará de mim tão cedo - brincou ela.
- Até logo, senhor Eliek.
- Tchau pequenina Ayla, e tome bastante cuidado ao andar por essas ruas,elas estão cada dia mais ameaçadoras - a alertou.
- Eu sei me cuidar muito bem - ela deu uma piscadela para ele, partindo em seguida saltitante.
- Ai,ai, essas crianças... - suspirou o homem sorrindo. E voltou ao seu trabalho de anteriormente.