A primeira noite no novo apartamento foi um pouco estranha. Thomas não tinha o costume de dormir em ambientes diferentes que não fossem o seu próprio quarto, sentindo-se envergonhado por ser tão mimado e fresco, no entanto, não era como se pudesse controlar. Entretanto, tinha certa familiaridade, seus móveis — trazidos pelos pais em um caminhão de mudança — estavam ali, mas ainda assim não era a mesma coisa.
Quando pequeno, o problema era bem pior — jurava ter monstros no espaço ínfimo entre sua cama e o chão ou no guarda-roupa, esperando que ele dormisse para atormentá-lo das piores formas —, então, seus pais o abrigavam no conforto dos braços de sua mãe, porém, esticando-se entre eles no meio da noite.
Por precaução, temendo que isso aconteceria, empacotou a camiseta esquecida do Pierre ainda adolescente em uma das noites em que passaram acordados apenas jogando conversa fora — desde qual seria a sua estratégia em um ataque zumbi à contagem das estrelas no céu. Foi no meio da semana, com aula no dia seguinte, talvez por isso ele tenha deixado sem querer. O mais novo nunca devolveu, não por falta de tentativas, ele apenas era distraído demais para entregar nas chances que tinha.
Antes, não pensava em vestir, afinal, pertencia ao seu melhor amigo, deixando-a dobrada ao lado do travesseiro para lhe salvar dos pesadelos que apareciam de vez em quando, contudo, com a ausência dele de quando decidiu morar na capital, a necessidade de sentir que estava perto do moreno surgiu de uma uma forma bastante irresistível de evitar. Estranhamente, era como se ele estivesse bem ao seu lado, mantendo seu sono tranquilo e seguro.
Naquela noite, o mais novo teve a mesma sensação, precisando do conforto familiar para se acalmar, sendo tão irônico quanto assustador, já que o moreno estava no quarto ao lado. Contudo, como o encararia no café da manhã com sua roupa em seu corpo sem ter uma boa explicação? Thomas sempre pensava o pior de toda e qualquer situação na qual se encontrou um dia, até mesmo quando o abordou pela primeira vez — achou que iria explodir. E por mais que tenha dado certo, não tinha certeza que aquela situação teria salvação.
A batalha que travava em sua cabeça pareceu ter durado horas, com inúmeras possibilidades dos piores cenários como o centro de suas preocupações — nenhuma solução aparecendo —, contudo, apenas cinco minutos se passaram até que fosse interrompido pelo amigo.
— Quer ajuda para arrumar alguma coisa?
O mais novo se assustou, voltando ao presente devagar, m*l percebendo as palavras do outro moreno. Seus olhos arregalados, por ter sido pego desprevenido, dizia muito sobre como se sentia, perdido e sem saber o que responder. Seu rosto aqueceu, como se Pierre tivesse entrado em sua cabeça e lido seus pensamentos sobre o que queria fazer.
Renaud observou o ambiente cheio de caixas fechadas por todos os cantos — apenas a cama estava livre, onde ele se encontrava sentado com as pernas cruzadas em perna de índio —, lembrando de como se sentiu quando se mudou para lá. Ele entendia muito bem o desconforto em dormir em um lugar estranho, ainda que fosse sua nova casa, até se acostumar, levava um tempo — duas semanas em seu caso.
A única coisa que o deixou mais à vontade foram as meias que o mais novo esqueceu em sua casa na última noite na cidade natal, levando aquilo como um presente de despedida. E, ainda que soubesse que tinha que devolver, algo dentro de si a manteve por perto, usando-as quando a saudade apertasse. Toda vez que a via na gaveta do seu guarda-roupa, sorria com a imagem do outro moreno balançando os pés no sofá enquanto conversavam e devoravam a comida japonesa que tinha pedido.
— O que você fez para dormir na primeira noite? — Thomas se pronunciou finalmente, trazendo a atenção do mais velho para si, um sorriso pequeno se mostrando nos lábios fartos. — Acho que iria precisar ligar para minha mãe.
Pierre riu soprado, adorava como ele sempre dizia algo divertido para mascarar suas inseguranças. O conhecia tão bem a ponto de identificar suas armaduras, assim como ele também fazia consigo. Andando devagar, alcançou o colchão macio com os dedos, decidindo se sentava ou deitava ao lado do melhor amigo.
— Gostaria de poder dizer que tenho uma solução perfeita para isso, mas na verdade demorei cinco horas para finalmente cochilar meia hora.
Ele só tinha lembrado do presente do moreno depois de muito revirar na cama, desejando que o cansaço apenas o derrubasse, contudo, deixou isso de lado, não querendo assustá-lo ainda mais.
Thomas riu, puxando o mais velho para se deitar ao seu lado. A sensação de ter os braços se encostando — mesmo que minimamente — aquecia seu corpo inteiro com a familiaridade. Eles costumavam fazer isso todas as noites que Pierre dormia na sua casa, a conversa fluindo normalmente até que pegassem no sono ou o silêncio de quando não tinham um assunto em mente. Era como se tivessem dezessete e quatorze anos novamente.
— Estou muito feliz de estar aqui — o Lorey disse em uma voz baixa, sabendo que o amigo o escutaria. — Acho que sempre foi meu sonho alcançar tudo isso.
Pierre não se pronunciou, o coração batendo loucamente dentro do peito, tão alto e forte que podia sentir nos ouvidos, temendo que o mais novo pudesse escutar também. Thomas não esperava nenhuma resposta, querendo apenas se abrir para ele, o corpo vibrando com uma expectativa que não entendia.
— Uma parte de mim acreditava que nunca mais nos veríamos, só quando um de nós se casasse ou algo assim. E eu ficaria muito chateado se você não me convidasse.
— Nunca pensei sobre me casar, sabe disso. Não fui feito para o amor — confessou Pierre, fechando os olhos. — Deve ter algo errado comigo, não faço a menor ideia do que seja.
Foi a vez do Thomas ficar em silêncio, pensando nas suas experiências e em como compartilhava do sentimento. As tentativas no colegial foram poucas, dando tão errado que desistir foi a melhor escolha que fez.
— Não que eu seja a melhor pessoa para ajudar nisso, minha vida amorosa é tão nula quanto minha conta bancária — riu da sua própria desgraça, era o que fazia de melhor. — Mas... Está tudo bem não seguirmos o padrão apenas para ter alguém para exibir.
— Seria cafona dizer que você é o mais próximo de amor que conheço?
Thomas sentiu seu coração gelar, as mãos ficarem dormentes e algo estranho acontecer na boca do estômago. Quando teve coragem o suficiente para virar o rosto na direção do amigo, encontrou seus olhos o fitando seriamente, no entanto, tinha algo diferente.
— Seria ridículo se eu dissesse o mesmo?
Pierre sorriu largo, os cantos dos seus lábios quase alcançavam seus olhos, que semicerraram no processo. No segundo seguinte, ao mesmo tempo, ambos buscaram se abraçar, batendo as testas na primeira tentativa. Aos risos, se aconchegaram melhor, outro assunto começando até que sentissem sono.
Com o melhor amigo morando consigo, Pierre se sentia disposto a m***r algumas aulas, seu histórico de bom comportamento, notas ótimas e frequência perfeita o assistiria se precisasse faltar. Obviamente que seus professores e até colegas de turma estranharam sua ausência, mas se ele pedisse o conteúdo perdido para qualquer um, seria atendido na mesma hora. Por incrível que pareça, os estudantes universitários eram menos agressivos e ruins que os adolescentes, ainda que Pierre não tivesse se esforçado para aprofundar qualquer laço com eles.
Thomas, uma vez que ficou sabendo o que o mais velho planejava, quase cedeu aos planos que poderiam fazer, tentando buscar os anos que perderam quando estavam longe, no entanto, resistiu, não querendo ser o motivo de notas baixas ou problemas para ele. Prometendo que estaria ali o esperando para assistirem um filme ou qualquer outra coisa.
Pierre mostrou o biquinho irresistível que tinha, por mais que não soubesse do seu efeito — ninguém tinha coragem de lhe contar, o que era melhor assim ou seus amigos mais próximos estariam perdidos —, chateado com a agenda cheia que precisava cumprir ao invés de ajudar o amigo com a bagunça da mudança. Um pensamento surgindo ao que descia as escadas para ir para a primeira aula do dia, se fosse qualquer outra pessoa, um de seus candidatos para dividir os custos do apartamento, teria se incomodado muito com isso, mas tudo com Thomas era diferente.
E enquanto passava as horas fingindo escutar seus professores, o mais novo desencaixotava suas coisas em uma arrumação improvisada. Uma playlist de malhação tocava como forma para não desistir em nenhum momento. Ter tudo mais ou menos arrumado adiantaria sua vida, já que também precisava encontrar um emprego de meio período, ficando ansioso com as possibilidades. Lembrando a todo momento o que Pierre lhe dizia sobre ser um pouco mais positivo, as chances das coisas darem errado eram as mesmas de dar certo, então pensar naquilo que queria, traria mais oportunidades. Era uma filosofia um tanto estranha para o mais novo, no entanto, ele não questionava.
Quando finalmente terminou, o mais velho já estaria voltando para casa, não dando tempo de sair, então preparou algo para lancharem e depois pensaria em algo para o jantar.
— Nunca pensei que um dia demoraria tanto para passar — Pierre comentou, deliciando-se do misto quente. — Sem contar os quatro trabalhos que passaram.
— Ah, a vida do universitário é muito linda — ironizou o mais novo, rindo da careta de desgosto que o outro fez. — Não vejo a hora de poder reclamar também.
— Você não desejaria isso se soubesse como realmente é.
— Não pode ser pior que o terceiro ano, olha, eu odiei química!
Thomas apontou o indicador para ele, ambos lembrando da primeira conversa que tiveram onde Pierre o convenceu que seria bom. O mais velho gargalhou, não entendendo o motivo dele ter odiado, era apenas a melhor matéria de todas.
— Seus professores não devem ter ensinado direito. Julien saiu?
— Não — disse simplesmente, mas não se recordava dos nomes direito. — O melhor que tive me deixou.
Pierre parou de comer na hora, sentindo a alfinetada direto na boca do estômago.
— O aluno provavelmente não se dedicou como deveria — devolveu, tomando seu café.
— Oh, você desceu pro play.
Bastou trocar um olhar um pouco mais longo para caírem na risada, não levando nada a sério. Ambos sabiam bem como foram importantes as aulas que tiveram, até mesmo antes de Camille pagar por isso.
— Tommy — Renaud chamou, quando a risada morreu sozinha dentro de si, o mais novo o olhou, esperando. — Passou para qual curso mesmo?
Leroy piscou duas vezes aturdido, essa era uma pergunta da qual ele não esperava de forma nenhuma, crendo que tinha falado antes ou que ele soubesse de cara. Contudo, riu sem graça, lembrando em como confidenciaram seus sonhos alguns anos atrás. E Pierre se recordava bem daquele dia, precisando ter certeza de que era o mesmo que pensava.
— Fisioterapia.
O olhar cúmplice que trocaram disse muito mais do que qualquer outra palavra que Renaud tivesse dito, os sorrisos se espelhando.
— Posso voltar a ser seu professor, se quiser.
O brilho no olhar do mais novo foi diferente do qual estava acostumado a perceber, algo sobre ele o chamava mais atenção ainda, desejando se aproximar sem justificativa nenhuma sobre como o queria tocar.
Thomas experienciou uma montanha russa de sensações com aquela frase, seu corpo inteiro falava, pedindo por um cuidado específico, do qual ele não fazia a menor ideia do que e como seria.
Pierre não soube da gravidade do que tinha acabado de dizer, criando expectativas novas em ambos — encontrando as respostas que queriam bem mais para frente. A intensidade pela qual viviam desde o reencontro estava cada vez mais perigosa e eles nem percebiam.
Na terça-feira, o mais novo saiu de casa logo depois que o melhor amigo tinha ido para sua aula, a intenção era procurar o bendito emprego. Caminhou pelo perímetro inteiro da universidade, beirando todas as lojas que tinham ali em volta, mas sem sucesso.
Parou para almoçar em um restaurante perto dos dormitórios, agradecendo mentalmente por não ter conseguido uma vaga ou não moraria com o outro moreno. E ainda que não estivesse com muita sorte com o seu objetivo, voltou calmamente para o apartamento, descobrindo-se perdido. Uma timidez lhe consumiu ao perceber que precisava perguntar para alguém o caminho de casa e só depois de ver que cairia o mundo a qualquer segundo, criou coragem de entrar na primeira loja que viu — um pet shop.
— Com licença — pediu baixinho, querendo voltar no tempo para ter prestado atenção aonde ia e não se encontrar nessa situação. O vendedor o olhou, esperando que continuasse. — Acabei me perdendo, você sabe onde fica o edifício Victoria?
O moço riu soprado, apontando para a construção bem em frente da clínica veterinária. Thomas quis cavar um buraco para entrar e não sair nunca mais, no entanto, sorriu agradecido.
— Ainda está procurando um emprego? — o homem perguntou, fazendo com que Leroy virasse a cabeça para ele, sem entender. Como ele sabia? — Meu filho o viu em algumas lojas perto da doceria.
O veterinário deu ombros, sorrindo em seguida. Ele tinha uma sobrancelha erguida, ainda esperando a resposta do moreno.
— O senhor sabe de alguém que está contratando?
— Bom, eu — disse simplesmente, apontando a sala média que era a entrada do pet shop. — Estou precisando de ajuda com o caixa e reposição de produtos, estaria interessado?
— Nossa, sim! — Sua empolgação era evidente, chegando mais perto do dono da loja, que riu. — Mas só posso meio período, minhas aulas começarão em breve.
— Perfeito!
Quando Pierre chegou em casa, Thomas estava no banho, então esperou para poder tomar o seu. Sentou no sofá da sala com um livro da universidade, com o intuito de adiantar a leitura para um trabalho que deveria entregar nesta semana. Com a história toda da mudança e dividir o mesmo espaço que o amigo, tinha deixado algumas responsabilidades de lado — sentindo-se bem por ter outras coisas para fazer que não fosse somente se dedicar aos estudos.
Claro que os encontros com as amigas também ajudava, no entanto, eram apenas uma ou duas vezes na semana. Vinha se divertindo ao conhecê-las melhor, realmente agradecido por tê-las conhecido. As experiências que teve o faziam pensar muito sobre si, aprendendo coisas que não sabia, além de que elas conseguiam mexer com seus sentimentos — o que ele achou que não aconteceria nunca. Contudo, ainda não se sentia como se o amor fosse para si, um certo receio de machucá-las no final do desafio martelava em sua mente o tempo todo, elas não mereciam isso, ninguém, na verdade.
— O que está lendo?
Thomas o tirou de suas inseguranças, uma nostalgia o preenchendo com a pergunta. Pierre virou o rosto para encarar o melhor amigo, não tinha lido nem mesmo uma frase completa naqueles minutos.
— Não é um livro de química, não é mesmo?
O mais velho gargalhou, certo alívio preenchendo seu peito, deixando o objeto ao seu lado no sofá.
— Não, você está seguro — disse, a diversão em seus olhos. — O que fez hoje?
Leroy resistiu a vontade de jogar a toalha em seu pescoço nele, sentando-se também. Estava ansioso para contar a novidade, esperando que ele aprovasse a ideia — o que era noventa e nove por cento de certeza —, caso não, continuaria trabalhando de qualquer jeito. Seria muito mais fácil a convivência e se ele tivesse uma reação positiva.
— Consegui um emprego de meio período.
O mais novo não percebeu que prendeu a respiração ao falar, os dedos se mexendo com o nervosismo. No entanto, ele não esperava um grito de animação e um abraço torto pela posição que estavam no estofado. Pierre até mesmo deu alguns tapinhas em seu ombro, um sorriso enorme nos lábios.
— Parabéns, Tommy!
— Merci — disse tímido, desviando o olhar. — Não quis vir sem ajudar com as despesas, seria injusto.
— Se esse foi o motivo pelo qual decidiu ter seu primeiro emprego, não precisava. Você sabe bem que não me importo com isso, pelo menos não de você.
Os dois riram, Thomas jogou uma almofada no amigo, intensificando ainda mais as risadas.
— Claro que sim, odeio ser um peso morto — resmungou, fazendo um biquinho ao final. — Principalmente para você.
— Tinha me esquecido dessa sua teimosia.
— Ah, é? Ia pagar um jantar para você com o primeiro salário, agora não vou mais.
Dessa vez foi o mais velho quem jogou uma almofada nele, várias vezes, chegando mais perto também — estava a um passo de sentar no colo dele para continuar a sessão de pancada com o objeto fofo, que não doía nada.
— Para, para, para! — pediu Thomas, se defendendo como conseguia com os braços, que não adiantava muita coisa.
Pierre atendeu seu pedido, olhando-o nos olhos, o sorriso nunca deixando seus lábios. O mais novo abaixou as mãos com a falta dos golpes, sabendo que estava seguro e, sem perceber, apoiou as mãos na cintura fina do melhor amigo, ambos respirando rapidamente para recuperar o fôlego.
Os segundos pareceram infinitos naquele momento, estavam muito próximos, os corpos se tocando em muitos pontos que eles m*l conseguiam contar. O melhor de tudo era que aquilo não parecia estranho, tinham todos muitas dessas batalhas antes, no entanto, tinha algo diferente.
Os sorrisos foram sumindo ao que a ficha caía — não eram mais criança e adolescente brincando — contudo, Pierre não encontrava vontade de sair dali, por mais que sua mente exigisse e Thomas também não o soltava, apertando gentilmente o corpo dele contra o seu.
— Vou pedir o prato mais caro do restaurante mais chique.
Foi o que o Renaud respondeu depois do seu cérebro voltar a funcionar minimamente, arrancando um riso soprado do mais novo, que, inconscientemente, abriu um pouco mais as pernas, encaixando perfeitamente os corpos. Pierre respirou fundo, sentindo seu coração bater tão alto que ecoava em seu ouvido.
O ar estava pesado entre eles, os olhos não se desgrudavam por nada, como se conversassem por ali, ainda que não soubessem bem o que estavam falando. Thomas molhou os lábios com a língua e o mais velho mordeu o seu inferior. O clima estava perfeito para aquela expectativa de dias atrás, mas nada mais aconteceu porque Camille decidiu ligar para o filho naquele exato momento, desmanchando a aura que tinha se formado.
Pierre levantou aturdido, murmurando que iria tomar banho e quase correndo para o banheiro, enquanto o mais novo atendia mecanicamente o telefone.
Aquela seria uma ligação longa, a mãe preocupada que o filho não a tinha dado notícias desde que chegou a capital e Renaud teria um delicioso tempo embaixo do chuveiro. Ambos compartilhavam de um sentimento, confusão e continuariam assim até que conversassem sobre o que tinha quase acontecido bem no meio da sala — o que não fariam nem tão cedo também.