Jason conduzia o seu suv, no GPS faltava quase uma hora
para chegar ao local onde Lari estaria refém. Os
pensamentos mantinham-se descontrolados, apenas
imagens dolorosas passavam, ele so queria salvar a sua
pequena e matar Anthony. Eram os únicos objetivos. Ele quis
mostrar misericórdia a um monstro sem cura, na sua mente a
bondade não o levaria a lado nenhum, depois deste ultimo
ato. Ele não iria ter mais nenhum tipo de remorso, de
arrependimento e não ia mostrar qualquer complacência,
aquela era uma lição moral, para si. Pisou mais o acelerador,
Nico que ate ali tinha se reduzido ao silencio, disse-lhe com
calma e todo o amor que nutria pelo seu irmão:
- Irmao, não vai acontecer nada! Apanhamo-lo rapidamente,
ele não fara absolutamente nada…
- eu nunca deveria ter deixado o filho da p**a ir livre, como é
que eu cometi um erro deste tamanho?! – Jason sentia-se
culpado.
- a culpa não é tua de existir este tipo de parasitas…
- eu nunca deveria ter confiado no susto que dei ao merdas,
muito menos me ter descuidado ao ponto de sair do lado
dela…
- Jason, vamos trazê-la para casa. – Nico queria confortar o
seu coração.
Foram o resto do caminho no silencio da expectativa e
ansiedade. Quanto mais se aproximava mais o odio dentro de
si crescia, ele tinha sede de vingança. Ele não iria ter perdão
por ninguém que se atravessasse no seu caminho ate a sua
pequena.
Nico tinha uma estratégia, eles iam pelo ponto mais alto
acima da casa onde Lari era cativa, Enzo e os seu homens
chamariam a atenção na estrada principal e único acesso de
carro para a entrada da propriedade, Maurizio e os homens de
Henrique circundavam pelo mato do lado mais baixo da casa,
fazendo um cerco a volta da propriedade. Anthony havia
mandado uma equipa de cinco homens verificar a estrada,
onde Enzo e a sua equipa os surpreendeu e neutralizou com
sucesso. Avisando Jason que aqueles cinco estariam
controlados. Deixando dois homens ali, prosseguiu com o
plano de Nico de entrar pelo acesso principal. Jason e os seu
homens apanharam alguns opressores na subida da
propriedade, Nico e a sua equipa haviam se separado de
Jason e entravam pela porta principal depois de Enzo ter
neutralizado os capangas que ali estariam de guarda.
Domenico viu alguns homens entre a sala e a cozinha,
estavam distraídos, nem sonhavam com eles ali. Fez sinal a
Maurizio para dividir os homens, para poderem cobrir todos
os opressores. Nico entra virando se para a sala, ele e dois
dos seus atiravam sobre aqueles Maurizio e mais um dos
seus concentravam-se virados para a cozinha. Com algumas
dificuldades conseguiram varrer o piso, Jason entra naquke
instante correndo para as escadas onde outros dois homens
vinham na sua direção, Jason conseguiu evitar ser baleado
disparou acertando em ambos. Subiu as escadas de arma em
punho, um quarto insonorizado era o único que estava
fechado. Quando se dirigia para a porta outro homem
apareceu a frente da mesma, Enzo aparece atras de Jason e
atira sobre o inimigo com a sua espingarda de canos
cerrados. Fazendo-o ser projetado contra a porta,
arrancando-a das dobradiças. Jason atirou-se para dentro do quarto, a imagem de Lari ensanguentada deitada na cama,
amarrada, ele já mais esquecera. Anthony correu para a sua
arma, sem sucesso, Jason virou ele próprio, Lucifer. Atirou-se
sobre Anthony depositando toda a sua força no peso do seu
corpo, derrubando o maldito no chão. Jason perdeu o
controlo, agrediu Anthony até cansar os seus punhos. Nico
entra no quarto coloca as mãos na boca ao observar Lari
ensanguentada e inconsciente. Correu para ela, verificou os
batimentos apesar do estado dela, estava viva.
- Nico! Leva este filho da p**a! – pontapeou Anthony e dirigiu-
se a sua pequena. Fez uma inspeção rápida, sentiu se existia
quebras ou fraturas, não encontrou, mas o que poderia estar
por dentro seria pior, ele teria de levá-la rapidamente para ser
vista. Existiam vários hematomas, concentravam-se no rosto,
não dava para compreender bem o que se passava mais alem
disso. Ele sentiu-se enjoado quando a imagem de Anthony a
maltratar a sua pequena, delicadamente, como se de um
vidro prestes a quebrar se tratasse, segurou-a nos seus
braços, depois de Nico a desatar.
- J…Jason… - com a força que ainda tinha, Lari abrira os olhos,
contemplando Jason, a pessoa que desejou tanto que a
salvasse, estava ali. Ali, aquele homem enorme, um
verdadeiro mercenário, foi como que desmontado de dentro
para fora, Jason deixou as suas lagrimas caírem, livremente,
ele sentia dor e iria mostra-la.
- estou aqui, meu amor… nunca mais ninguém te vai tocar…
juro-te! – mais lagrimas rolavam nas suas faces morenas.
Jason transportou Lari ate ao carro, sentou-se no banco de
tras do seu suv e manteve a sua amada no seu colo sempre no seu peito. O pessoal dele reuniu-se a volta para ouvir as
ordens seguintes.
- Maurizio, mata-os a todos! O filho da p**a, sabem para onde
leva-lo, depois disso aguardam-me. Enzo a tua missão é
neste momento a mais importante, voa ate casa, quero o
doutor Vicenzo la quando chegarmos. Nico, conduz! – todos
dispersaram.
Nico conduzia e Lari mantinha-se no colo de Jason, ele fazia
de tudo para não haver condução acidentada, mesmo assim
quando faziam uma curva apertada ou um caminho mais
acidentado, ela gemia de dores. Ele tentava ir o mais rápido
possível mas sempre com atenção sobre o seu estado. Jason
murmurava-lhe:
- aguenta meu amor, por favor, estamos quase la… não me
abandones, preciso de ti… amo-te piccollina mia… - ele so
queria chegar para que ela pudesse ser vista.
Quando chegaram a casa o doutor Vicenzo já la se
encontrava, num dos quartos de hospedes com uma equipa
de enfermeiros, Enzo tinha sido perfeito a fazer o seu
trabalho, como sempre. Jason levou-a o mais rápido que
podia ate eles, Jo quando os viu entar correu para a sua
amiga.
- Lari!!!- Domenico impediu Joanna de chegar a ela.
- o que é que aquele filho da p**a fez a minha amiga!!! – Jo
estava desolada.
- ela tem de ser vista amor, calma, vai correr tudo bem… -
Nico queria acalma-la mas também ele se sentia desolado,
não era percetível o que se passava alem do sangue visível.
No quarto Jason não queria larga-la, o seu vestido estava
rasgado, alem de estar completamente exposta.
- Don Jason tem de deitar a menina, agora! – o medico disse-
Lhe, ele deitou Lari mas recusou-se sair dali. Doutor Vicenzo
afastou o para pudere, chegar ate ela.
- pode ficar Don, mas afastado por favor!
-ok doutor… - Jason queria chorar de raiva, magoa e culpa.
Eles ligavam-na a maquinas, colocavam cateteres quando de
repente ela começou a respirara com muita dificuldade.
- rápido precisamos perfurar o pulmão, se não ela vai sofocar
no próprio sangue! – doutor Vicenzo segurou um instrumento
longo, como se fosse uma agulha grande, os enfermeiro
colocaram-na de lado enquanto ele perfurava o pulmão
direito de Lari, tirou-o ao mesmo tempo que ficava um tubo
fino, onde se via sair o sangue para uma bolsa, o que estaria
alojado nos pulmões fazendo-a afogar-se. Jason estremeceu
com a situação, os seus medos eram como um outdoor de
beira de estrada, luminoso. Lari respirou fundo assim que
começara a drenar o liquido. Depois de estar estabilizada
uma enfermeira lavou-a o máximo que seria possível. Agora
Jason via os estragos no seu rosto, ela tinha vários
hematomas, apanhava-lhe também um pouco do peito.
-Don Jason – O medico dirigia-se a ele agora. – por incrível
que possa parecer, esta menina aguentou-se bem! Não tem
nada partido, a maior parte são hematomas, tem alguns
cortes, mas acredite em mim, ela é uma lutadora!!! Tinha
sangue alojados pelos embates, pela violência, mas também
não vai ser nada. Estes comprimidos são para ela tomar de
seis ou oito em oito horas, este creme pode passar três a quatro vezes ao dia. – ele entregava o necessário para ele
cuidar dela. – Daqui a dois dias eu venho ve-la, vou esperar
uma hora e retiro o tubo. Descanso, bem alimentada e
recuperação. Depois de eu ir deixo um enfermeiro aqui para
que possa observá-la mais algum tempo. – Jason era
agradecido aquele doutor, tantas vezes o salvou e agora
salvava a sua pequena. Recompensou-o por isso, passada
umas horas ele retirou o tubo a Lari e foi embora. O
enfermeiro também havia sido dispensado, segundo o
medico, Lari estava relativamente bem, não haveria
necessidade. Sugerindo sempre que se houvesse algum tipo
de alteração, procederem a chamá-lo.
Jason aproximou-se dela, devagar, acariciou o seu rosto, não
colocando qualquer força nos seus dedos. Beijou devagar as
faces magoadas, deu-lhe um beijinho suave nos lábios.
-Jason… - Lari acordava, zonza, quando o viu as lagrimas
correram. Jason segurou a sua mão.
- Estou aqui meu amor! Estas segura minha pequena! – levou
a sua mão aos lábios e beijou-a. – não te esforces minha
pequena, tens de descansar. – dorida, sedada, ela voltava a
dormir. Jason pediu a Joanna que ficasse com ela por uns
momentos, Jo foi de imediato.
O amor que ela tinha pela sua amiga era de uma irmã…
Jason foi ao encontro de Nico, que o esperava na porta do
barracão que havia sido remodelado.
-Irmão! Como é que ela esta? – Nico sentia-se enervado por
Lari. Jason explicou-lhe resumidamente o que o doutor
Vicenzo havia lhe dito.
- temos um assunto importante para tratar, Nico.
- Sim, Enzo e Maurizio estão a nossa espera. – Jason havia
mandado a recuperação daquele espaço, ele precisava dele
dentro da vida que tinha.
No interior, Anthony estava amarrado sentado numa cadeira,
com os dois seguranças de Jason, um de cada lado. Estava
acordado apesar de completamente desfigurado, Jason havia
lhe agredido bastante, Nico quando foi ate ele também tinha
perdido o controlo, depois de ver Lari no estado em que se
encontrava.
- ahhhh!!! O anfitriao chegou, finalmente.
Sabes que é rude, uma enorme falta de ética deixares os
convidados á espera. – Anthony não largava o seu tom de
regozijo.
-Goza, ri-te bastante, quero tanto puder arrancar-te o sorriso
dos lábios! – Jason retorquiu, usou a sua força e deu-lhe um
soco, seguido de mais alguns fazendo Anthony cair de costas
na cadeira. Enzo levantou-o de volta ao sítio.
-ah ah ah ah! È isso que tens para dar? Depois do que fiz
aquela reles? Afinal não a amas! – Anthony cuspiu o sangue
da boca, pretendia tirar Jason do sério, talvez na esperança
de uma morte rápida e indolor.
- Sabes, Lari vai ser viúva, tudo o que tens sera dela
legalmente. Não que ela precise, pois ela é minha mulher,
milionária. Provavelmente desprezara essa herança…
-Tua mulher??? – agora Anthony mostrava a sua raiva, Jason
tocava onde a ferida estava aberta. – MERDOSO!!! Ela é
minha mulher!!!
- AH AH AH AH!!! Sou capaz de ter exagerado quando te bati,
estas confuso! Lari é minha companheira e será minha
mulher oficial, brevemente, será a mulher mais poderosa que
o mundo ira ver. Tu és menos de nada. Que preciso eliminar
das nossas vidas. Mas deixa-me perguntar-te, escroto, tens
prazer em espancá-la?
-Tenho! Nunca fui um falso samaritano, eu gosto de lhe bater
e fodê-la ao mesmo tempo! Pena não nos teres dado tempo,
ia me divertir tanto com ela antes de a matar!
-Ok… então passemos ao show!!!
- Então qual será o programa a dois querido? – Anthony
mantinha-se gozão.
- Enzo, Maurizio, tirem as roupas da cintura para baixo!
-ei! Ei! Disseste que me ias matar! Da-me um tiro e acaba
com isto! – agora tudo o que existia era pânico na sua cara
desfigurada. Jason baixou-se para puder olhar dentro dos
seus olhos.
- vou mostrar-te que o amor que eu sinto por Lari não pode
ser quantificado!!! – Jason fez sinal aos rapazes, que retiraram
as roupas de Anthony.
- Nico, a catana por favor, o golpe é único e preciso!
- o que? NÃO! NÃO! POR FAVOR, ISSO NÃO!!! – Enquanto
Anthony gritava a plenos pulmões, Nico passava a catana a
Jason.
Jo, havia descido para levar comida para o quarto, ouviu os
gritos do barracão, não aguentou a curiosidade e foi ate la.
Ela havia visto quase tudo o que se tinha passado, também
ela desejava a vingança sobre aquele parasita. Escondeu-se
para que nenhum deles percebesse que ela estava ali e
assistiu a tudo.
- Enzo, levantem-no e segurem-no! Nico, passa-me o teu
lenço, por favor. – Anthony gritava a alto e bom som, Nico
entregou-lhe o seu lenço enquanto os homens o seguravam.
Naquel momento, Jason não era mais o doce que Joanna e
Lari conheciam, ele era frio, implacável, sem qualquer
sentimento que o lembrasse de ser misericordioso. Colocou
o lenço de Nico na boca do maldito, segurou o seu pénis e
sem pestanejar, olhando dentro dos olhos de Anthony deu
um golpe certeiro, um corte limpo e preciso.
- Agora, ficas aqui, como rato de esgoto que ès, a morrer
lentamente, sentindo o sangue desaparecer de cada pedaço
do teu corpo. O teu sofrimento seras atroz, esse é o teu
castigo, filho da p**a! – Jason disse-lhe, dando um soco nas
suas costelas, fazendo-o cair. Anthony estava em choque
sabia o que tinha acabado de acontecer, mas dentro dos seus
olhos havia apenas vazio e choque.
- prendam-no no compartimento isolado. Quando ele morrer
avise-me. Ah! Anthony, só quero dizer que Lari será a mulher
mais amada do mundo! A mais feliz! E claro – ele saia em
direção a porta, - Milionária! – sai com Nico ao seu lado.
- Jason! Nem Don Mário tem essa faceta… sabes que podes
ser um capo di tutti capi! – Nico disse ao seu irmão.
Jason esboçou um meio sorriso. Aconselhou-o a descansar
na promessa de enviar a sua namorada para junto de si.
Subiu, Jo estava na poltrona, pareceu-lhe irrequieta.
- Jo, Nico aguarda-te. Vai descansar, precisamos de dormir
um pouco. Obrigado por teres olhado por ela. Jo assentiu as
suas palavras. Quando ia fechar a porta do quarto parou,
virou-se para Jason.
- obrigada, Jason, tens sido incrível para ela! – Não
esperando resposta fechou a porta. Ele sabia o amor que
Joanna nutria por Lari, sabia mais ainda que, por Lari ele iria
ate ao fim do mundo. Verificou se ela estaria bem, tomou um
duche e deitou-se ao seu lado.
- Pequena mia, vou amar-te ate morrer, mesmo que um dia
algo mude, proteger-te-ei sempre com a minha própria
vida…- ele sussurrou mais para si do que para ela. Segurou a
sua mao, delicadamente, beijando a sua pele. Acariciou o seu
rosto onde se viam os hematomas, as lagrimas acumularam
nos seus olhos, inspirou o cheiro do seu cabelo, soltando as
lagrimas. Chorava por ela, pequena, indefesa, uma menina
ingenua mas cheia de amor dar a quem a tratasse bem.
Adormeceu embalado naquele cheiro, era o seu preferido.
- NÃO POR FAVOR!!! – Jason saltou da cama em alerta com os
gritos de Lari.
- Calma meu amor! – segurou-a nos seus braços, fazendo Lari
deitar-se novamente. – eu estou aqui meu amor, estas
protegida minha pequena…
- Ja…Jason… - deitou a sua cabeça no peito dele – amo-te… -
Ele aconchegou-a no seu corpo, a raiva de Anthony não saia
de dentro do seu peito. Ele queria saber que ele estava a
sofrer de facto, ele tinha de sentir dor. Ágora ele estava a ter o
que merecia, Jason teria de deixar esse sentimento sair do
seu peito. Aquela noite havia sido uma lição, o seu padrinho
havia lhe ensinado que o odio e a raiva, se um homem
soubesse usa-lo a seu favor, seriam os maiores aliados,
principalmente dentro do estilo de vida que Jason tinha, agora
ele entendia o seu padrinho. Don Mário educou Jason para
não sentir dor, para ser implacável, sem misericórdia, dizia-
lhe várias vezes que se na vida ele teria de saber agir primeiro
que o inimigo. Ele sentia-se capaz de ser o Don que o
padrinho tanto desejou. Ele seria don Jason, herdeiro da
mafia siciliana.