Capítulo 4

677 Palavras
Dominic não gostava de perguntas sem respostas. Era um princípio simples, mas que sustentava boa parte do império que ele havia construído. Informação era poder. Antecipação era sobrevivência. Nada — absolutamente nada — permanecia desconhecido por muito tempo quando chamava sua atenção. E naquela noite, algo tinha chamado. Arya. O nome ecoava em sua mente enquanto o carro cortava a cidade. As luzes passavam pelo vidro escuro em flashes rápidos, refletindo nos olhos atentos que permaneciam abertos, calculando, voltando ao mesmo ponto repetidas vezes. Ela. A maneira como tinha parado quando ele perguntou. O cuidado em manter distância. O desconforto claro por ser notada. Interessante. Muito interessante. A maioria das pessoas queria algo de Dominic Russo. Favor. Dinheiro. Proteção. Aprovação. Aquela mulher queria fugir. Ele afrouxou o nó da gravata com um movimento curto, irritado consigo mesmo. Não entendia por que sua mente se recusava a mudar de assunto, por que o rosto dela continuava voltando com tanta facilidade. Era só uma garçonete. Deveria ser irrelevante. Mas não era. — Matteo — chamou, sem desviar o olhar da rua. — Sim, chefe. — A mulher que me atendeu hoje. O silêncio dentro do carro mudou. Não era surpresa, era atenção redobrada. — O que tem ela? Dominic apoiou o braço na porta, a expressão endurecendo. — Quero saber tudo. Matteo não perguntou por quê. Homens inteligentes não perguntavam por quê. Apenas assentiam. — Nome completo? — Arya — Dominic respondeu. — Descubra o resto. Matteo pegou o celular imediatamente, começando a fazer ligações. Voz baixa. Objetiva. Eficiência que Dominic valorizava. Mesmo assim, a sensação de inquietação permanecia. Ele fechou os olhos por um instante, lembrando-se do momento em que ela o encarou. Não havia interesse ali. Nem charme. Nem tentativa. Era quase… pureza. Como se ela não soubesse quem ele era. Como se não tivesse aprendido a temer o nome Russo como o restante da cidade. A ideia deveria ofendê-lo. Em vez disso, despertou outra coisa. Posse. Se ela não entendia o mundo em que estava pisando, alguém teria que ensiná-la. E Dominic nunca foi um homem paciente. O carro parou no sinal. Ele observou o reflexo no vidro. Quantas vezes tinha sentido algo assim? Nunca. Desejo era simples. Rápido. Substituível. Mas aquilo não tinha pressa. Era um reconhecimento lento, quase inevitável, como perceber que algo que estava perdido finalmente tinha sido encontrado. Perigoso. Ele sabia. Mas, ainda assim, não pensou em recuar. O celular de Matteo vibrou. — Chefe. Dominic abriu os olhos. — Fala. — Arya Carter. Vinte e três anos. Mora sozinha. Apartamento pequeno, bairro tranquilo. Sem namorado. Sem registros complicados. Trabalha naquele café há dois anos. Dominic absorveu cada palavra. Sozinha. A informação assentou em seu peito como uma peça encaixando. — Família? — perguntou. — Pouco contato. Nada que chame atenção. Boa. Menos variáveis. Menos interferências. Dominic voltou a olhar para a rua, mas agora a cidade parecia diferente. Menor. Mais próxima. Ao alcance. Arya Carter vivia uma vida simples, previsível, acreditando que aquela noite tinha sido apenas um encontro desconfortável. Ele quase sorriu. Ela não fazia ideia. O interesse de Dominic Russo não era algo que visitava. Era algo que ficava. — Continue acompanhando — ordenou. Matteo hesitou por meio segundo. — Acompanhando… como? Dominic virou o rosto devagar. O olhar que lançou foi suficiente. — Eu quero saber onde ela está. A qualquer momento. Matteo assentiu. — Entendido. O carro voltou a se mover. Dominic apoiou a cabeça no encosto, finalmente permitindo que a imagem dela viesse sem resistência. O cabelo escuro e liso. A postura tentando ser menor do que era. Os olhos que tinham revelado medo quando perceberam que estavam presos aos dele. Ela tinha sentido. Ótimo. Significava que, em algum nível, já entendia que algo tinha começado. Dominic passou a língua lentamente pelo interior da bochecha, refletindo. Não sabia exatamente o que faria ainda. Não tinha decidido a forma, o tempo ou o método. Mas uma coisa era absoluta: Arya Carter não voltaria a ser invisível. Não para ele. E, a partir daquele momento, para mais ninguém.
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