Capítulo 40. Anormal

1001 Palavras
Bijou, South Lake Tahoe, CA Acompanhamos os primeiros socorros da menina por alguns instantes, mas acabamos partindo assim que a minha moto chegou. Desmontei o rifle para colocar no baú. Levi estava sentado na entrada do lugar. — Não é bom pensar muito, loiro. Vamos? Ele me olhou e assentiu com a cabeça. — Eu piloto — falei e ele manteve o silêncio. Fui à casa dele e ele foi direto ao banho. Aproveitei o PC dele para pedir ao amigo nerd que buscasse por nós e nos apagasse de filmagens. Aquele era um momento bastante ativo, ele me respondeu rápido. Estava preocupada com Levi e isso deve ter ficado evidente pelo olhar fixo no corredor. Assim que saiu do banho, ele passou na sala. — Sente fome? — perguntou. O semblante estava meio apático. — Não pode ficar assim, loiro. — Estou absorvendo. Só isso! — Meneou a cabeça. Eu me aproximei dele para observar seus olhos. — Por que esse olhar azul não chora? — Acariciei seu rosto com um sorriso amarelo. — Pode fazer bem... — Deviam ter trinta ou mais... — Ele respirou fundo. — Meninos, meninas... Ainda vi um filho da putä pegar uma delas e ir para o quarto. Abracei sua cintura para guiá-lo ao quarto, à cama. Foi o mais direto convite que eu já fiz para lhe estender o braço e deixá-lo deitar comigo. Seu corpo estava um pouco trêmulo. — A gente segue, loiro. — Acariciei seus cabelos. — Difícil eu conseguir entrar de novo — riu. — Pintamos seu cabelo de preto, a barba e tudo mais. Só esse olhar que é difícil de esconder... Pelo menos, eu reconheceria até com lente! — brinquei. — Exagerada. — Um pouco, mas é para você relaxar — ri. — Eu te faço dormir hoje, então pode ficar tranquilo... Envolvido em minha cintura, ele enterrou a cabeça em meus seiös para realmente fechar os olhos. Ainda respirava fundo por algumas vezes. Não era só calorento, mas tinha o corpo muito quente — o que aplacou o frio da noite e me fez dormir. Foi uma noite boa para mim. Nem podia crer que realmente tiramos a menina daquele inferno — isso era um passo significante para lidar com os outros. Acordei cedo e Levi ainda estava na cama, mas olhava para o teto. Eu me movi para deixar claro que estava desperta e ele me olhou, sorrindo. — Bom dia, loiro. — Dia, ruiva. — Descansou bem? — Eu me preocupei. — Tive uma noite muito perturbada por meus demônios, mas eu vou ficar bem! — sorriu. — Ela me acusou de dopar a criança para abusar dela... — Q-quem? — Lesada, eu fiquei surpresa. — Lindsay. — Ah, sim... em Sacramento, soube — assenti. — Falei para a menina que ajudaria e ela ainda foi no automático, começou a se despir. Que porrä de mundo é esse!? — Ele respirou fundo. — É um mundo de merda, loiro... — O soldado saiu... pegou um dos nossos carros, fez uma dançarina de refém. — Ele voltou a olhar para o teto. — Acho que vão me sequestrar de novo — riu. — Se isso continuar, eu vou matar seu superior. — Não tem necessidade. É para testar disciplina, um bom treino para os nervos. — Ele deu de ombros. — Não, loiro. Seu pai não está bem. Se continuar, não duvida do que ele pode fazer. Sei que não dá para falar com seu superior, mas não é bom eles repetirem. — O que tem o pai? — Ele se preocupou. — Apenas muito estresse. Essa historinha com a loira mexeu um pouquinho com ele e não é bom mexer um pouquinho com a porrä do dono do hospício. — Quê!? — Ele franziu o cenho. — Seu pai já foi meu chefe e chefe de muita gente que não é boa. Ele largou essa vida, mas ainda tem o gênio ruim... não é bom colocar à prova. — Vou conversar com ele. Matheus veio — sorriu. — Fazia um tempo... Estou pensando em fazer algo para gente bater papo, beber, comer... sabe? — Pode ser bom. Junta com seu pai. — É bom... — Tiro sua mãe e sua irmã! — sorriu. — Posso te pedir algo? — Depende. Estou tentando não transär com você, então não me tente — brinquei, rindo. — Minha carne é fraca para caralhö! Ele acabou rindo também. — A mãe está passando por maus bocados, eu acho. Parece muito preocupada e avoada. Eu... não sou bom em... falar com ela, sabe!? — Acanhou-se. — Seria bom que ela conversasse com alguém. — Provavelmente ela precisa mesmo — assenti. — Obrigado, ruiva. — Não agradece, pequeno. — Não é estranho que vive dando em cima de mim e ainda me chama de pequeno? — Ele riu. — Sou papa-anjo, loiro — dei de ombros. — Claro! — Ele gargalhou. — Iniciamos o nosso dia. — Fitei seus olhos. Ele também me observou. Estávamos muito próximos e o alerta soou na minha cabeça. Eu me afastei e ele entendeu o sinal rápido, se levantou. — Vou ao banho. Pode pedir o café — sugeriu. — É bom... — assenti com a cabeça. Ainda fiquei observando-o seguir para fora do quarto. Só de olhar aquelas costas, eu senti um tesäo da porrä! Arfei e me levantei para ir ao telefone dele. Se era para pedir, talvez ele tivesse alguma opção. Mexendo no telefone, deu para ver as várias ligações perdidas de números diferentes. Surtada, a loira até mandou foto pelada. “Sei que gosta!”, era o que dizia a maioria. “Volta para mim e eu não conto que você me machucou...”; “Só eu vou te aceitar como é e resistir a você” Coisa de maluca mesmo. Sempre fui muito de boa, muito calma. Tudo sempre foi muito calculado na minha vida, mas ver aquilo me fez sentir raiva e uma raiva muito genuína.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR