Capítulo 9. Tal Pai, Tal Filho

1009 Palavras
Lake Valley, South Lake Tahoe, CA Nem percebi quando dormi. O distante som da bateria me levantou assustado. Foi estranho olhar ao redor e não saber onde estava. — Calma, loiro! — Ouvi Natasha e respirei fundo. — Não está tendo pesadelos de guerrilha, não, ‘né!? — Não... — Meneei a cabeça. — Só falta de hábito. Esfreguei os braços, sentindo um pouco de frio. — Ótimo. — Ela acabou rindo. — Ainda tem dose... — Porrä! — reclamei, meneando a cabeça. Eu me ajeitei ao seu lado e o cheiro de sexo era forte. Olhei-lhe e ela ainda estava vestida, mesmo que não tivesse modos com aquele vestido curto. — Não me diz que- — Não. — Ela acabou corando. Sem maquiagem, era fácil ver o rubor consumir seu rosto, mas só virei o rosto, aliviado pela resposta. — Foi só um sonho muito... desnecessário! — riu, se levantando para ir ao corredor. — Já volto! Ainda estava bêbado, mas me encorajei para pegar o telefone e ver a hora. Tinha inúmeras chamadas perdidas de Lindsay. Eram dez da noite. “Que bom que amanhã é dia de folga...”, pensei. A melancolia acabou voltando e eu peguei duas doses para afogá-la. Muito pensei e, na verdade, o álcool não me permitiu lembrar de nada do que pensei. Estava pegando a terceira dose quando ela saiu do banheiro, vestida no roupão. Os cabelos molhados estavam enrolados na toalha e Natasha sorriu largo para falar num tom animado: — Eita, já começou sem mim? — Foi só para ajudar — justifiquei, rindo. — Ainda tem disposição, loiro? — Ela levantou uma sobrancelha. — Hoje comecei um trabalho e imagino que ele te interessa bastante. — Qual? — Um policial daquele seu mapa tentava contato comigo há um tempo. — Ela deu de ombros. — Não sei se só quer transär ou tem algo mais envolvido... — Hm... entendo. Encontrou o homem? Quem? — Smith. John. — Ela falou. — Particularmente, nem me lembro da patente e não fará muita diferença. — Sargento em Stateline, se não me engano... Ela sentou ao meu lado para pegar as doses e dividir entre nós. Acompanhei e ela seguiu a fala: — Se conseguir qualquer coisa, te aviso. — Ela sorriu. — Como foi com o superior? Teve problemas? — Nenhum. Nada ele disse. Deve fazer suas mudanças, mas só saberei o que for necessário para minha missão — dei de ombros. — Não ligo muito. — Conhece os outros homens que estão com você nessa? — Ela soou preocupada. — Ajudaria bastante... — Sim, tenho rostos e nomes. Sem endereços ou telefones por não ser correto nos comunicarmos. — Pelo menos está dentro da especialização que queria, ‘né!? — Ela riu. — É meio atabalhoado, eu acho, mas é melhor do que simplesmente perder tudo. — Com certeza! — assenti. — Obrigado pela ajuda! — Se eu te ajudar, eu ainda me ajudo... — Bem-vinda à equipe! — brinquei. — Brindamos! — Soou animada e pegou as doses. — É assim que se conserva, ‘né!? — ri e ela apenas deu de ombros. — Já não aguento mais beber... Podemos comer algo, não? Que seja salada... — Franzi o cenho. — Odeio sair da dieta, mas você obviamente precisa comer muito mais do que salada! — Ela falou. — Só para manter esse braço todo. Acabei rindo e ela tentou apertar meu braço com ambas as mãos. Riu ainda mais na tentativa, falando: — Minha mão nem fecha! — Faz tempo que não cozinho nada decente, mas posso ir à cozinha, se quiser — ofereci, olhando-a. — Posso cortar carne na finura de um carpaccio, isso me basta, nem precisa de sal — riu. Era incrível como após tanta vodca o olhar verde era tão vívido. Talvez a vida de bonzinho estivesse me estragando e pensar isso me fez sentir mäl comigo. Existia um fato inevitável se aproximando: ao descobrir traição, a tendência era eu me sentir menor. — Ei, não se perde em pensamentos. — Natasha chamou minha atenção e eu apenas assenti. — Essa cara volta a ficar horrível numa velocidade rápida! — D-desculpa... — Só vamos! — Ela levantou rápido e me estendeu a mão. — Não vou realmente ajudar a levantar, ‘né!? Mas, é um esforcinho para o seu espírito — riu. Apenas tomei sua mão e me levantei para seguirmos à cozinha. Dei uma olhada no que ela tinha na despensa e pensei em algo rápido para nós. Massa foi o que aprendi a fazer com o pai. Ele era louco por massa e só sabia cozinhar isso, acabou me ensinando o que sabia na adolescência e a praticidade me conquistou com muita velocidade. — Seu pai adora isso. — Natasha riu. — Por isso que eu sei! — Também ri. — É bom com vinho, mas já bebemos tanta vodca que não recomendo. — Idem! Bastou começar a cozinhar para o estômago começar a reclamar de fome. Paralelo ao cozimento do molho, eu fiz só uma omelete para comermos. Natasha pareceu tão faminta como eu, apesar de comer menos — com a desculpa de evitar inchaços. — Precisa de um banho, loiro! — Ela falou. — Deixa que eu termino e vai lá. Deve ter um roupão, se quiser ficar preguiçoso igual eu. — Sabe que eu jamais faria isso! — ri. — Deveria tentar. Por que não pode!? — Ela levantou uma sobrancelha. — O que realmente te impede de ser só um carinha solteiro na casa da amiga? Sim, eu pensei em Lindsay primeiro. Talvez pela vodca, eu tenha só optado por tacar o fodä-se e seguir ao meu banho não me importando com isso. Claro que eu fiquei com uma vergonha enorme de estar desfilando de roupão na casa de Natasha — isso era um nível de intimidadë grande demais. Felizmente, ela decidiu ajudar e não teceu nenhum comentário sobre isso. Já estava de cabelo preso enquanto cuidando da refeição. Eu só me sentei para observar.
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