Caneta: Tô aqui fazendo o que faço todo dia. Cobrança é cobrança dívida é dívida. Quando o cara enrola três vezes, a gente vai buscar com juros e às vezes o juro vem em forma de corte. O sangue escorreu pelo chão e nem mexeu comigo já não causa nada só mais um dia normal no lado de cá do morro. Mas aí, o rádio apita. —xx: Chefe… a Florela. Meu corpo parou no meio do gesto. Era o olheiro dela aquele que eu botei só pra observar, não pra se meter. A voz dele vinha embolada, nervosa. —xx: Um maluco foi tirar com ela se meteu onde não devia a menina não pensou duas vezes grudou a ferramenta na testa do cara. Abriu. Fiquei quieto por um segundo. Imagens vieram na mente a menina de macacão, tranquila, arrumando meu motor… e agora, abrindo a testa de um com a mesma mão que conserta.

