Caneta: A noite cai diferente quando a cabeça tá pesada. Tô aqui na varanda da parte alta, onde dá pra ver metade do morro piscando luz fraca, cachorro latindo de longe, um rádio estourando algum pagode antigo. Mas minha mente tá na oficina. Ou melhor, tá com ela a Florela. O olheiro chegou há pouco sem chamar, sem bater. —xx: Chefe… só pra avisar. Ela foi pra laje do Breninho. Fiquei quieto a informação entrou suave, mas ficou latejando por dentro. Respirei fundo, olhei pro lado o papel ainda tava lá aquele que ela me entregou hoje, antes de sair sem olhar pra trás. Dobrado, simples, mas pesado. Abri de novo. Letra firme, organizada direta coisa de quem pensa de quem não pede esmola exige estrutura. “— Mutirão de saúde uma vez por mês. — Recolhimento de lixo com horário fixo.

