1-Ícaro

625 Palavras
Cresci em um lar que, apesar de não ser de sangue, amor nunca me faltou. Apesar de ainda ser pequeno, lembro vagamente do dia em que Théo entrou no orfanato, seus olhos encontraram os meus e ele e Juliana vieram diretamente até mim. Depois disso, lembro de ficar ansioso esperando o dia em que eles voltariam brincar comigo, e eles sempre voltavam. Até o dia em que eu não precisei mais esperar, e eles me levaram pra casa. Na noite em que fui morar com eles oficialmente, eu comi pela primeira vez pizza, lembro como se fosse hoje a sensação daquele queijo derretendo na boca, e ainda Juliana deixou eu comer sorvete depois do jantar. Depois, ela me contou histórias até eu dormir. Por muitos anos, aquele foi o melhor dia da minha vida, e hoje ele ainda continua entre os melhores. Théo me ensinou a andar de bicicleta, soltar pipa e lutas marciais, enquanto Juliana me ensinou a amar os livros e cozinhar. Quando fiz treze anos, Juliana e Théo chegaram em casa chorando e anunciaram para mim, que mais uma vez Deus os havia abençoado e eles teriam mais um filho. Foram anos de tentativas até que suas preces foram ouvidas, e eles teriam um filho de seu próprio sangue. Mas não pense você, que isso mudou alguma coisa em relação a forma que eles me tratavam, muito pelo contrário, eles sempre diziam, que aquela criança era abençoada por ter a sorte de ter um irmão como eu na vida dela. Foi assim que minha irmãzinha Nathália chegou na vinha vida, ela é uma princesa e eu sou completamente apaixonado por ela. Cresci ouvindo Théo falar com orgulho de seu trabalho e tudo que ele sabia, ele fez questão de me ensinar. Sim, Théo e Juliana me entregaram aquilo que por três anos eu sonhei. Amor. Quando completei dezesseis anos, decidi que aos dezoito, me alistaria no exército e seguiria carreira por lá. Estava muito claro, mais claro que o dia, essa decisão pra mim. Apesar de sofrer por minha escolha, Juliana me apoiou e Théo fez o que faz de melhor. Me treinou para ser o melhor soldado do exército, aos dezessete anos conseguia acertar um alvo a qualquer distância. Mas hoje, eu estou vivendo um momento que eu nunca desejei viver. Quando Juliana largou o telefone com lágrimas nos olhos, eu ja suspeitei que a bomba seria das grandes. A família Nunes, pela qual Théo orgulhosamente era responsável, sofreu um atentado e ele estava armando uma emboscada. —Está tudo bem, mamãe? Pergunto me aproximando dela. —Filho, Théo... Ela olha pro vazio, pro nada. Não sei o que dizer nesse momento, se não apenas abraçar ela e compartilhar de sua dor. Estamos sozinhos em casa, Nathália ainda está na escola e eu agradeço muito por isso, assim ela não nos vê sofrer. Me permiti chorar com Juliana e depois fui resolver as questôes que precisavam ser resolvidas, como ela não tinha condições de fazer isso, fui eu mesmo fazer. ...................... —Mano! Nathália grita ao me ver e pula em meu colo. Depois que resolvi todas as burocracias do velório e enterro de meu pai, vim buscar ela na escola. —Oi princesa, vamos pra casa? Ela balança a cabeça. —Você está com uma cara estranha, o que aconteceu? Ela, que é muito sabida me pergunta. —Em casa o mano te conta, agora coloque o cinto para irmos. Ela se senta na cadeirinha e quando ouço o click que o cinto prendeu, dou partida no carro indo para casa. Ja avisei Juliana e ela nos espera, vamos contar a Nathália juntos o que aconteceu. É Théo, não vai ser fácil... Mas cuidarei delas por você, papai.
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