Qual é o ponto em você agora?
Eu não posso te perseguir de modo algum.
Oh, apenas me deixe em paz.
Eu tenho essas depressões de segunda direto das depressões de domingo.
Gunga Din | The Libertines
O som de passos pelo corredor me despertaram, fazendo-me sentir o calor de um domingo de manhã.
Uma dor de cabeça dos infernos latejava as minhas têmporas, me impossibilitando de abrir os olhos. Permaneci na cama, apenas apreciando a preguiça gostosa percorrer meus corpo enquanto eu esticava as articulações, até eu perceber que não estava sozinha.
Fui em outro mundo e voltei quando vi que Willian dormia pesado com a sua perna em volta do meu corpo, me fazendo ficar imóvel.
Me apoiei com os cotovelos na cama e pisquei algumas vezes, devagar, sentindo as fortes fisgadas de dor atras dos olhos e uma sede de quem passou 30 dias no deserto do Saara.Céus, nunca mais eu bebo e agora é verdade!
Enxerguei melhor o peito dele subir pra cima e pra baixo em um sono profundo. Me permiti apreciar aquela cena, deixando as memórias do que a gente tinha feito vir à tona. Um sorriso se formou nos meus lábios inevitavelmente.
Esperei tanto tempo por isso, que cheguei até a jurar que nunca aconteceria. Chega até ser até cômico a maneira como aconteceu, totalmente fora dos meus planos, mesmo assim eu fico satisfeita e com um gostinho de quero mais por ter sido melhor do que eu tinha idealizado.
Só sexo. Meu subconsciente avisou, respirei fundo tendo que concordar com o seu aviso. Seria apenas sexo...
Peguei o celular pra checar as horas e o meu êxtase foi embora ao ver que passavam das 11 horas da manhã e de quebra havia uma chamada perdida do Luca.
Droga.
Voltei a olhar pro Will, afim de que meu dia fosse tão bom quanto a noite tinha sido, especificamente a madrugada.
Tirei sua perna de cima do meu corpo, com cuidado para não acorda-lo e me levantei devagar, indo até o banheiro para tomar uma ducha. Planejava sair logo do quarto e deixa-lo dormir mais.
A verdade é que não queria que ele acordasse e me visse ali, eu não saberia como agir ao dar bom dia pro meu melhor amigo que nem é tão amigo assim, aliás, eu sei como rotular o que somos, depois de uma madrugada de prazeres insanos.
A água quente descia pelo corpo e era impossível não imaginar suas mãos me tocando, sua respiração pesada lineano meu pescoço ao mesmo tempo que ele estocava cada vez mais fundo em mim.
Oh céus.
Eu senti algo com ele que nunca tinha sentido em toda minha vida e isso é tão excitante do mesmo nível que é aterrorizante. Nunca tinha dormido com outro homem que não tivesse sido o Luca e sabendo, pouco, mais o suficiente do histórico do Willian, eu afirmo com toda certeza que ele acordava pelo menos com 2 mulheres diferentes na cama a cada semana.
E eu não queria ser mais uma, mesmo que a noite tivesse sido incrível, eu não queria me iludir e deixar com que ele me injetasse sua dose de veneno, me fazendo ficar de quatro por ele, literalmente.
Então depois da ducha, me certifiquei que ele ainda dormia deitado de bruços, uma fresta de sol entrava pela janela ironicamente reluzindo justamente onde o lençol fino tentava cobrir, me sinto molhada e não é por que acabei de sair do banho. Varri esses pensa e segui até a porta, pisando nas pontas dos pés.
— Sam?
Droga.
Não respondi, apenas parei de costas pra ele, sentindo minhas pernas darem uma fraquejada e meu acelerar algumas batidas. Olhar pra traz e ver aquela cena, ainda mais chamando pelo meu nome, me amolecia completamente. Preciso manter minha postura de "nesse jogo, eu que mando".
— Você não faz o tipo que foge quando o dia amanhece. — Sua voz era cheia de humor e eu fui obrigada a me virar.
— Qual tipo eu faço então? — Cruzei os braços ao mesmo tempo que arqueei uma sobrancelha, me controlando para o olhar apenas nos seus olhos.
Ele riu m*****o.
— Eu esperava um café da manhã na cama.
— Ah lógico, estou indo mexer os ovos na frigideira. — Brinquei sarcástica.
Will continuou rindo, depois deu leves batidas na cama, como um pedido para que eu sentasse ao seu lado, me fazendo entender que queria conversar, então eu o fiz.
— Você lembra de alguma coisa? Tá tudo bem? — Ele perguntou preocupado, passando a língua pelo lábio inferior e eu não consegui evitar de o achar tão lindo. Mesmo com seu ar todo cafajeste, sem juízo e prepotente. Will conseguia ser um cavalheiro, amigo e até romântico quando quer.
É pior do que eu imaginava.
— Você não lembra de nada? — Respondi com outra pergunta, lembrando que tínhamos bebido um pouco além da conta assim como nos velhos tempos.
— Bem... — Começou desviando o olhar semicerrado para qualquer lugar dentro do quarto e sua boca mantinha a sugestão de um sorriso malicioso — Lembro que discutimos se seria de quatro ou por cima.
Eu ri.
— E eu lembro da gente ter feito todas essas posições e outras mais. — Rebati.
As memórias vieram novamente. Repetimos a dose por 3 vezes. Se isso não for desejo acumulado, não sei definir então.
Ele mordeu o lábio inquieto ainda com a sombra de um sorriso travesso.
— Eu me lembro bem... — Falou pervertido, balançando a cabeça, notoriamente preso nas memórias. — Estou perguntando por que você tinha bebido muito e me desculpa se fiz algo que... — Seus olhos cinzentos encontraram os meus me dando um corrente de eletricidade.
— Tudo bem, — Eu o cortei. — Eu estava sóbria e queria tanto quanto você! — Respondi prontamente, ciente dos meus atos, mas não posso negar que um tanto quanto surpresa comigo mesma. Havia o provocado demais, deixando à tona todos os seus desejos por mim, assim como eu deixei bem claro todos os meus desejos por ele. Pelo menos todas as cartas estão na mesa... Ele não precisa saber que guardo uma nas mangas, carta essa que levaria a derrota, a carta dos sentimentos.
— Ótimo, por que foi uma noite... — Ele deixou a frase suspensa e sua postura enrijeceu, ficando sério.
— Uma noite...?? — Questionei, confusa.
— Uma noite especial. — Suas íris cinza voltaram pra mim, me hipnotizando com o brilho craquelado dentro delas.
Me tremi inteira.
Eu estava fugindo de um bom dia romântico e o Willian me chama pra dizer que tinha sido uma noite especial? Preciso correr daqui.
Passei alguns segundos com a boca aberta até conseguir falar.
— Pra mim também foi. — Soltei, tensa, porém sincera.
Ele coçou os olhos e engoliu a seco, antes de responder, como se peneirasse a sua próxima fala.
— Não vai mudar nada? — Perguntou batucando os dedos no colchão, visivelmente nervoso.
— Vai mudar pra você? — Franzi a testa.
— Pare de responder as perguntas com outras perguntas. — Ele bufou rolando os olhos, se irritando.
Não pude deixar de o acha-lo mais lindo com raiva.
O que está acontecendo comigo?
Só sexo, Samantha!
— É só me responder primeiro e eu te respondo depois, ora. — Dei de ombros.
— E se eu disser que vai mudar? O que você me diria?
Aquela sua pergunta me deu um frio na barriga.
— O que você queria que eu dissesse? — Respondi com outra pergunta, não para o deixar com raiva, mas sim por que ele tinha me deixado totalmente sem resposta.
Na verdade eu até tinha uma pronta: ficaria com o coração devastado. Contudo eu não queria deixar um rastro de tristeza em uma manhã de domingo.
— Samantha! — Ele me chamou, impaciente por eu ter feito outra pergunta novamente, depois se sentou na cama com raiva, largando a sua postura preguiçosa de quem acabara de acorda.
Tentei esconder a minha risada por ter deixado o Will furioso, mesmo que sem intenção.
— Não percebeu que não mudou nada? Você continua sendo chato e eu continuo tendo razão em tudo. — Agradeci à minha mente por finalmente ter conseguido construir uma resposta, mesmo que nada convincente, passei a mão pelas suas costas como um sinal de paz e claro, tirando uma casquinha disso, sua pele é tão quente... Samantha, evacua dai agora mesmo!
Ao contrario de paz, senti o próprio conflito com o meu interno. Meus dedos formigaram apenas por lhe tocar, ao mesmo tempo que sua pele também formava carocinhos de arrepios no meio de tanto calor. Efeito totalmente ao contrário do que eu queria ter surtido.
— Will? — Abby o chamou do outro lado da porta, quebrando totalmente clima instigante que tinha se instalado, me fazendo pular de susto. — Ta ai dentro?
Nos olhamos rapidamente, prendendo o ar de nervoso. Por que parecia tão errado a gente ter ficado? Por que parecia tão estranho a gente ter dormido juntos?
— Will?
Porra.
— Responde. — Sussurrei.
— Hm? — Ele falou se levantando da cama e se vestindo rápido.
Não pude evitar escorregar o olhar pro volume que ele escondia atrás do lençol, analisando o que tinha me deixado tão dolorida, provavelmente pelo resto do dia. Sinto minha i********e pulsar novamente... Samantha você é um caso perdido!
— Cadê a Sam? — Ela perguntou por trás da madeira da porta e mesmo assim eu pude notar um tom desconfiado.
Willian me empurrou pro banheiro rindo da cara de pervertida que eu tinha feito enquanto o comia com os olhos. Me recompus, me odiando por isso, entrando depressa e depois trancando a porta.
Abby encheria nossa cabeça de conselhos para ficarmos juntos, falando algo do tipo "vocês nasceram um pro outro", "eu sabia que iam se acertar", "são um casal perfeito" e sinceramente, a forma romântica como isso soa, me dá embrulhos no estômago. Eu não estava afim de ouvir nada disso e pelo visto nem ele.
Não era o que queríamos.
Ele não queria isso.
Só sexo.
Apenas isso e eu me lembrarei quantas vezes forem necessárias.
— O que disse? — Ele perguntou pra ela, obviamente fingindo que não tinha a escutado e depois saindo do quarto, afastando ela da cena do crime.
Respirei aliviada.
Não por muito tempo, até rolar a tela do celular e ter o desprazer de ver nome do Luca chamar novamente em uma ligação, deixando que a alegria fosse embora para dar lugar ao medo, medo dele ter iniciado seu plano para afundar minha família.
— O que quer? — Perguntei exalando mau humor na voz.
— Bom dia, meu amor!
Agora sinto nojo, também.
— Luca, sem brincadeiras. O que quer?
— Por que não anda me ligando a meia noite? — Perguntou e eu sabia que seu rosto estava serio do outro lado.
— Por que terminei com você!? — Disse o obvio. Ele era tão manipulador ao ponto de fazer perguntas tão idiotas, nos fazendo descrer da estabilidade das minhas palavras.
Alguns segundos em silêncio ensurdecedores, fizeram que o medo açoitar minha cabeça, formando um bolo na minha garganta.
— As coisas só terminam quando eu disser que terminaram, fui claro Samantha? — Sua voz parecia a voz de um estranho, pra não dizer um psicopata.
— Qual é seu problema, seu maníaco? E por que meia noite? Que tipo de jogo é esse? — As perguntas saíram rápida demais e eu tive que me controlar. Não posso demonstrar ter medo dele. Eu não posso ter medo dele! — Eu terminei com você Luca e ponto final!
— Primeiro que meu problema é te amar demais, e segundo, meia noite por que preciso me certificar que não vai à nenhuma festa, solteira, dando mole pra outro cara, o que já sei anda fazendo e terceiro, o meu jogo Samantha! Você joga o meu jogo sem ao menos perceber. — Ele riu amargo, mostrando sua monstruosidade do outro lado da linha e eu quis jogar aquele celular pra longe.
Idiota!
— O que você quer dizer com isso? — Perguntei, me odiando estar naquela situação.
— Beleza e inteligência nunca andam juntos. — Sua voz hostil demais, me fez duvidar que ele seria tão infeliz assim.
— Está me chamando de burra ou de feia?! — Abanei a cabeça descrente. Como eu pude trocar o Willian por esse babaca? Onde eu estava com a cabeça?
— Se fosse tão inteligente como diz ser... Samantha, o que quero dizer é quando menos você esperar, estará aqui novamente, me pedindo, ou melhor, suplicando para voltar. — Disse sério e eu não pude deixar de soprar um "filho da p**a pelos lábios".
— Eu prefiro morrer Luca, do que voltar pra você, por que em ambas as situações eu estaria sem vida mesmo!
Desliguei o telefone e só depois eu vi o quanto minhas palavras haviam saído secas e infelizes. Mas o que posso fazer? Por muito tempo estive morta dentro de mim mesma. Existe prisão mais agonizante do que você não poder ser quem é? Quando todas as críticas te abalam e te fazem acreditar que você não é boa suficiente pra nada? Quando você beira a perfeição, contudo ainda é errada? Eu vim com defeito de fábrica. Nunca fui e nunca vou ser a ovelha branca da família, de longe eu sou a menos preta, uma cinza, talvez.
Eu não sei como, mais uma luz havia aparecido na minha frente, junto com uma chuva repentina, limpando toda a sujeira e mostrando o caminho certo a seguir. Esse caminho não é com cara que me fez acreditar que ser eu mesma era tão errôneo assim.
Will sempre estar por trás da mente pensadora da nossa Sam. ? Vocês concordam?
Me falem o que estão achando da história, usem a sinceridade. ?
Beijinhooossss