O que ainda arde

1354 Palavras

A mensagem chegou às 02h13 da madrugada. Alice estava acordada. Não por insônia — mas porque quando as coisas começam a se mover demais, o corpo recusa descanso. O celular vibrou sobre o criado-mudo. Ela olhou para o nome na tela e o estômago se contraiu antes mesmo de tocar no aparelho. Gael. Não número desconhecido. Não provocação anônima. O nome. Ela hesitou por três segundos que pareceram um minuto inteiro. Atendeu. Silêncio do outro lado. Depois a respiração dele. “Você sempre acordava nesse horário quando estava ansiosa.” Aquilo foi um golpe baixo. Não era ameaça. Era memória. Ela fechou os olhos. “Você não tem o direito de me ligar.” “Eu sei.” A voz dele estava diferente. Menos fria. Mais crua. “Então por que está ligando?” Silêncio breve. “Porque você está se col

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