Capítulo 9 HELENA NARRANDO Desci o morro com as palavras do Murillo martelando na minha cabeça como uma música desafinada. "Você é minha por direito." Direito? De quem? Eu não sou propriedade de ninguém. E vou provar isso. Eu sou filha do Malvadão, porrä! E não preciso de homem nenhum pra mostrar que eu nasci pra comandar o que já é meu por sangue. O morro pode até ter reis, mas tá na hora de ter uma rainha. Pego o celular do Cobra no banco do carona e mando uma mensagem rápida pra minha tia-madrinha. Ela sabe da real entre mim e o Cobra. Se tem alguém que pode dar um jeitinho no meu pai, segurar ele na base do carinho ou da ameaça, é ela. Quando devolvo o celular, o Cobra me olha de lado, com aquele sorriso debochado que ele adora soltar. — Ficou bolada? — ele pergunta, como se est

