Capítulo 14

1003 Palavras
Ele acompanhou-a com o olhar, reparando no vestido, falou que estavam em cima da mesa. Ela começou a olhar e logo falou irritada: — Então, quer fazer o quê? Ele disse irônico: — Ser atendido? Suponho? Eu não te pago para ficar enrolando, acho que as avaliações sobre o seu trabalho são fakes. Você não tem sido muito profissional comigo! Essa roupa, é assim que você atende na clínica? Ela se aproximou e falou, indo pegá-lo para começar a atender: — É, devem ser. Em uma escala de zero a dez, me diga o quanto dói diariamente. Faz quanto tempo que você se acidentou? Ele respondeu, ficaram em silêncio, logo ele falou tirando as mãos dela de perto: — Pode parar, saia daqui. Eu não quero continuar! Isso é um erro. Desculpa, eu não consigo. Ela disse que faltava pouco para acabar a avaliação, ele falou exaltado: — Eu já disse que não quero! Vá embora, o dinheiro você já tem, não precisa se preocupar. Anda! Saia daqui. Ela disse, sendo paciente e demonstrando o quanto estava exausta: — Calma, tudo bem. Quer me contar sobre o seu acidente? Está com dores hoje? Ele falou hostil: — É claro que não quero. Olha para mim, o que você vê? Anda, me fala! Ela ficou quieta e foi olhar os exames. Ele começou a falar, sentando-se: — Não tem coragem de dizer? Ética profissional ou é algo financeiro? Eu achei que você fosse diferente, mas foi só me ver assim, deitado, vulnerável, que mudou, esse olhar de pena. Típico, é o que eu venho recebendo há meses e por isso deixei de sair dessa casa. Vá embora, incompetente! Ela respondeu, aproximando-se: — Ter empatia e respeito não é pena, eu entendo a sua dor e não falo da física. Eu sempre atendo os piores pacientes porque sou recém-formada e me tratam como uma pessoa incapaz naquela clínica. Eu faço as faxinas, cuido das agendas, só atendo os restos que as outras não querem. Sabe o que eu vejo? Um homem que tem tudo para melhorar, mas que não aceita sua real condição, está sofrendo e eu realmente entendo isso, mas não justifica a sua falta de educação comigo. Eu pego dois ônibus para vir e dois para voltar, saio de casa antes das sete da manhã e só chego quase meia noite. Eu troco de roupa por você, pela sua segurança, sabe como os ônibus são sujos? Então eu realmente agradeceria se você fizesse a sua parte, porque eu venho aqui para fazer a minha, seja com dez ou vinte minutos de atraso, de uniforme ou semi-nua, eu vou estar na sala, até o horário de ir embora. Caso mude de ideia, é só me chamar. Ela foi sentar na sala chorando, e nem era por ele. Quando deu o horário, foi para a cozinha, se despediu de Neuza, disse que não precisava de carona, saiu pelo jardim comendo a marmita gelada que não comeu no almoço, foi para a academia e vestiu aquele sorriso de sempre. Deu uma aula para crianças antes do pessoal chegar, falou que não estava se sentindo bem e que iria embora mais cedo. Não quis falar nada para Gaia, que também estava com problemas na academia e preferiu não dizer nada. Quando Mah estava indo para o ponto de ônibus, foi surpreendida por Gab, que chegou correndo atrás dela, falando animado: — Ei, Mah, oi. Tá indo para onde? Não vamos ensaiar? Desistiu de mim? Ela tirou os fones, sorriu e falou desanimada: — Oi, eu vou para casa, esqueci de te avisar. Desculpa! Não me sinto bem, um resfriado, não sei. Ele ficou olhando fixamente para ela e falou que tudo bem, perguntou se podia acompanhá-la de novo. Sem dar importância, ela falou, afastando-se: — Aham, é meu ônibus! Ele foi mais perto e perguntou se ela tinha vale-transporte. Ela respondeu, entrando na fila: — Sim, cartão da clínica. Ele falou sério: — Vou com você, te acompanhar, de verdade. Ela disse que não precisava. Ele pediu por favor. Ela falou antes de subir no ônibus: — Gab, eu não quero conversar sobre nada com ninguém, por favor, pare com isso. Tchau! Ele não disse nada. Enquanto ela subia, ele conversou com um rapaz que estava atrás, comprou o passe e subiu no ônibus logo atrás dela, foi sentar longe, onde ela o visse. Ela mandou uma mensagem: "Desculpa ter sido grossa com vc" "Não estou tendo um bom dia" Ele respondeu: "Tudo bem, eu vou dar uma volta só, não tô te perseguindo, fica tranquila" "Se quiser conversar, eu tô literalmente aqui" Ela digitou e apagou duas vezes, se levantou e foi sentar com ele desconcertada, falou que estava cansada. Ele segurou sua mão e disse que tudo bem, que ela não devia se explicar. Estavam passando por uma avenida muito movimentada, com bares. Ele disse que queria mesmo ficar por lá. Ela falou, levantando: — Então vamos descer. Se eu chegar essa hora em casa, com essa cara péssima, meus avós vão ficar super preocupados comigo. Anda logo! Desceram e foram a um barzinho. Ele ofereceu uma bebida, ela falou que não podia e que nem gostava. Ele respondeu: — É mais uma coisa nova sobre você. Quer comer? Tem várias coisas que parecem boas, eu queria mesmo um lanche. Ela falou rindo: — Pelo preço é obrigatório ser realmente bom, né. Que facada! Ele a empurrou sutilmente e gritou: — Garçom, a conta, por favor. Ela disse que não estava reclamando do lugar. Ele falou, afastando-se: — Vou pagar a conta e o lanche, só que de outro lugar. Espera aí. Ja volto! Voltou com um refrigerante e uma água. Foram saindo, ele falou que queria andar, ver as coisas e pessoas, comer um dogão em um carrinho comum. Ela só concordou e começou a falar sobre bebida alcoólica, confessou que era fraca e que não gostava de beber sempre, só em ocasiões especiais: Natal, Carnaval, casamentos. Ele interrompeu: — Audições que você passe.
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