VICENZO O caminho até a casa de Antônio foi um borrão. Cada passo que eu dava me aproximava do homem que tentou tirar Isadora de mim. Meu próprio pai. A raiva queimava no meu peito como um incêndio descontrolado. Meu sangue fervia nas veias, pulsando com a certeza de que eu não sairia dali sem uma resposta. Ao chegar, não esperei ser anunciado. Abri as portas com força, fazendo-as bater contra a parede. Antônio estava sentado em sua poltrona de couro, segurando um copo de uísque. Ele nem sequer levantou os olhos quando entrei, como se já soubesse que eu viria. — Você perdeu a educação agora, Vicenzo? — ele perguntou, calmamente, girando o líquido âmbar no copo. Fechei a porta atrás de mim com força. — Não finja que não sabe por que estou aqui. Ele suspirou e, finalmente, levantou

